sexta-feira, dezembro 09, 2005

A direita está dividida

Certa direita está cada vez mais impaciente com a candidatura de Cavaco. Afinal de contas o homem não sai do mesmo tom. É um discurso numa nota só: cooperação, concertação, cooperação, concertação. Não sai disto! Nada sobre a redução do Estado na sociedade, a diminuição da função pública. E mesmo na sua única área predilecta - a economia - nem sequer uma palavrinha sobre a redução dos impostos, nomeadamente, do IRC. Certos sectores neoliberais, e também alguns conservadores, começam a recear que Cavaco ganhe à primeira volta sem se comprometer com uma única ideia de direita. Soares, que tem uma intuição especial para estas coisas, já se começou a aperceber desse descontentamento, como demonstrou ontem no debate ao referir que a direita está dividida. Afinal Soares tem sido o único candidato a falar na necessidade em reduzir alguns privilégios adquiridos de modo a se conseguir sustentar o Estado Social. A este respeito Cavaco demonstra alguma falta de honestidade ao incidir o seu discurso na questão da crise de confiança. Como se o nosso problema fosse só esse. Cavaco está a elevar desmesuradamente a expectativas dos portugueses em torno da figura do presidente redentor, que virá pôr o país na ordem. Curiosamente, apesar de ser uma personagem cerebral e pouco dada a paixões, usa e abusa de um enorme capital carismático com o qual vai alimentando a crença e a fé do povo. Paradoxalmente, a melhor arma para o combater é a racionalidade, através de um discurso claro, sem ambivalências, nem segundas intenções. Os debates são por isso a última esperança para Soares. Não admira que se revolte tanto quanto ao formato acordado.

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