terça-feira, outubro 18, 2005

Afinal consegui ver

À terceira foi de vez. Hoje de manhã já havia bilhetes para a sessão das 11h que incluía o filme de Diana Adringa. Ontem estavam esgotados. Nunca percebi bem este fenómeno dos convites que vão e vêm, e transformam salas inicialmente esgotadíssimas em salas quase cheias ou quase vazias.

Bem, mas o que interessa é falar do documentário. É curto e simples, mas duma eficácia demolidora. Todos nós engolimos a treta do arrastão. Eu próprio, que estive lá nessa manhã com o meu filho, fiquei um pouco espantado com os acontecimentos que supostamente teriam decorrido depois da hora do almoço. Mas acreditei quando vi as notícias. De facto, nesse dia Carcavelos estava a abarrotar de jovens (brancos e pretos). Mais misturados aqui, mais separados acolá, o que é facto é que havia pouco espaço para divisões inter-raciais. Nessa manhã, a propósito desse colorido que coabitava na praia, lembro-me de pensar ingenuamente que Portugal estava a tornar-se numa sociedade cada vez mais multicultural. No regresso vim de comboio e o colorido expandia-se até à estação. Devo confessar que senti algum receio, sobretudo pela criança, devido à quantidade enorme de grupos que desaguava dos comboios. Mas não mais que isso.

O documentário entrevista o comandante da PSP de Lisboa. Parece-me um homem ponderado e, sobretudo, honesto na forma como respondeu às perguntas da jornalista. Assumiu claramente as suas responsabilidades e disse que tinha aprendido muito com o episódio. Mas referiu uma outra coisa que nos deve fazer pensar seriamente sobre os Media e, sobretudo, as televisões. Poucas horas depois, quando a polícia averiguou a fundo os factos, chegou à conclusão que não tinha ocorrido nenhum arrastão: o número de roubos era insignificante e só tinha sido apresentada uma queixa (ainda por cima sobre um roubo que teve lugar na estação e não na praia). Ora bem, segundo o comandante, os órgãos de comunicação social e os respectivos jornalistas não quiseram saber da verdade dos factos e preferiram continuar no seu autismo espalhando a histeria e o pânico. De facto, quando uma grande ilusão vende tudo o resto é considerado secundário, até a verdade. Ou melhor, sobretudo a verdade.

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