quarta-feira, março 22, 2006

Estará a esquerda condenada à defensiva?

Nos debates e discussões políticas é corrente vermos os partidos e os movimentos de esquerda assumirem posições defensivas com receio que as investidas do capital (ou dos governos ou da direita em geral) marquem mais um golo na baliza dos direitos adquiridos. O discurso da esquerda reduziu-se à pequena área do guarda-redes, que treme sempre que o esférico rompe a zona defensiva. Imaginem 10 jogadores acantonados na retaguarda a tentar segurar o resultado do jogo. Tem sido esta a estratégia da esquerda. Mais conhecida pela táctica da barricada (tenho de vender esta ao Gabriel Alves).
A luta continua, mas parou na trincheira que defende as conquistas do passado: a defesa do ensino público, do sistema nacional de saúde, da justiça para todos, da contratação colectiva, das subidas de escalões… A defesa tornou-se o único ataque. Neste aspecto, a esquerda não se distingue muito da táctica de uma certa direita conservadora, cujo objectivo supremo é a manutenção dos interesses das classes dirigentes e mais favorecidas. No caso da esquerda trata-se fundamentalmente de salvaguardar os interesses dos remediados que tiveram a sorte de em tempos se pendurarem num quadro de efectivos. E os que estão fora do quadro, como se espera que resistam? Como podem os suplentes defender as mesmas barricadas? (talvez só mesmo o Gabriel Alves tenha uma resposta à mão).
Por outro lado, o discurso da ruptura de sistema e da mudança de paradigma é cada vez mais protagonizado por uma espécie de “nova direita” (neoliberal e/ou neoconservadora) que tem comandado a agenda política nacionais e mundial desde, pelo menos, o início do século XXI. Frente a esta frente demolidora não há barricada que resista. A esquerda vive a angústia do penalty derradeiro. Se defender será por inépcia do atacante (mau gesto técnico, diria Gabriel Alves). Mas há sempre possibilidade de recarga. E aí meus amigos não teremos outro remédio senão pontapear para a frente e desistir de resistir: inverter a táctica e apostar tudo no 2-4-4 (desta nem o Gabriel Alves se lembraria).

3 Comments:

Blogger Daniel Melo said...

2-4-4?! Qual o quê! Autocarro estacionado lá na frente, pá!!
Portanto, a táctica é 0-0-11, ali!!
Para ponta-de-lança de raiz tenho um nome debaixo da língua: o Renato, pois claro.
O resto são municiadores de jogo.

Enfim, este é realmente o retrato actual duma parte significativa das forças político-sociais no terreno.
É a atitude do «avestruz»: enfiará a carapuça quem se reconhecer.
Mas uma coisa é certa: os tempos mudam, e não dá para suspendê-lo nem voltar atrás.

12:16 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Ou seja?...

3:14 da tarde  
Blogger Renato Carmo said...

Aguarde os próximos posts...

9:53 da tarde  

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