quarta-feira, junho 07, 2006

Ó Martim, dê cá um beijinhooou

Na maior parte das situações tento ser uma pessoa tolerante. Mas há coisas que ultrapassam a nossa tolerância e irritam tremendamente. Uma dessas coisas virou praga e afecta, cada vez mais, os pais e as mães deste país. No início (finais da década de 80) circunscrevia-se à zona da Linha de Cascais e era uma imagem de marca das satirizadas “Tias”. Agora deixou de ser sátira e passou a ser uma prática generalizada que se ouve na maior parte dos espaços ao ar livre onde brincam crianças como os jardins, as praias, etc. Refiro-me a um modo de falar que, para além que conter uma entoação irritante, utiliza sistematicamente a terceira pessoa do singular no diálogo com os outros, nomeadamente, com os filhos, tipo: “você venha cá”, “dê cá um beijinho”, “menino não faça isso”… Não suporto ouvir estas e outras expressões similares. A linguagem deve expressar o tipo de relacionamento que temos com as pessoas. Se as relações entre pais e filhos são por natureza próximas e afectivas, porquê envolvê-las em formas verbais que denotam um maior formalismo e distanciamento? Tratar uma criança (filho, neto ou sobrinho) por “você” é um atentado às relações humanas e o reflexo de um “pseudo-novorriquismo” execrável.

2 Comments:

Blogger AA said...

não se pode legislar?... :)

11:26 da manhã  
Blogger Renato Carmo said...

Boa! Multas às tias e pseudo-tias. Com esta medida resolvia-se, de um dia para o outro, o problema do déficit público. :))

12:09 da tarde  

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