segunda-feira, março 27, 2006

Michael Burawoy em Portugal: a ciência como interpelação construtiva da sociedade

Michael Burawoy é actualmente um dos sociólogos mais influentes, não só no meio académico como junto dos decisores políticos e dos media de referência. A convite da APS- Assoc. Portuguesa de Sociologia, o actual presidente da homónima dos EUA vem proferir 5 palestras entre nós. Eis a sua agenda:
27 de Março (2.ª, 18h) – Methodology, Ethnography and the extended case method (no âmbito do Programa de Doutoramento em Sociologia do ISCTE, sala B203, Lisboa)
28 de Março (3.ª, 17h) – The third-wave Sociology (CES-FEUC, sala Keynes, Coimbra)
29 de Março (4.ª, 15h) – The methodology of revisits (para o Projecto “Transformações sociais numa colectividade rural do noroeste português”, Inst.º de Sociologia da FLUP, Porto)
30 de Março (5.ª, 14h) – Comparing industrial work under capitalism and socialism, 1975-2000: methodological and theoretical dilemmas of multi-sited ethnography in the United States, Hungary and Russia (no workshop “Motivations and incentives: creating and sharing knowledge in organisational contexts”, Projecto DIME, ISCTE, sala B203)
30 de Março (5.ª, 18h) – Public Sociology (ICS-UL, auditório, Lisboa)
Alguns dos seus textos relativos à proposta da «Public Sociology», i.e., duma ciência social como parceira crítica e construtiva das políticas públicas, estão disponíveis no sítio do Dep.º de Sociologia da Univ. de Berkeley-Califórnia, onde é director.
Aproveita-se para respigar uma breve nota biográfica, pelo sociólogo Elísio Estanque:
"Michael Burawoy tornou-se conhecido sobretudo a partir dos múltiplos estudos que realizou com base no método de «observação participante» sobre as relações laborais e o mundo fabril em diferentes países, nomeadamente na Hungria e nos EUA. O chamado «método de caso alargado» foi por ele teorizado e aplicado à análise de empresas industriais em diferentes partes do mundo, privilegiando o ponto de vista dos trabalhadores e procurando, a partir desses estudos de caso, interpretar os processos de estruturação do capitalismo global e as suas formas despóticas ou hegemónicas de dominação. M. Burawoy é reconhecido pelas suas análises críticas do capitalismo e pelos contributos inovadores dos seus estudos, nomeadamente sobre o desmoronamento da ex-URSS e os processos de transição do socialismo para o capitalismo nos países do bloco soviético.
"Das suas diversas publicações destacam-se: The colour of class on the copper mines: from African advancement to Zambianization (1972, Manchester Univ. Press); Manufacturing consent: changes in the labor process under monopoly capitalism (1979, Univ. of Chicago Press); The politics of production (1985, London, Verso). Mais recentemente, foi co-autor/ organizador de uma obra de referência, Global Ethnography: forces, connections and imaginations in a postmodern world (2000, Univ. of California Press), na qual se mostra como a globalização pode ser estudada ‘a partir de baixo’, através da participação nas vidas daqueles que a experienciam e que sofrem os seus efeitos destrutivos. Ao longo da sua carreira como sociólogo, Burawoy assumiu-se como marxista, procurando reconstruir o legado de Karl Marx e adequá-lo aos problemas sociais e desafios históricos de finais do século XX.
"Nos últimos anos tem publicado e animado inúmeros debates nos EUA em torno da ideia do chamado «public sociologist». Discute o papel do cientista social como intelectual e activista político, advogando uma viragem que se está a operar na sociologia a nível mundial, em que esta se vem revelando cada vez mais como uma «ciência crítica» do capitalismo e dos excessos da globalização".
Adenda: a 1.ª conferência foi entusiasmante, palavra de ouvinte.

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