Um biógrafo à altura
Um conhecido de um amigo procurava na net informação sobre Fausto (Bordalo Dias) e descobriu referências à sua biografia oficial. Autor? Goethe.


Não gosto de fazer compras nas grandes superfícies, prefiro as médias tipo Pingo Doce ou Lidl. Tudo está mais próximo e anda-se muito menos. Não nos acontece, por exemplo, chegar ao fim das compras e, depois de percorridos kms de corredores e de prateleiras, termos de voltar ao início porque nos esquecemos dos ovos. Mas, infelizmente, só nos hipermercados encontramos certos produtos e lá rumamos para comparar as fraldas dodot (que são mais baratas) ou o tal champô que não costuma haver nos outros. Sempre que visito uma destas catedrais do consumo dou uma saltada ao espaço dos CDs, à procura de saldos. Normalmente, encostado em qualquer canto, encontra-se uma espécie de um tanque de arame cheio de CDs dos mais variados tipos. É preciso ir com alguma paciência, mas às vezes acham-se autênticas pérolas a 8 ou 9 euros. Foi o que me aconteceu na última visita, entre o pior Pimba, o Pop mais comercial e o fadista mais pseudo-pós-moderno, encontrei Lamb, Sérgio Godinho, Vinicius, Tom Jobim… Mas já no fim, Pink Moon de Nike Drake e Ballads de John Coltrane. Uauu! O primeiro tinha gravado em K7 e há muito que não ouvia. O segundo já muitas vezes o tive na mão (noutros escaparates, é claro) mas acabou sempre por ficar atrás de qualquer outra escolha. São dois álbuns à medida desta estação outonal. Cada um, à sua maneira, embala-nos para uma certa liberdade nostálgica. Enfim, dito assim até parece um bocado foleiro. Mas pronto, foi o que me veio à cabeça. Afinal, tudo isto veio a propósito da minha última visita ao hipermercado…












mento para data indeterminada do referendo. Sampaio não quis ficar na história como o Presidente que ajudou a resolver a questão da legalização do aborto. Podia tê-lo feito no final do mandato, mas preferiu entrelaçar-se num jogo de datas e de artifícios constitucionais. Sampaio é mestre em criar imbróglios. E acaba sempre por se enlear em enredos complicados. Sugiro um cognome para os anais da história: “SAMPAIO O COMPLICADINHO”. A sua incapacidade em tomar decisões claras na altura certa tem contribuído, ao longo destes dez anos, para a degradação do sistema político-administrativo. Ao confirmar-se a decisão do TC, Sampaio prepara-se para lavar a mãos na hora da despedida e delegar, como parece querer faze-lo, para o próximo Presidente a responsabilidade de resolver o problema do aborto. Sampaio sai de cena e deixa como legado um magistério oco e demasiadamente cinzento, cairá, por isso, no esquecimento.
A malta do BE anda preocupada. O BE fundou-se tendo como ambição ocupar, por um lado, parte do espaço eleitoral do PCP que, gradualmente, ia perdendo eleitorado e, por outro, conquistar franjas do eleitorado descontente com o PS. Ora bem, nestas duas últimas eleições o PCP parece ter invertido a sua tendência regressiva e o PS conseguiu maioria absoluta nas legislativas. Apesar de ter crescido bastante o BE viu-se entalado e pressente que já não vai conseguir crescer como até aqui. Até agora a receita foi muito eficaz e passava principalmente pela mediatização e por marcar a agenda dos temas fracturantes da sociedade portuguesa. Na maior parte dos casos o PCP e, em certos casos, o PS foram a reboque de Louçã.
No entanto, sobretudo desde a chegada de Jerónimo Sousa, o PCP mudou a sua estratégia e entrou na guerra pelo protagonismo na agenda política. E até agora tem sido bem sucedido. O exemplo mais claro tem a ver precisamente com as Presidenciais. De repente assistimos ao BE ir a reboque do PCP. Ainda ontem enquanto Louçã anunciava a sua candidatura, já Jerónimo avançava nas ruas com cartazes, ao mesmo tempo que dava entrevistas a vários canais com pose presidencial. Ontem vimos o BE perder pontos nos tablóides. Coisa nunca vista! A batalha vai ser dura de parte a parte e nesta, ao contrário das outras, não se vislumbram vencedores antecipados. Bem pelo contrário.








Segundo as sondagens para as autárquicas, deixou de haver esquerda em Oeiras (Isaltino, PSD e PP juntos ultrapassam os 75% de votantes). Esta situação não se deve somente à cadidatura de Isaltino, mas também à estratégia do PS que preferiu avançar com um candidato perdedor e ajudar o ex-militante do PSD. O cartaz é ilustrativo do calibre deste Emanuel. Mas o que é ainda mais espantoso, é o facto deste cartaz estar espalhado pelo concelho há mais de uma semana. Nem sequer houve o bom senso ou a dignidade de o retirar. Não há dúvida, em Oeiras Isaltino ganhará com a ajuda declarada do PS.