sexta-feira, março 17, 2006

A muleta do liberalismo

Os arautos do liberalismo não conseguem resolver uma contradição que subjaz o seu purismo ideológico. Como se verifica por essa blogosfera, quando se trata de dissertar sobre princípios abstractos são desenvoltos e produzem uma argumentação consistente (embora desmontável). Mas quando toca a operacionalizar no concreto, esmorecem o ímpeto e acabam por se esconderem em subterfúgios artificiais sem conseguirem propor nada de verdadeiramente inovador.
Por outro lado, sempre que operacionalizam ficamos a saber que não é bem assim, que afinal o Estado ainda é necessário. O fundamentalismo teórico contra o Estado esbate-se perante a incapacidade em propor uma real e absoluta alternativa ao Estado. É o que se depreende nos posts de AMN sobre o seu sistema de ensino. É fácil produzir um texto em torno dos princípios de liberdade que devem nortear o sistema educativo. Mas quando passa ao modelo concreto, os argumentos enredam-se e parece que emperram. Caro AMN, a duas propostas concretas que apresentas enquadram-se perfeitamente nos programas políticos da social-democracia. Nenhum deles implica a privatização generalizada das escolas públicas. Aquilo que propões não é mais do que coexistência de dois sistemas, como existe actualmente. A única diferença é que no teu entender o Estado deveria aliviar mais a colecta das famílias que inscreveram os seus filhos em escolas privadas. Não discordo. Afinal, no fundo, a liberdade sempre precisa do Estado.

4 Comments:

Blogger AMN said...

Caro Renato, não posso concordar.

Em primeiro lugar, o modelo que defendo é, como eu próprio alertei, gizando de forma a atender a realidade presente. Habitualmente acusam os liberais de falar na "liberolândia". Limitei-me a defender um sistema mais justo e que penso ser aplicável de imediato.

No meu post defendo claramente a privatização total do sistema. O Estado passa apenas a ter um papel financiador, em moldes que podem variar. O ideal até seria que não tivesse, mas mais uma vez procurei defender um modelo que tivesse aplicação imediata.

Sou preso por ter cão e preso por não ter :)

6:30 da tarde  
Blogger Renato Carmo said...

É isso mesmo, para ter aplicação imediata (eu diria concreta) até os liberais contam com o Estado. O que sugere uma pequena provocação: para Lenine o Estado também representava um estádio intermédio para alcançar o comunismo.

Se bem entendo propões uma espécie de expropriação do Estado: continua a financiar mas deixa de ter qualquer capacidade reguladora. Ou seja, o Estado transforma-se num banco que cede empréstimos e créditos, sem poder ter uma palavra a dizer quanto à qualidade do serviço prestado pela mercadoria adquirida: a educação. Parece-me que o Estado perderia muito com essa negociata.

Um abraço, Renato

8:23 da tarde  
Blogger Daniel Melo said...

Ó pá, isto é que vai por aqui uma cavalgada desenfreada, que até eu já lhe perdi o rasto.
Bom, mas não tardam pela demora, caraças.
É só arrumar a casa, e já salto para o Jolly Jumper.

12:47 da manhã  
Blogger Berith said...

Concordo com o post.

10:19 da manhã  

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