domingo, novembro 12, 2006

Dualismos de esquerda


O actual congresso do PS exacerba de desinteresse. É constrangedor ver os oradores agarrarem-se a expressões emblemáticas que identifiquem a actual maioria como um governo que é (ou devia ser) de esquerda. De um lado, o duo Roseta e Alegre apela à esquerda da rua, a que ouve as pessoas e os seus descontentamentos, do outro, a esquerda eleita é a ‘moderna’. Por sua vez, esta última rebela-se contra a esquerda ‘ortodoxa’ (representada pelo PCP e BE) que, em seu entender, defende um mundo impossível cheio de fantasia. A ‘esquerda moderna’ auto intitula-se de pragmática face à outra que é dogmática. É a esquerda que entranhou o fim da história e a inevitabilidade do modelo global dominante. Para este novo PS a esquerda tem de ir na onda para não ser afogada pela mesma. A economia assim o exige! Por seu turno, acusa a dita esquerda ortodoxa de se esconder da onda ou então fazer de conta que ela não existe. Para esta o alvo continua a ser o capital que explora a força de trabalho. Em contrapartida, a esquerda moderna considera o capital intocável: a sua circulação e respectiva acumulação são a natureza da própria economia. E sem economia não há prosperidade. E sem prosperidade não se atenua a desigualdade.
São estes os dualismos que separam a esquerda que envelhece da esquerda que se vê rejuvenescida. Contudo, apesar de se situarem no lado oposto do espelho. Ambas comungam de um mesmo reflexo: são essencialmente nacionalistas e não incorporam qualquer projecto internacionalista. Encontram-se enclausuradas nos desígnios ilusórios de uma pequena e triste nação. Ambas encaram a globalização de forma conservadora: uma aceita-a tal como ela é, a outra nega-a a todo o custo. A primeira está encadeada, a segunda cegou de vez. E é neste estéril toma-lá-dá-cá que se vai perdendo mais uma oportunidade de debater a sério o estado da esquerda portuguesa para o projecto do Mundo.

2 Comments:

Blogger AisseTie said...

"Nós ou o caos" e a preocupação de manter o rótulo de esquerda e o tal a quem ninguém cala a fazer a ponte. A assistir, no congresso, uma plateia que bate palmas e, fora dele, outra plateia, desinteressada e cada vez mais desabituada a debater ideias e desenraízada da cultura política. É o que há...

2:55 da tarde  
Blogger Daniel Melo said...

Se não é assim parece!
Triste país, tão acomodado aos atavismos.
Triste país, tão cumpridor de automatismos dominantes.
Pobre esquerda, tão anquilosada e conservadora. É aqui que procurais os agentes da mudança? Bem podeis procurar...

8:59 da tarde  

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