segunda-feira, setembro 11, 2006

Caprichosos, mas não vencidos

Marques Mendes acusou o governo de manter um capricho de esquerda ao não querer ceder na continuidade de uma Segurança Social plenamente pública. Vem isto a propósito de um post que já vinha a engendrar há algum tempo sobre esta coisa de ser de esquerda. Para muita gente, incluindo a que vota regularmente em partidos ditos de esquerda, essa questão de esquerda vs direita é uma artificialidade, uma teimosia. Perante a política executiva, os dois lados anulam-se no inevitável e unívoco pragmatismo. Por exemplo, para a redução do deficit (tinha de ser!) não há política esquerda ou de direita, há somente uma política: a diminuição das despesas e o aumento das receitas. Ou seja, para aquilo que vale (e estamos, como é óbvio, a falar de finanças), não há outro sentido senão o sentido certo. Tudo mais são meros caprichos ideológicos que só servem para enfeitiçar o caminho traçado.
Este modo de ver a política generalizou-se e tem convencido muita gente. Neste aspecto, há que tirar o chapéu aos nossos últimos governantes (tanto a Durão, como a Sócrates): conseguiram! O povo rendeu-se ao pragmatismo e anseia por resultados. E os dados saem todos os dias. São as previsões em alta sobre previsões de baixa naquilo que é para subir, e as previsões de baixa sobre as de alta no que é suposto descer. E neste sobe e desce de décima em décima se vai alimentando as expectativas da populaça. Há quanto tempo nos anunciam a retoma? Provavelmente, o tempo todo que a crise leva. É esta a ciência precisa em nome da qual se anularam esquerda e direita? É este o rumo certo do inquestionável pragmatismo? Afinal, por que lado é que andam os tais feitiços que iludem a realidade?

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