sábado, dezembro 10, 2005

Cavaco e o medo de existir

Ontem confirmou-se o perigo que Cavaco representa. Fora das questões económicas, o Professor não consegue estruturar um pensamento sobre nada. Cai na banalidade de um senso comum rudimentar e pouco fundamentado. A sua insegurança e o seu mau estar saltam à vista quando aborda as tais “questões fracturantes” que, segundo o candidato, são, imagine-se, secundárias. Como é que algo, que se reconhece como fracturante, pode ser considerado um assunto menor que nem merece a pena ser discutido? Para além de ser uma contradição, denota uma fraqueza surpreendente que Louçã explorou, dentro do possível, ao salientar a pequenez política do seu adversário político. Cavaco não é um perigo em si. Torna-se perigoso porque já se percebeu que, se for eleito, estará completamente nas mãos dos seus conselheiros políticos relativamente a todas as decisões que tiver de tomar sobre assuntos não económicos. A pior direita empoleira-se nas costas do candidato e espreita por detrás do seu conveniente espírito tecnocrata. Está calada, porque se falar prejudicará Cavaco, como prejudicou Freitas há vinte anos. Os tempos mudaram, o país é outro, mas, em certos níveis da sociedade, prevalece uma sensação de que as coisas não mudaram assim tanto. Há sinais estranhos que perpassam os tribunais, a investigação criminal, certas instituições políticas e religiosas… Sinais de um tal medo de existir, que nos fala José Gil, e que favorece determinados grupos. Cavaco nada fará contra esses sinais e assim contribuirá para a sua manutenção. Isso acontecerá não por voluntarismo, mas por anulação.

0 Comments:

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home

Site Counter
Bpath Counter

fugaparaavitoria[arroba]gmail[ponto]com