sexta-feira, março 03, 2006

Estado de sítio... menos para o meu sítio no Estado

Domina na imprensa e na blogosfera a retórica fácil e simplista contra o Estado Social. A propósito de qualquer estatística ou de um índice menos positivo, lá vêm os arautos do liberalismo a apontar o Estado de ineficácia, de gerar desigualdades, de fracasso… Maternidades e hospitais, escolas e universidades, tribunais, repartições... Tudo é corrido a eito, tudo funciona mal. Quando os leio, ponho-me a pensar o que seria de parte desta gente se não fosse o Estado Providência. Muitos deles nunca foram mais do que funcionários públicos a vida inteira. Optaram por uma carreira segura nos escalões públicos e jamais se aventuraram no sector privado. O Estado sustenta-lhes a liberdade de poderem reflectir, comentar e opinar sobre os malefícios do próprio Estado. E esse é um dos pilares básicos da democracia que alicerça todo o sistema público. Se pertencessem aos quadros de uma universidade ou de uma empresa privadas, tenho dúvidas que criticariam os accionistas da mesma forma como arrasam o Estado Social. Esta é uma diferença fundamental, que descuram a cada passo, apesar de serem os seus maiores beneficiários. O Estado garante-lhes o direito de serem livres, e ainda bem que é assim! Talvez, por isso, se achem intocáveis, visto terem as suas carreiras asseguradas. Assim podem proclamar à vontade a destruição do Estado Social, pois sabem, à partida, que isso nunca os afectará.

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