segunda-feira, dezembro 12, 2005

O perigo da relatividade

A direita ainda tem grande dificuldade em lidar com a noção de relatividade. A ideia de que não existe uma ordem absoluta que comanda o universo arrepia muita gente. Com a teoria da relatividade a ciência apresentou-nos um Mundo completamente diferente. O tempo e o espaço deixaram de ser vistos como dimensões estanques e aprioristas: iguais para qualquer ponto do universo. Para se tornarem forças dinâmicas que dependem essencialmente do contexto de quem observa. Esta alteração radical trouxe uma consequência inesperada, não só para a física como para restantes ciências (incluindo as sociais): em princípio todas as perspectivas são válidas, mesmo as mais contraditórias, desde que fundamentadas em dados observáveis. A verdade ganhou múltiplos significados. O consenso tornou-se, por isso, mais difícil. Mas, em contrapartida, abriu-se uma porta fantástica para o debate científico e a para a discussão de perspectivas.
Contudo, para a direita puritana representada por César das Neves “a ciência complica e não clarifica as discussões. Ser "tecnicista", "economicista" passou a ser pecado. O pós-modernismo trocou boa análise por má doutrina. Assim, cresce o desprezo pela atitude racional e avança o misticismo e a magia, prosperam os charlatães e a mixordice intelectual. Estão em risco séculos de avanços do conhecimento.” Segundo esta concepção, a humanidade estaria muito melhor se o universo continuasse a ser movido por uma mecânica linear e unívoca. A ciência transformar-se-ia numa técnica feita por alguns positivistas que iluminariam o Mundo para um caminho único e inquestionável. As sociedades viveriam em harmonia e todos seríamos, sem dúvida, muito mais felizes. Desde que cedêssemos nesta teimosia de querer pensar, é claro!

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