terça-feira, março 28, 2006

Democratizar o Estado é preciso (1)

O lema da direita é acabar com o Estado providência. Todos os problemas se resolvem com a destruição do Estado social, desde que o seu terreno seja ocupado pelo milagreiro Mercado. Sortudo este Mercado que fica com os despojos do Estado! Ficará com grandes infra-estruturas (escolas, hospitais, repartições…), com equipamentos, com pessoal altamente qualificado, etc. Na verdade, o que os liberais pretendem é uma espécie de nacionalizações ao contrário. E, se possível, por decreto. Não sei se estão a ver: o último decreto do Estado seria o da sua própria auto-dissolução. Uauuu, ‘ganda’ cena!

Face ao discurso de abolição do Estado a esquerda responde com a sua absolutização. Ou seja, para esta o Estado é intocável. Ora eu, que me acho de esquerda, considero que o Estado não só não é intocável como deve ser questionado: nos seus procedimentos e, principalmente, nas decisões que são tomadas em seu nome. Infelizmente, não é isso que tem sucedido. Muitos dos nossos ilustres comentaristas (essa estirpe admirável de independentes) abusam de uma crítica ao Estado que incide fundamentalmente nos executores (os tais funcionários públicos). A maior parte dos mecanismos de controlo da eficiência que propõem servirão basicamente para apurar e, supostamente, premiar quem transpira mais, e pôr a andar quem corre menos.

Quanto aos decisores (os tais altos dirigentes), esses estão tão alto que continuam intocáveis. Mesmo para aqueles que querem acabar com o Estado. Que estranha contradição, porque será? Não tem a ver com o facto de muitos destes críticos terem também passado, em tempos que já lá vão, pelas manjedouras do Estado, pois não? Que ideia, que sugestão tão injuriosa e grosseira! Como se neste país a passagem pelo Estado equivalesse a um passaporte para uma carreira bem sucedida no sector privado. Longe de mim pensar tal enormidade! O facto dos altos dirigentes do privado (alguns dos quais comentaristas de renome) não questionarem os altos dirigentes do Estado (tão comentaristas como os seus comparsas), deve-se a uma simples distracção. Apenas isso! Além do mais, os executores são muito mais em número do que os decisores e, portanto, é natural que os últimos passem despercebidos nos anais das estatísticas nacionais. Afinal, tudo isto não é mais do que uma mera questão de números.

Perante tamanha distracção numérica, poderá a esquerda continuar a encarar o Estado como um indivisível número absoluto?

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

COMUNA!

3:31 da tarde  

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home

Site Counter
Bpath Counter

fugaparaavitoria[arroba]gmail[ponto]com