quarta-feira, junho 14, 2006

Sindicatos à deriva

O sindicalismo está em crise e em Portugal está na rua das amarguras. É com algum desconsolo que assisto às justificações bacocas de Paulo Sucena sobre a oportunidade da marcação da greve de professores entre dois feriados. Não se percebe como é possível tanta inépcia e tanta ausência de estratégia. Os dirigentes da Fenprof estão desnorteados, é hora de se irem embora e de deixarem espaço para alguma renovação, nem que seja uma renovação geracional (já é alguma coisa!). Esta greve só teve um resultado palpável: contribuiu ainda mais para a fragilização dos professores obstruindo de vez a já limitada capacidade de reivindicação.
Depois de uma greve no início de ano lectivo que saiu completamente gorada, a propósito do aumento dos anos de reforma, esperava-se algum tacto por parte dos sindicalistas. A próxima jornada de luta teria de ter sucesso. O ambiente era relativamente favorável: a equipa ministerial foi ao longo das últimas semanas alvo de críticas de vários sectores. Contudo, a Fenprof jogou mais uma vez pelo seguro e contou com os professores absentistas para garantir algum sucesso da greve (é típico do movimento sindical, desde que me lembre as greves têm sido sempre coladas a feriados ou a fins-de-semana). Mas não garantiu nada, pelo contrário, o regatear de percentagens não vale nada, o encerramento de uma escola só cria mal-estar e o seu impacto circunscreve-se ao bairro ou à comunidade local.
A greve pela greve só gera ruído e o ruído é efémero, vai com o vento. Pouco fica desta jornada de luta senão a desconfiança sobre o seu oportunismo político. Como disse a Ministra, e neste aspecto pôs o dedo na ferida, o calendário dos sindicatos parece ser determinado pelo interesse partidário. E assim se brinca com as aspirações dos professores que só perdem com este ping-pong estéril e histérico. Para esta situação se modificar era necessário uma alteração profunda no papel do trabalhador sindicalizado: não chega pagar as cotas, usufruir dos descontos e servir de pau mandado na altura das manifestações.

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