domingo, dezembro 18, 2005

Sim, Sr. Doutor

Quando for grande e tiver uma profissão digna desse nome gostava de ser pediatra, com consultório particular e vínculo a um Hospital Público (é claro!). Todos os meses rumamos para a consulta de rotina. Ao fim de uma espera de, pelo menos, uma hora lá entramos: uma auscultação aqui, uma medição ali, uma reposta fácil a dúvidas de circunstância, enfim, um exame rápido como é apanágio das rotinas. Meia dúzia de minutos e ficamos a saber que está tudo bem. É para continuar a fazer o que se está a fazer. No final, um aperto de mão e ao balcão um cheque de 65 euros por cabeça. É quanto custa saber que tudo está conforme. Nada nos obriga a ir ao privado, mas no público ainda é mais a correr. E porque o assunto mete a saúde das nossas crianças, não nos importamos de pagar para termos direito a mais uns minutos e saber um pouco melhor que está tudo bem. Este pequeno consolo leva-nos, de algum modo, a ser coniventes com o sistema paralelo montado pela classe médica que consegue assegurar todos os benefícios de uma carreira na função pública, ao mesmo tempo que vai enriquecendo no privado. Isto sim é um verdadeiro privilégio e, como tal, continua a ser intocável.

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