sexta-feira, dezembro 30, 2005

Prémios FUGA 2005

O Celso, o Renato e eu (no fundo cerca de 55% dos leitores deste blogue, sobretudo agora que o tio Albertino tem cataratas), decidimos entregar os prémios Fuga 2005 às personalidades políticas que mais se destacaram no ano que amanhã finda. É uma lista humilde, dado que José Mourinho não consta dela. É portanto pobrezinha mas honrada... ou quase. Cá fica.

Prémio - O ano da confirmação
Dinis Maria Carrilho

Prémio - O ás do garrote
José Sócrates

Prémio - Não sabe, não responde, não tem opinião
Aníbal Cavaco Silva

Prémio - Corpo nacional de Escutas
Souto Moura

Prémio - Fuga, a vitória logo se vê
José Manuel Durão Barroso

Prémio - Educação e etiqueta
Manuel Maria Carrilho

Prémio - Anda cá que eu não te aleijo
Maria de Lurdes Rodrigues

Prémio - Bonjour tristesse
Manuel Alegre

Prémio - Porque eu só estou bem aonde não estou
António Vitorino

Prémio - Eu hei-de voltar e o prometido é devido
Luís Nobre Guedes

Prémio - A esquerda é plural e coiso...
Pacman

Prémio - Juventude silenciada
Kátia Guerreiro

Prémio - Uh la la, Mamma Mia!!!
Joana Amaral Dias

Prémio - Revelação de esquerda
Cavaco Silva

Prémio - Che Guevara
Freitas do Amaral

Prémio - Revelação de direita
Não atribuído por falta de comparência de candidato

Prémio - Confirmação de esquerda
Não atribuído por excesso de candidatos

Prémio - A minha sopa agora é outra
Daniel Oliveira

Prémio - Não imaginam o que sei fazer com a minha mão invisível
Aos liberais emergentes

Prémio - Finalmente a muralha de aço
Vasco Gonçalves

Prémio - Aderi ao cartão cliente da Maconde
Jerónimo de Sousa

Prémio - Este meu blazer de estimação
Francisco Louçã

Prémio - Direita musculada com nuances
Paulo Portas

Willie Dixon dixit

«In the beginning, Adam had the blues, cause he was lonesome. So God helped him and created a woman. Now everybody's got the blues.»
Quando o Willie dizia estas coisas ninguém esperava que estivesse a brincar.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Um alienado sem cozido na cova dos leões

Um tipo anda cheio de trabalho e só lhe foge a cabeça para os pequenos prazeres da vida, assim a modos que a ver se desanuvia um pouco. Vai daí, acorda-se com um desejo de gula infelizmente muito mais frequente do que se gostaria: um cozidinho à portuguesa. As papilas gustativas só pensam nestas coisinhas, já o coração foge delas como o diabo da cruz. Mas como todos sabemos o coração manda pouco nisto de paladares e carnes bovinas, suínas e assim, pelo que o corpo é que paga. E as superfícies dos espelhos até parece que vão encurtando, não é? Bom, feito o intróito, socorro-me pois da agenda de restaurantes e procuro: 5ªs feiras... ora ora, 5ªs feiras, pratos do dia... cozido à portuguesa, cozidinho cozidinho, cá está!!! Vou ao ******. Pega-se na viatura, mete-se o cinto de segurança, conduz-se de forma ultra segura e civilazada e chega-se à casa de pasto. Enquanto se aguarda mesa já se pensa em tudo menos em trabalho. As travessas de carnes fumegantes passam apetitosíssimas, bem servidas, o feijão, as gorduras, a couve, o nabo, o arrozinho... um petisquinho para a boca. Sentamo-nos e pedimos, directos: duas de cozido se faz favor. A resposta é imediata. Brutal. Seca. Trágica. Cozido é que já não há... E de repente o mundo desaba. E de uma manhã de sol se fez inverno. E num dia tão bom desce o inferno à terra. Desesperado, espeto os olhos nas travessas prazenteiramente degustadas nas mesas em volta... um pesadelo. Aposto que estes tipos nem de cozido gostam caramba! Vemo-los cruzar os talheres sobre pratos ainda cheios de comida. Sacanas! Que desperdício. Um cozido só deve ser vendido a quem provar gostar dele. Mas gostar a sério caraças!! Não é chegar ao restaurante e desatar a pedir doses só para lixar os gajos que chegam tarde. Decreto daqui hoje que Cozido à Portuguesa é coisa demasiado séria para ser vendida ao desbarato a quem nem dela gosta por aí além. E nós? E nós que sonhamos com ele, cozidinho au point, carnes ricas, feijãozinho branco ou encarnado consoante a vontadinha do freguês, sim, e nós? Desilusão, pois, desilusão que será carpida durante a tarde ao som de The Sound... From The Lions Mouth para uma tarde cinzenta, para afogar mágoas, para mergulhar na alienação do trabalho... sem cozidinho, na cova dos leões. É que na próxima 5ª feira já estarei em Budapeste, onde nem consta que haja cozido...

