sexta-feira, novembro 04, 2005

A cidadania do consumo

A distinção entre cidadão e consumidor que tem alimentado algum debate na blogoesfera, reflecte uma concepção redutora de cidadania de alguma esquerda e que provocou algum alarido por parte da direita. De facto, entendo que, cada vez mais, a identidade cultural e política dos indivíduos passa pela forma como constroem os seus estilos de vida. E as práticas de consumo são uma componente essencial dessa identidade. A roupa que se veste, os livros e Cds que se compram, os alimentos que se confeccionam, etc. Tudo isto e muito mais faz parte integrante da nossa identidade e do modo como nos apresentamos perante o outro. Neste sentido, encarar o acto de consumo como um mero acto de alienação (essencialmente passivo), não só é um engano como reflecte uma incapacidade da esquerda enquadrar o mercado como uma realidade (económica, social e cultural) concreta na qual nós participamos todos os dias.
O consumo pode ser visto como um acto de cidadania quando, por exemplo, em consciência as pessoas recusam adquirir determinado produto de tal marca porque foram utilizadas substâncias poluentes, trangénicas, ou porque a empresa em causa empregou mão-de-obra infantil… Deste modo, o acto de consumir poder ser plenamente político, porque é reivindicativo.
Como escrevi noutro sítio, na sociedade moderna o consumo tende a assumir uma dimensão política. Pode constituir um poderoso instrumento de reivindicação e uma verdadeira força de expressão de descontentamento e de mal-estar. Representa a possibilidade de, através do mercado, reduzir as desigualdades determinadas pelo sistema produtivo. É urgente que a esquerda compreenda esta capacidade e integre no seu movimento uma política de consciencialização perante o consumo.
Concluindo: ser cidadão é mais do que ser mero consumidor, mas ser cidadão também é ser consumidor.

3 Comments:

Blogger aAdF said...

Como escrevi noutro sítio, na sociedade moderna o consumo tende a assumir uma dimensão política. Pode constituir um poderoso instrumento de reivindicação e uma verdadeira força de expressão de descontentamento e de mal-estar. Representa a possibilidade de, através do mercado, reduzir as desigualdades determinadas pelo sistema produtivo. É urgente que a esquerda compreenda esta capacidade e integre no seu movimento uma política de consciencialização perante o consumo.

Eu diria que é a única ferramenta éticamente válida. E escuso de a nomear, dadas as nossas conversas noutros espaços de comentários >)

2:09 da manhã  
Blogger Renato Carmo said...

Bem, quanto a mim, está longe de ser a "única ferramenta éticamente válida", mas é por isso que eu sou de esquerda e o aadf é de direita.

9:03 da manhã  
Blogger Consultora Educacional said...

Gosto muito dos artigos de seu Blog. Quando for possível dá uma passadinha para ver meu Curso de Informática online. Emily Nascimento

8:58 da tarde  

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