segunda-feira, outubro 24, 2005

Declaração de voto

Na crónica de ontem no Público, António Barreto traça o perfil a que deveria corresponder o próximo presidente. Segundo o comentador o presidente deverá “agir diante os cidadãos, às abertas. Se não for um covarde que, com receio de ser contrariado pelo governo ou pelo parlamento, prefira o silêncio ou a reserva. Se trocar as conversas semanais, discretas e alcatifadas, do Palácio de Belém, com o primeiro-ministro, pelo espaço público. Se for concreto e preciso. Se a população perceber o que denuncia e o que propõe”. Concordo plenamente com esta visão da acção presidencial que valorize, antes de mais, o espaço público enquanto espaço de construção não só de opiniões e de debate mas, acima de tudo, de projectos para o país. Um espaço de diferença no qual se assumam posições claras perante os problemas mais marcantes da sociedade portuguesa.
António Barreto não desvenda se algum dos candidatos em causa se encaixa neste perfil. No entanto, se me permitem, considero que não há grandes dúvidas a este respeito. Só Mário Soares tem condições inatas para mobilizar a sociedade civil, as instituições e os partidos em torno desse espaço de inscrição (conceito caro a José Gil). De entre os candidatos que poderão ganhar, nenhum outro demonstra ter essa capacidade. Cavaco é por natureza um homem solitário, jamais conseguirá funcionar noutro registo que não seja dentro do seu próprio espaço. Alegre tornou-se um homem fora do sistema, nomeadamente partidário, e os partidos não poderão estar excluídos desse espaço. Soares já demonstrou como presidente que consegue trazer à agenda temas normalmente ausentes da praça pública, como o ambiente ou o desenvolvimento sustentável. A presidência aberta na Área Metropolitana de Lisboa é o exemplo mais sintomático. Por tudo isto, Soares terá o meu voto logo à primeira volta.

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