sábado, setembro 30, 2006

Cidades com pés de barro


O estudo divulgado hoje pelo jornal Público sobre o índice de competitividade das cidades, revela uma realidade que, há pelo menos duas décadas, vem alterando a estrutura territorial do país. De facto, as cidades médias, nomeadamente as que se situam no interior, têm conhecido um desenvolvimento apreciável que se expressa, entre outros aspectos, no aumento da qualidade de vida. No entanto, a natureza desse desenvolvimento assenta principalmente em factores que se podem tornar pouco sustentáveis a médio prazo. Na sua maioria estas cidades são pouco industrializadas, e cresceram sobretudo à custa da terciarização da economia (com destaque para o comércio e algum turismo) e da implantação de certos serviços públicos: hospitais, escolas e instituições de ensino superior. Por exemplo, as universidades e os politécnicos tiveram um grande impacto (ainda por estudar) nas economias locais e nos respectivos tecidos urbanos.
Contudo, actualmente depreendem-se, neste como noutros sectores, alguns sinais preocupantes que tendem a inverter as tendências de crescimento, que conheceram a sua época de ouro na segunda metade da década de 90. A perda contínua de alunos, que atinge principalmente o ensino politécnico, levará inevitavelmente ao encerramento de algumas instituições de ensino superior. Por outro lado, as políticas de concentração de serviços levadas a cabo por estes últimos dois governos (umas necessárias, outras nem por isso), como as que ocorrem actualmente no sector da saúde, implicarão, não só, uma redução da população activa, como representarão uma diminuição nos índices de competitividade e na capacidade de atracção de novos residentes.
Urge portanto investir em políticas urbanas e regionais que dotem estas cidades de plataformas sustentáveis de desenvolvimento. No sentido de se gerarem as condições necessárias para se constituírem nódulos de inovação e de excelência que possibilitem verdadeiras parcerias, entre empresas privadas e universidades públicas, capazes de concretizarem projectos de investimento que mobilizem e rentabilizem os recursos locais. Para isso acontecer é fundamental apostar nos serviços públicos e no ensino superior de qualidade. Começo a ter dúvidas sobre se este é o caminho que está ser traçado. Na verdade, a via do encerramento sem contrapartidas (de maternidades, de urgências hospitalares, de escolas, de cursos…) pode a curto prazo beneficiar as contas públicas, mas, no futuro, poderá comprometer o desenvolvimento destas cidades.
Foto: imagem aérea do centro histórico da cidade de Évora.

1 Comments:

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7:06 da tarde  

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