Só faltam 3 para chegarmos aos 10

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Olha ali a 'gaffezinha'

Sem atenuantes

O episódio da entrevista ao Jornal de Notícias em que Cavaco Silva se põe a fazer sugestões sobre o organigrama do governo mostra uma coisa.: nada mudou no perfil do candidato. Depois ninguém vai poder dizer que foi enganado. Quem votar nele quer mesmo um presidente que extravase as suas funções.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Espírito natalício

Mais do que reciclar o lixo é urgente reciclar o Natal.

sábado, dezembro 24, 2005

Para todos os que passaram por aqui...

...uma boa consoada

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Breves sobre o debate

1. Soares não tinha outra estratégia senão atacar e espicaçar o adversário.
2. Cavaco não tinha outra estratégia senão defender-se e desviar-se das rasteiras do adversário.
3. Soares ganhou (i) porque se assumiu aos olhos dos eleitores de esquerda como o único homem que poderá estar à altura de derrotar Cavaco; (ii) porque poderá ter convencido algum eleitorado indeciso em não votar no candidato da direita.
4. Cavaco ganhou porque manteve a sua pose de homem que paira acima da política e com isso consegue segurar o eleitorado.
5. Soares perdeu ao não conseguir que Cavaco sujasse a sua imagem imaculada.
6. Cavaco perdeu porque jogou demasiadamente à defensiva e levou o tempo a justificar-se perante Soares.
7. Conclusão: os dois candidatos mereciam uma segunda volta.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Irão usa armas biológicas contra o seu próprio povo

Segundo o Público, o jeitoso presidente do Irão proibiu a música ocidental na TV e na rádio. Só se pode ouvir música tradicional e os «hits» da revolução islâmica. A única excepção é a «música relaxante» que, ao que parece, em persa se escreve... Richard Clayderman.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Desenvolvimento rural e imigração

Vêm aí mais fundos comunitários para o desenvolvimento rural. É uma notícia muito positiva. Contudo, antes da atribuição desses fundos, por vezes às cegas e sem critérios, pelos mais variados projectos locais, era importante constituir uma visão estratégica de regeneração do meio rural. Para isso, convinha definir linhas de intervenção claras que fomentassem a dinamismo sócio-económico de zonas que se encontram cada vez mais marginalizadas e despovoadas. Os eixos que se enunciam têm a ver normalmente com a politica agrícola, ambiental, patrimonial, turística, etc. Raramente se referem outros que poderão ser tão ou mais relevantes. Refiro-me, por exemplo, a um fenómeno incontornável na sociedade portuguesa: a imigração. Por que não associar às políticas de desenvolvimento rural uma efectiva política de imigração que contemple a integração de famílias imigrantes que queiram residir e desenvolver uma actividade nestas zonas? Não fará sentido apostar no capital humano que ‘importamos’ e que, em boa medida, desperdiçamos, reconvertendo-o em empreendorismo? O meio rural necessita de pessoas e de iniciativa, a aposta nos imigrantes pode ser uma via para inverter a desertificação dos campos.

Dito assim até parece fácil

Se conseguíssemos mudar isto, poderíamos ser muito melhores nisto e, quem sabe, voltaríamos a ter mais 20 anos assim.

domingo, dezembro 18, 2005

Eis uma novidade

Sim, Sr. Doutor

Quando for grande e tiver uma profissão digna desse nome gostava de ser pediatra, com consultório particular e vínculo a um Hospital Público (é claro!). Todos os meses rumamos para a consulta de rotina. Ao fim de uma espera de, pelo menos, uma hora lá entramos: uma auscultação aqui, uma medição ali, uma reposta fácil a dúvidas de circunstância, enfim, um exame rápido como é apanágio das rotinas. Meia dúzia de minutos e ficamos a saber que está tudo bem. É para continuar a fazer o que se está a fazer. No final, um aperto de mão e ao balcão um cheque de 65 euros por cabeça. É quanto custa saber que tudo está conforme. Nada nos obriga a ir ao privado, mas no público ainda é mais a correr. E porque o assunto mete a saúde das nossas crianças, não nos importamos de pagar para termos direito a mais uns minutos e saber um pouco melhor que está tudo bem. Este pequeno consolo leva-nos, de algum modo, a ser coniventes com o sistema paralelo montado pela classe médica que consegue assegurar todos os benefícios de uma carreira na função pública, ao mesmo tempo que vai enriquecendo no privado. Isto sim é um verdadeiro privilégio e, como tal, continua a ser intocável.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

