quinta-feira, novembro 03, 2005

A direita revolucionária

Para a direita (sobretudo a liberal) o mercado é naturalmente justo e o Estado é por natureza perverso. Em contraposição, para a esquerda, o Estado representa um garante fundamental de justiça social, enquanto o mercado sem regulação é gerador de fortes perversões e injustiças. A direita desconfia do Estado e a esquerda desconfia do mercado. São posições de princípio obviamente inconciliáveis. No entanto, existe uma diferença nos pressupostos que sustentam esses princípios: a direita liberal quer acabar com o Estado, em contrapartida, a esquerda (mesmo a menos moderada) não apregoa o fim do mercado. Neste sentido, a proposta liberal é actualmente muito mais radical do que qualquer outro movimento de esquerda. Esta implica uma forte ruptura estrutural que passa pela destituição do Estado providência e a instauração de um modelo de sociedade determinado pelas leis do mercado livre. Um mercado sem qualquer tipo de regulação estatal entregue ao domínio absoluto de uma divindade: a mão invisível. Toda a proposta da direita liberal assenta na convicção desta crença. Para eles o mercado livre é inquestionável. Tal como foi para outros a ditadura do proletariado. E o resultado foi aquilo que se viu.

5 Comments:

Blogger AA said...

Caro Renato Carmo,

1. Os liberais não defendem o fim do Estado, mas a sua redução às suas funções nucleares compatíveis com princípios de Liberdade Individual;

2. A Mão Invisível é o processo pelo qual todos nós exercemos a nossa liberdade económica (entendida no sentido lato). Também o mercado livre é sinónimo de liberdade. A ditadura do proletariado era ditadura.

3. Não se confundam alhos com bugalhos. O que está em questão a "justiça social" ideologica e centralmente definida, à custa da liberdade de escolher dos cidadãos.

AA

4:58 da tarde  
Blogger Renato Carmo said...

Caro AA,
Antes de mais agradeço os seus comentários.
A minha questão não é contra o conceito de mão invisível, que do ponto de vista estritamente económico faz algum sentido. O problema que eu assinalo é outro. Tem a ver com o facto da direita liberal propor a generalização dos princípios do mercado livre a toda a sociedade. E isso, vai-me desculpar, é uma crença, porque em nenhuma parte do mundo existiu uma sociedade totalmente organizada segundo esses princípios.

Não se esqueça que para os ideólogos da revolução comunista, a ditadura do proletariado também era sinónimo de liberdade.

Cumprimentos

8:43 da tarde  
Blogger aAdF said...

Caro Renato Carmo,

Então a pergunta a fazer é que sectores da sociedade não podem ou não devem ser liberalizados, e porquê.

Podemos passar das crenças aos argumentos — porque (e perdoe-me a maldade) também é crença pensar que o liberalismo não pode funcionar.

Aqui entre nós: qual é o maior garante de liberdade: a Mão Invisível ou a ditadura do proletariado, tão apressadamente equiparadas no seu post? >)

Cumprimentos,

AA

2:05 da manhã  
Blogger Renato Carmo said...

A "ditadura do proletariado" preconizava uma sociedade sem classes e, neste sentido, era uma ideia interessante. O problema foi o que se fez dela ao querer concretiza-la de forma absoluta e dogmática. O mesmo se pode aplicar à ideia de "mão invisível" e ao facto de querer transforma-la num sistema social.

9:11 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

O problema desses posts é a falta de referências bibliográficas.

10:26 da tarde  

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home

Site Counter
Bpath Counter

fugaparaavitoria[arroba]gmail[ponto]com