terça-feira, novembro 15, 2005

É a globalização, estúpido!

Há uns dias atrás Cavaco Silva disse que Portugal não pode ter medo da globalização. Este comentário alegrou muito o sector da direita mais liberal, que o leu como um sinal de que o candidato afinal não é tão social-democrata como dá a entender. Devo confessar que foi uma das frases mais inteligentes de Cavaco desde que se apresentou como candidato. E tem como alvo a retórica fácil de alguma esquerda que se seduz pelo folclore mediático que caracteriza o denominado movimento anti-globalização. Infelizmente, Mário Soares alinha demasiadamente neste registo. O discurso “anti” não faz sentido e é meramente panfletário. As sociedades organizam-se cada vez mais em torno das redes de informação e comunicação e, neste sentido, a globalização é um fenómeno universal em relação ao qual não se pode ficar à margem.
Considero que a esquerda deveria integrar um discurso e uma ideologia vanguardista no que diz respeito a esta temática. A carpideira constante contra a globalização, como sendo a porta aberta para o papão do neo-liberalismo, já não convence ninguém e tornou-se oca. É preciso apontar para uma nova visão da globalização. O primeiro passo é vê-la como uma oportunidade e não como um mal. E deste ponto de vista Cavaco tem razão. O segundo é encará-la como um fenómeno heterogéneo. E aqui já nos estamos a afastar da concepção neoliberal. O terceiro passo é precisamente o de encontrar aspectos positivos na globalização, ou melhor, encontrar outras globalizações. Elas andam por aí nas redes virtuais. E estas não são nada hegemónicas, pelo contrário, fundam-se precisamente na diferença. É fundamental largar o discurso da resistência, caro ao PCP e também ao Bloco. Ou o discurso da inevitabilidade liberalizante, caro ao PSD e também ao PS. Mário Soares deveria mobilizar o discurso da criação. É preciso que Portugal se recrie na sociedade em rede como fez, por exemplo, a Finlândia. Este é o discurso positivo que faz falta!

3 Comments:

Blogger AMN said...

Caro Renato, porque razão dizes que encarar a glovalização como um fenómeno heterogéneo te afasta da concepção neoliberal? E que, presumo, encontrar aspectos positivos na globalização, ou melhor, encontrar outras globalizações se afasta, igualmente da concepção neo-liberal?

Estas perguntas têm um pressuposto, se me permites, que é o de não discutir agora o que entendes por neo-liberais, o que nos levaria a outras dicussões.
Um abraço,
a.

12:41 da tarde  
Anonymous JL said...

Estou de acordo com o Renato quando ele diz que a esquerda tem de ter uma mensagem de vanguarda. A esquerda tem de estar sempre à frente em tudo. Tem de apresentar as propostas mais inovadoras para o bem-estar e felicidade do ser humano. O exemplo da Finlândia é o melhor dos tempos modernos.
Também estou de acordo que o conceito actual de globalização é a arma mais destruidora que a direita tem na sua posse. Para eles apenas existem números, lucro e competição.
A esquerda pode defender o intercâmbio mundial a todos os níveis demarcando-se desta visão desumana de sociedade ,aliás, futuramente condenada.

JL

7:40 da tarde  
Blogger Renato Carmo said...

Caros,

Amanhã tentarei responder num outro post às diversas perguntas. O que tenho para dizer é demasiadamente extenso para um comentário.

Um abraço.

8:39 da tarde  

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