O plágio

«Cavaco avisa que salários baixos não são solução para a competitividade» título do Público.
Cavaco está tão desavergonhadamente coladinho à esquerda que qualquer dia é processado por Louçã por plágio.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

O grande anúncio

Sócrates está a especializar-se em anúncios. Praticamente todos os dias o governo anuncia uma medida inovadora. Ontem, por exemplo, o Primeiro-Ministro anunciou que o executivo vai investir mais na educação e na formação dos portugueses. Uau! Que grande notícia! Há 30 anos que estávamos à espera de um governo que elegesse a educação como a prioridade das prioridades. Penso que Sócrates deveria insistir na ideia. Os portugueses ainda não se aperceberam verdadeiramente da importância deste anúncio. Andam distraídos com as presidenciais. Esperemos que, lá para o início de 2006, Sócrates anuncie novamente ao país o grande investimento que o governo se prepara para fazer no sector da educação. É o mínimo que se espera de um governo que, pela primeira vez, vai investir a sério na educação. A malta aqui da Fuga está mesmo entusiasmada com esta notícia! Por isso, vamos anunciar aos nossos leitores que este governo vai finalmente investir na educação dos portugueses. Ouviram bem? É preciso repetir de novo: O GOVERNO VAI INVESTIR NA EDUCAÇÃO!!! Querem que repita novamente? Vejam lá...

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Choque 'desideológico'

Descubra a sua cor política

terça-feira, dezembro 13, 2005

Portagens ou impostos eis a questão

Não sou perito em assuntos fiscais nem pretendo ser. Mas conheço minimamente este país para considerar que as políticas de aumento de impostos, levadas a cabo pelos consecutivos governos, não são benéficas para a economia nacional, como demonstram uma grande incapacidade dos políticos em proporem políticas alternativas que visem o desenvolvimento do país.
Por exemplo, o aumento do IVA foi uma medida muito negativa que afecta essencialmente as populações mais desfavorecidas: a) tem um impacto acrescido nas famílias com menos rendimento e, sobretudo, nas famílias jovens que têm filhos a cargo; b) fomenta ainda mais o crescimento de um dos cancros da sociedade portuguesa - a economia paralela (indirectamente, está-se a encorajar a fuga ao recibo e à factura, ou seja, a fuga ao fisco). c) não contribui em nada para o desenvolvimento regional e tem efeitos muito graves nas economias locais das regiões do interior, principalmente das zonas fronteiriças (incentiva-se o consumo em Espanha o que afecta, sobremaneira, as pequenas e médias empresas do interior).
Por outro lado, tenho sérias dúvidas que a decisão de manter as Scut sem portagens represente uma forma efectiva de promoção de desenvolvimento do interior e de coesão regional, como tem sido propagandeado pelo governo. Por princípio não sou favorável ao pagamento destas portagens e sou contra a lógica do utilizador - pagador, mas dada a situação actual e, sobretudo, se medirmos o efeito nefasto que o aumento dos impostos tem na vida e na economia das famílias e das empresas, penso que é menos negativo optar-se pelas portagens, do que insistir-se no aumento de um imposto cego. Algumas das regiões que são atravessadas por estas auto-estradas são precisamente as mais prejudicadas pelo aumento do IVA. O caso da região turística do Algarve que concorre directamente com o Sul de Espanha é o caso mais paradigmático.
O número avançado pelo Tribunal de Contas em relação ao custo das Scut é incomportável. Não faz sentido manter esta teimosia só por que representou uma promessa eleitoral. Estamos a viver uma situação muito grave que não se compadece com autismos de qualquer ordem. Penso que é uma questão de bom senso considerar a instauração de portagens nessas auto-estradas. Contudo, esta medida deveria ser compensada pela diminuição do escalão máximo do IVA dos 21% para, pelo menos, os 17%. Por esta via, ainda se poderia gerar algum dinamismo económico que contribuísse para um pequeno aumento dos níveis de produtividade do país.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

