sexta-feira, janeiro 13, 2006

Brrreeeeee...

Sendo o nosso Inverno um dos mais curtos e mais quentes da Europa ocidental é, no entanto, aquele que mais mói. Obviamente que a culpa não é do Inverno, mas das casas que, supostamente, deveriam abrigar-nos do frio.
Portugal sempre foi um país de construtores. Está-nos no sangue: alargam-se divisões, estreitam-se quintais, sobem-se telhados, expandem-se anexos, fecham-se varandas... Esta obsessão por construir é talvez uma forma de compensar a fraca mobilidade dos portugueses, que passam anos a fio (ou melhor, a frio) no mesmo lugar. Constroi-se para iludir o enraizamento (seja numa aldeia, ou num subúrbio). Constroi-se muito e mal. Não há casa que não tenha uma mancha de humidade, uma racha na parede, um cheirinho a bafio em alguns recantos. Estas mazelas arquitectónicas fazem parte do nosso património. Em casa andamos com o aquecedor atrás de divisão em divisão. Quando saímos de manhã enchemo-nos de camisolas para que o frio não nos atormente ao longo do dia. Mas, mesmo assim, continuamos a enregelar, sobretudo nos edifícios públicos. A começar pelas escolas que são, normalmente, espaços medonhos e dos quais nos lembramos logo quando pensamos em frio. Quem não se recorda das geladas manhãs passadas numa sala de aula? Desde a primária até à universidade passámos sempre muito frio e continuamos a passar. Irra, que nunca mais acaba o Inverno!

3 Comments:

Blogger Luís Marvão said...

Nem mais!
São os construtores do nosso descontentamento. Nesta triste história, não podemos imputar culpas ao Inverno.

3:58 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

É verdade.
Nestes três últimos dias tem-se espalhado um frio dentro do Instituto onde lecciono muito pior que os 16 graus negativos que passei no Inverno de 1970, em Paris do meu exílio.
E, agora, respigo de um livro meu, velho de 1975, "Inverno", da página 14:
"Da Escola que soube eu mais, senão o Inverno/duro nas costas e nos pés. /Ao fundo havia um balde de lata/a receber os pingos do canto vindos do tecto (...)" Parece, de facto, que existe uma certa permanência neste país dessa ilusão que é a mudança.
Nem que fosse a de um rosto sem mofo, a saber a frio e que até nos gela os sonhos que agora também nos entra pela casa dentro. Mas até isso permanece.
Lá vou eu chegar o aquecedor a mim…

Rogério Carrola.

5:30 da tarde  
Blogger Renato Carmo said...

Então nesse Alentejo em que o frio até arrepia os ossos...

Um abraço.

8:19 da tarde  

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