segunda-feira, outubro 17, 2005

Mais valia estar calado

O Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social declarou hoje estar chocado com os níveis de pobreza em Portugal. E qual é a resposta do governo: um orçamento que prevê o aumento do desemprego e a diminuição do poder de compra das famílias. De facto, a solidariedade social não é uma prioridade para Socrates, como era para Guterres. Em parte isto acontece porque o actual governo tem as mãos atadas e mais vazias (de dinheiro). Mas, pelo menos, deveria ter o bom senso de não fazer demagogia!

4 Comments:

Anonymous Observatório de facilitismo intelectual said...

Caro senhor sindicalizante,

1. Os números de aumento do desemprego, infelizmente e como certamente sabe, não são decretados pelo orçamento de estado. Este é que pode, ou não, fazer uma projecção correcta da conjuntura económica que tem tradução nesses números.
2. Confundir o conceito de diminuição do poder de compra das famílias portuguesas - leia-se aumentos salariais abaixo da linha de felicidade sindical - e o conceito de níveis chocantes de pobreza em Portugal, realidade para a qual existem, porque infelizmente têm mesmo que existir, programas e instrumentos de intervenção ao nível da solidariedade social, mais que demagogia revela pouco cuidado.
3. Está, no entanto, certíssima a contrição inscrita na sua última frase:pelo menos, deveria ter o bom senso de não fazer demagogia!
4. Depois disso, então sim, discuta-se um orçamento de estado. Este ou qualquer outro.

Cumprimentos

5:57 da tarde  
Blogger Renato Carmo said...

Caro senhor que não se identifica,

O objectivo deste post foi de chamar a atenção para o facto de no mesmo dia em que é apresentado o orçamento, o Ministro da Solidariedade aparecer perante as televisões a lamentar-se sobre o drama da pobreza. Ao depositar esperanças na diminuição do desemprego e no aumento níveis de produtividade como forma de diminuir os níveis de pobreza, é o próprio Ministro que estabelece a relação de causa e efeito, que tanto o chocou ao ler meu post. No dia em que de facto o orçamento prevê um aumento do desemprego e a diminuição concreta do poder de compra, um Ministro não pode vir à praça pública dizer: há que ter esperança que o desemprego diminua e a produtividade aumente para que a pobreza possa diminuir.
Como sabe, existem vários níveis de pobreza. Em Portugal, muitas famílias vivem nesse limiar e uma diminuição continuada do seu poder de compra levará, mais tarde ou mais cedo, a uma situação grave de pobreza.
Quanto ao sindicalizante, não sei o que quer dizer. Mas se para si, ser sindicalizante é sinónimo de ser de esquerda, então deverei ser sindicalizante. No entanto, devo dizer-lhe que sou muito crítico em relação aos sindicatos, nomeadamente, a sua tendência para proteger com mais fervor os interesses dos trabalhadores instalados em detrimento dos precários.
De qualquer modo, gostei de ler seu comentário. Espero que continue a ler o blog e que para a próxima se identifique.

Um abraço.

7:26 da tarde  
Anonymous Jl said...

As toupeiras para quem o Sócrates trabalha nunca se identificam.
Sabem bem fazer o seu trabalho como o faz o nosso infeliz ministro do trabalho.
Nunca em Portugal se produziu tanto, nem nunca o povo português trabalhou com o nível que o faz agora. Sempre fomos um povo admirado em todo o mundo pela nossa qualidade de trabalho.
Agora o que tivemos foi a infelicidade de entregarmos a governação aos lacaios do grande capital. Infelicidade porque fomos totalmente enganados por promessas que foram imediatamente postas na gaveta quando se sentiram no poleiro. Todos estes que agora falam contra o Estado, dele vivem e dele sempre viveram. Não têm um mínimo de sensibilidade perante o sofrimento de quem trabalhou uma vida inteira e agora se encontra na miséria.
É uma vergonha,

Força na denúncia,

Cumprimentos

10:25 da tarde  
Blogger Dylan T. said...

Caro Renato Carmo,

Apenas factos, sem aturada avaliação política e procurando a consequência para com um certo facilitismo preguiçoso de análise que o meu anterior comentário pretendeu assinalar:

Primeiro. O ministro da Solidariedade falou no âmbito do dia mundial para a erradicação da pobreza e, tanto quanto sei, de uma agenda de trabalho relativa a programas específicos inscritos nesse universo de acção. Não me parece, de todo, que tenha sido uma muleta interventiva para o OE.

Segundo. Sem crescimento económico, conjuntural e estrutural, não se diminui desemprego nem se combate a fundo o crescimento de fenómenos de pobreza. Isso não é um desejo nem um political statement de rendição, é um facto. Agora, que o orçamento é pessimista a nível de crescimento, desemprego e poder de compra? Certamente que sim. Mas até que seja provado o contrário, chamar-lhe-ia pragmaticamente realista. Sem prejuízo da valência, que naturalmente se pode discutir a nível de eficácia e de inscrição orçamental, de outros instrumentos de intervenção social.

Registo partilharmos de visões não tão diferentes relativamente a algumas encruzilhadas sindicalistas, bem como na inclinação à esquerda.

Mantenho a leitura assídua deste blog, que aliás aprecio, e como a identidade no meu primeiro comentário obedeceu a uma intencionalidade meramente hermenêutica que se substituia a qualquer relevância de autoria, subscrevo-me então da forma que me apresento.

Cumprimentos

Dylan T., d'aloiranaogostademim

7:06 da tarde  

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home

Site Counter
Bpath Counter

fugaparaavitoria[arroba]gmail[ponto]com