O perigo da relatividade

A direita ainda tem grande dificuldade em lidar com a noção de relatividade. A ideia de que não existe uma ordem absoluta que comanda o universo arrepia muita gente. Com a teoria da relatividade a ciência apresentou-nos um Mundo completamente diferente. O tempo e o espaço deixaram de ser vistos como dimensões estanques e aprioristas: iguais para qualquer ponto do universo. Para se tornarem forças dinâmicas que dependem essencialmente do contexto de quem observa. Esta alteração radical trouxe uma consequência inesperada, não só para a física como para restantes ciências (incluindo as sociais): em princípio todas as perspectivas são válidas, mesmo as mais contraditórias, desde que fundamentadas em dados observáveis. A verdade ganhou múltiplos significados. O consenso tornou-se, por isso, mais difícil. Mas, em contrapartida, abriu-se uma porta fantástica para o debate científico e a para a discussão de perspectivas.
Contudo, para a direita puritana representada por César das Neves “a ciência complica e não clarifica as discussões. Ser "tecnicista", "economicista" passou a ser pecado. O pós-modernismo trocou boa análise por má doutrina. Assim, cresce o desprezo pela atitude racional e avança o misticismo e a magia, prosperam os charlatães e a mixordice intelectual. Estão em risco séculos de avanços do conhecimento.” Segundo esta concepção, a humanidade estaria muito melhor se o universo continuasse a ser movido por uma mecânica linear e unívoca. A ciência transformar-se-ia numa técnica feita por alguns positivistas que iluminariam o Mundo para um caminho único e inquestionável. As sociedades viveriam em harmonia e todos seríamos, sem dúvida, muito mais felizes. Desde que cedêssemos nesta teimosia de querer pensar, é claro!

domingo, dezembro 11, 2005

De vez em quando, tenho dúvidas...

Na barbearia do Sr. Simões, há um cartaz que diz o seguinte:

"Quem trabalha muito, erra muito.
Quem trabalha pouco, erra pouco.
Quem não trabalha, não erra.
Quem não erra, é promovido."

Eis a dúvida:

-Será que ando a cortar o cabelo na sede de campanha de Cavaco Silva?

Enquanto houver amor podemos ter esperança

«Coração de Américo Amorim palpita pela Galp», título do Público Economia.

Cinzentismos e Sebastianismos

Com o dia de hoje elevam-se a sete as jornadas que levo fora do país, faltando ainda mais umas quantas para me encontrar de volta ao rectângulo de Viriato. Bom, sem ver debates presidenciais, com acesso à net muito esporádico, adianto apenas que, desde que saí de Portugal, ainda não vi o sol por um minuto. Nem um minuto e já lá vão cinco dias de Paris e dois de Amesterdão. Sem sol, fica então o quê? Neblina, céu cinzento claro ou escuro ou mesmo negro, chuvinha irritante que às vezes cai horas e horas a fio e nevoeiro, às vezes bem denso, muito nevoeiro, especialmente ontem e hoje.
É pois de crer que D. Sebastião, um qualquer, a aparecer realmente, fa-lo-á com muito maior probabilidade num sítio destes. Estão pelo menos criadas as condições climatéricas para tal. Só que aqui ninguém o espera, e anda-se para a frente sem hesitações. Ou pelo menos assim parece...

sábado, dezembro 10, 2005

Os números não enganam

Rui Pena Pires apresenta, no Canhoto, dados inequívocos sobre o desenvolvimento humano que Portugal conheceu nestes últimos 30 anos à custa do Estado Social, nomeadamente, do Sistema Nacional de Saúde. Nestas três décadas a taxa de mortalidade infantil decresceu de tal forma que faz de Portugal um caso quase único a nível mundial. A evolução deste indicador dá que pensar. E, principalmente, deveria dar muito que pensar a uma direita dita liberal que não cessa de se embriagar na adulação da sua mitologia teórica, e se esquece de tentar compreender a realidade concreta que a rodeia.

Estes católicos lúbricos

«Cavaco Silva é um homem objecto». António Pinto Leite, SIC Notícias.

