terça-feira, março 14, 2006

Pela defesa da escola sou fundamentalista

Os hospitais já capitularam, as telecomunicações só à opa, a electricidade nem vê-la, a segurança social tornou-se muito insegura… falta a escola: é o próximo alvo a abater. Quase todos os dias se fala mal da escola pública. A direita esganiça-se toda para demonstrar que a escola que temos é um desperdício de recursos e que, ainda por cima, é incapaz de educar as nossas criancinhas. As elites nunca lá puseram os filhos. A classe média mais endinheirada faz tudo para se pôr em bicos de pés e prefere depositar os seus descendentes num colégio qualquer, desde que este se chame Coração de Jesus ou de Maria ou de José.
Alguma elite intelectual irrita-se com a generalização dos certificados que, segundo a sua opinião, certificam a estupidez. 'E para quê gastar-se tanto dinheiro para formar tanta estupidez?' 'Acabe-se de vez com isso!' 'Invista-se em bons liceus privados para as melhores famílias e deixemos o resto com os empresários e com os empregadores'. 'Esses é que são a boa escola para quem não pode, nem deve saber mais'.
A batalha contra a escola não é exclusiva da direita. Há uma certa esquerda que sempre revelou desdém e embirração pela escola. Criticam-na por reproduzir o establishment e ser um dos instrumentos de imposição da cultura burguesa. Consideram a escola um espaço que pouco incentiva a imaginação e a irreverência crítica. Procuram um modelo alternativo que nunca encontraram mas que dizem conhecer. Sem dar por isso, por pura distracção ou porque se estão mesmo nas tintas, acabam por dar uma ajudinha à campanha generalizada que pretende privatizar a escola.
É verdade que a escola lidou mal com a massificação. É verdade que a escola deveria promover mais a criação e menos a reprodução. A escola pública está em crise, é um facto. Mas há quem queira transformar essa crise no seu fim. A sua privatização representaria o definhar de um dos últimos pilares do Estado social. Por este motivo, considero que a luta pela escola pública ultrapassa a reivindicação de meros interesses corporativistas de uma profissão que vê perder a cada passo parte dos seus direitos ditos adquiridos. É mais do que isso, trata-se de uma luta ideológica entre dois modelos distintos de sociedade. E como tal não há volta a dar-lhe: ou se está contra a escola ou se está a favor, não há meias tintas!

5 Comments:

Anonymous Isabel said...

Ainda não me tinha ocorrido essa perspectiva aterradora e para mim até agora completamente absurda: a privatização da escola. Mas agora que o dizes, eles andam realmente aí cheios de ideias...

3:18 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Acho que o caminho político recente não tem sido no sentido da "venda" da escola (ou melhor da sua privatização). O alargamento dos horários escolares permite que quem não ganha para o ATL privado possa ficar num espaço educativo e acompanhado por profissionais com competências pedagógicas (tendo como principal suporte o estado). Outro exemplo é a introdução do inglês na generalidade das escolas do 1º ciclo, permitindo que cada vez mais crianças possam ter acesso a essa ferramenta essencial numa sociedade (progressivamente) da informação e do conhecimento (tendo tb como principal suporte o estado). Estas duas medidas são sinais que deviam sossegar a tua preocupação – uma “escola pública” que se alarga e aprofunda. Susana Martins

12:00 da manhã  
Blogger Renato Carmo said...

Cara Susana, este post não tem a ver, não é uma crítica directa às actuais políticas de educação, nem ao actual governo (essas virão para próximos posts). A minha preocupação detém um horizonte temporal mais alargado e decorre dos sinais que vêm da opinão publicada de uma certa direita, que vai ganhando terreno e adesões. Por outro lado, temos os sinais que vêm de Inglaterra e das políticas de Blair e de parte do seu partido Trabalhista.
O post chama a atenção para o modo displicente como uma determinada esquerda encara a escola. Tenho tido inúmeros exemplos que passam por uma crítica fácil e superficial. Ainda bem que estás tão descansada. Mas o tempo muda muito depressa e as maiorias também!

Bjs

Ps. Olha, vais hoje às mateméticas?

8:40 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Acabei por não ver a tua resposta ontem (16/03). O meu comentário referia-se sobretudo à parte inicial do teu texto que considerei um pouco apriorística e de mero levantamento de suspeita e, aí, o olhar pareceu-me directo à agenda actual. Quanto aos princípios gerais que avanças sobre a defesa da escola pública, nomeadamente enquanto concepção universal e de espaço onde se obtêm recursos de valor social (e não só) a que um maior número de pessoas tem tido (ou deve ter) acesso, estou completamente de acordo. Acho que às vezes se confunde igualmente processos de racionalização do sistema e da rede escolar (designadamente o fecho de algumas escolas) como ataques à escola pública. A demagogia sobre estas intenções é abundante (à esquerda e à direita) e, frequentemente, as suas reacções mascaram de escola pública aquilo que de facto é artilharia de um certo politicamente correcto, ocultando por vezes as ditas razões corporativas. Quanto ao estar descansada … a história tem-nos dito que o descanso em matéria de educação é um dos nossos piores inimigos. Susana Martins

12:30 da manhã  
Blogger 日月神教-向左使 said...

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12:15 da tarde  

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