sábado, setembro 02, 2006

Breve história da Reforma Agrária (I)


O processo da reforma agrária e respectiva destruição do latifundismo desenvolve-se num crescendo mas de forma muito intensa e rápida. É tese relativamente consensual considerar que esta não representou uma mera «(...) consequência da aplicação de qualquer projecto político definido pelo poder central e por este claramente assumido, antes tendo resultado da relação de forças e do desenvolvimento das contradições na zona sul do país, antes se tendo ficado principalmente a dever à avançada consciência de classe (...)»*.
O factor mais relevante que espelha bem a vincada consciência de classe manifesta-se na capacidade de organização dos diversos agentes, que logo nos meses posteriores a Abril de 1974 formam diferentes associações e sindicatos. É no distrito de Beja que se desenrolam mais cedo as movimentações que levam à formação de três organizações de classe: a A.L.A. (Associação Livre de Agricultores) que representa os grandes empresários agrícolas, as Ligas de Pequenos e Médios Agricultores e o Sindicato do Trabalhadores Agrícolas.
É esta última organização que assume o maior protagonismo nas duas primeiras fases do processo que culmina com a constituição das novas unidades de produção colectiva. Nos primeiros meses posteriores ao 25 de Abril, o sindicato dará voz às reivindicações dos trabalhadores, principalmente daqueles que não tinham trabalho fixo. Na verdade, logo a seguir à revolução a questão central dos trabalhadores agrícolas não era a reforma agrária mas o problema do desemprego e dos salários, só mais tarde se poria a questão da ocupação de terras.

*Afonso de Barros (1979), A Reforma Agrária em Portugal: das Ocupações de Terra à Formação das Novas Unidades de Produção, Oeiras, Instituto Gulbenkian de Ciência, p. 51.

0 Comments:

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home

Site Counter
Bpath Counter

fugaparaavitoria[arroba]gmail[ponto]com