quarta-feira, dezembro 21, 2005

Breves sobre o debate

1. Soares não tinha outra estratégia senão atacar e espicaçar o adversário.
2. Cavaco não tinha outra estratégia senão defender-se e desviar-se das rasteiras do adversário.
3. Soares ganhou (i) porque se assumiu aos olhos dos eleitores de esquerda como o único homem que poderá estar à altura de derrotar Cavaco; (ii) porque poderá ter convencido algum eleitorado indeciso em não votar no candidato da direita.
4. Cavaco ganhou porque manteve a sua pose de homem que paira acima da política e com isso consegue segurar o eleitorado.
5. Soares perdeu ao não conseguir que Cavaco sujasse a sua imagem imaculada.
6. Cavaco perdeu porque jogou demasiadamente à defensiva e levou o tempo a justificar-se perante Soares.
7. Conclusão: os dois candidatos mereciam uma segunda volta.

5 Comments:

Anonymous Daniel Melo said...

Agora percebo por que extinguiram os exames de filosofia: com estas lógicas da batata era o fim da picada!

Sejamos rigorosos: os debates Alegre-Cavaco e Louça-Cavaco foram muito mais interessantes e politicamente esclarecedores.

Neste debate azedo, o dr. Soares não apresentou uma única ideia (como notou o ilusionista dr. Cavaco) e esteve num ajuste de contas pateticamente ultrapassado, contrariando a sua tese dum PR moderador (coisa que ele não foi no 2.º mandato, mas a memória é selectiva..). Parecia um personagem dos filmes de Visconti, um velho aristocrata decadente e fora do seu tempo.

Mas, pelos vistos, há quem se deslumbre com os grandes nomes de cartaz e prefira o pugilismo pseudo-político aos outros debates de ideias...

Isto tudo é muito português, depois queixem-se de que não há renovação política em Portugal.

4:00 da tarde  
Anonymous astronauta_spiff said...

É fixe ter fé e pensar que o debate acabou empatado e que ambos os candidatos merecem ir à segunda volta. Mas a verdade é que o Cavaco esteve igual a si próprio e o Soares esteve mal, muito mal. Não apresentou uma única ideia, contradisse-se quando afirmou em alturas diferentes do debate que o presidente é um moderador e um mobilizador (ou é uma coisa ou outra) e mostrou desespero de causa quando disse que o Cavaco não tinha conversa (mas isto não é o que as míudas de 18 anos que começam a despertar para o Sartre, Baudelaire e afins, diziam dos surfistas-betinhos quando a malta passava férias de Verão na Costa Portuguesa?).

Pedro

4:55 da tarde  
Blogger PiresF said...

“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar
irritado algumas vezes, mas não
esqueço de que minha vida é a maior
empresa do mundo. E que posso evitar que
ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,
apesar de todos os desafios, incompreensões
e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar autor da própria
história. É atravessar desertos fora de si, mas ser
capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma. É agradecer a Deus
a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo. É ter coragem
para ouvir um “não”. É ter
segurança para receber uma crítica,
mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...”

Fernando Pessoa.


Feliz Natal.

5:12 da tarde  
Blogger Renato Carmo said...

Caros, os debates, e este em particular, têm de ser avaliados à luz das circunstâncias do momento. Ou seja, Cavaco está a um passo de ganhar estas eleições logo na 1ª volta. Se conseguir será à custa de uma percentagem importante do eleitorado de centro-esquerda. Soares tem que travar e inverter essa ‘transferência’ de votos. Daí que o seu objectivo principal seja o de convencer parte deste eleitorado em não votar em Cavaco. Que fique em casa e não vote, que vote noutro, isso logo se verá. O que interessa é que se retraiam em depositar o voto à direita.
Perante isto Soares só tem uma estratégia: ATACAR. Repetir até à exaustão o perigo que representa Cavaco, que ele não tem perfil, que a sua personalidade não se coaduna com o exercício do cargo. No fundo, fazer com que a capa de imaculado se amachuque e se rompa o suficiente para criar dúvidas e, se possível, afastar potenciais eleitores.
Se chegarmos a uma segunda volta, o discurso de Soares mudará substancialmente e assentará mais no seu projecto do que no ataque ao adversário. Pelo menos, espero que assim seja.
Tudo isto pode depreender uma certa lógica da batata. Talvez por isso os filósofos raramente foram bons políticos (como vimos nas últimas eleições autárquicas).

Um abraço e bom natal.

9:41 da tarde  
Anonymous Daniel Melo said...

Prémios Presidência da República:

Prémio O Seu Saldo [Biológico] Não lhe Permite Efectuar Essa Operação: Marocas.

(mais? é só ir ao http://www.armadopovo.blogspot.com)

Não percam aí tb. as inimitáveis crónicas do Brito Aranha!

Façam o favor de se portarem mal!

Boas festarolas, também.

5:17 da tarde  

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