terça-feira, setembro 05, 2006

Breve história da Reforma Agrária (IV)


Desde o final da década de 70 e durante os anos 80, grande parte das terras ocupadas retornam aos antigos proprietários, na medida em que foi sendo cada vez mais alargado o direito de reserva a favor destes, por intermédio de um conjunto de leis que iam sendo aprovadas pelos vários governos constitucionais. Assim se em 1975/76 chegaram a ser ocupados 1140800 hectares de terra, formadas 550 UCP’s/Cooperativas Agrícolas que empregaram 72 mil trabalhadores; em 1988 a área ocupada reduzia-se para 285000 hectares, correspondendo a 252 unidades de produção que empregavam somente 15000 trabalhadores. Esta evolução radical, em pouco mais de dez anos, demonstra a velocidade acentuada com que o processo se desenvolveu até 1976 e o modo como posteriormente se foi definhando.
Está ainda por fazer a história do impacto da reforma agrária no Alentejo. No entanto, podemos dizer que as suas marcas foram desaparecendo ao longo das últimas duas décadas na estrutura agrária e na organização das relações sociais. Sem dúvida que foi um factor determinante para a destituição do latifundismo. Contudo, acabou por não representar um sistema alternativo que para além de suplantar pudesse ter substituído o anterior. Provavelmente se o modelo de reforma agrária tivesse dado um pendor mais determinante à divisão da terra pelos pequenos e médios agricultores, as suas consequências teriam sido diferentes. Mas essa é uma história que nunca poderemos comprovar.

0 Comments:

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home

Site Counter
Bpath Counter

fugaparaavitoria[arroba]gmail[ponto]com