O problema das expectativas

É preciso ser muito sectário para achar que Cavaco Silva ganhou ontem o debate contra Louçã. Com o tom certo e sem os irritantes moralismos em que é useiro e vezeiro, Louçã conseguiu fazer passar um discurso que qualquer social-democrata pode subscrever ao mesmo tempo que deixou escancarada a falta de ideias de Cavaco em tudo o que não diga respeito a finanças. Do casamento dos homossexuais (em que Cavaco não tem opinião) à política de imigração (em que tem uma caricatura de opinião), passando pelo discurso vago com que tratou a educação ou o problema da segurança social, foi notória a impreparação do preferido de dois terços dos portugueses. Claro que dez minutos depois, um císmico «Choque ideológico» entre a direita (Rui Ramos) e a direitinha (António Costa Pinto) já estava a convergir na ideia de que Cavaco se tinha safado bem. Começa a tornar-se evidente que, para a comunicação social portuguesa, Cavaco só vai perder quando sair de um debate em maca.

O lamaçal

As recentes e estúpidas declarações do presidente do Irão só vêm por a nu uma coisa: para além da pilha de mortos e do caos em que resultou a operação iraquina ela teve um perigosíssimo efeito colateral: nenhuma opinião pública ocidental (e sobretudo a americana) tolerará nos próximos tempos qualquer intervenção na área, o que deixa os fanáticos à vontade para todos os incêndios verbais. É o preço da arrogância e da falta de preparação, mas sobretudo é o preço da mentira.

Guts

Harold Pinter disse o bom e o bonito de ingleses e americanos a propósito da invasão do Iraque numa gravação que fez para a entrega do Nobel da literatura. Ao pé do dele, o discurso de Saramago, que tanta indignação causou na direita portuguesa, foi um exercício pueril.

Cavaco e o medo de existir

Ontem confirmou-se o perigo que Cavaco representa. Fora das questões económicas, o Professor não consegue estruturar um pensamento sobre nada. Cai na banalidade de um senso comum rudimentar e pouco fundamentado. A sua insegurança e o seu mau estar saltam à vista quando aborda as tais “questões fracturantes” que, segundo o candidato, são, imagine-se, secundárias. Como é que algo, que se reconhece como fracturante, pode ser considerado um assunto menor que nem merece a pena ser discutido? Para além de ser uma contradição, denota uma fraqueza surpreendente que Louçã explorou, dentro do possível, ao salientar a pequenez política do seu adversário político. Cavaco não é um perigo em si. Torna-se perigoso porque já se percebeu que, se for eleito, estará completamente nas mãos dos seus conselheiros políticos relativamente a todas as decisões que tiver de tomar sobre assuntos não económicos. A pior direita empoleira-se nas costas do candidato e espreita por detrás do seu conveniente espírito tecnocrata. Está calada, porque se falar prejudicará Cavaco, como prejudicou Freitas há vinte anos. Os tempos mudaram, o país é outro, mas, em certos níveis da sociedade, prevalece uma sensação de que as coisas não mudaram assim tanto. Há sinais estranhos que perpassam os tribunais, a investigação criminal, certas instituições políticas e religiosas… Sinais de um tal medo de existir, que nos fala José Gil, e que favorece determinados grupos. Cavaco nada fará contra esses sinais e assim contribuirá para a sua manutenção. Isso acontecerá não por voluntarismo, mas por anulação.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

A direita está dividida

Certa direita está cada vez mais impaciente com a candidatura de Cavaco. Afinal de contas o homem não sai do mesmo tom. É um discurso numa nota só: cooperação, concertação, cooperação, concertação. Não sai disto! Nada sobre a redução do Estado na sociedade, a diminuição da função pública. E mesmo na sua única área predilecta - a economia - nem sequer uma palavrinha sobre a redução dos impostos, nomeadamente, do IRC. Certos sectores neoliberais, e também alguns conservadores, começam a recear que Cavaco ganhe à primeira volta sem se comprometer com uma única ideia de direita. Soares, que tem uma intuição especial para estas coisas, já se começou a aperceber desse descontentamento, como demonstrou ontem no debate ao referir que a direita está dividida. Afinal Soares tem sido o único candidato a falar na necessidade em reduzir alguns privilégios adquiridos de modo a se conseguir sustentar o Estado Social. A este respeito Cavaco demonstra alguma falta de honestidade ao incidir o seu discurso na questão da crise de confiança. Como se o nosso problema fosse só esse. Cavaco está a elevar desmesuradamente a expectativas dos portugueses em torno da figura do presidente redentor, que virá pôr o país na ordem. Curiosamente, apesar de ser uma personagem cerebral e pouco dada a paixões, usa e abusa de um enorme capital carismático com o qual vai alimentando a crença e a fé do povo. Paradoxalmente, a melhor arma para o combater é a racionalidade, através de um discurso claro, sem ambivalências, nem segundas intenções. Os debates são por isso a última esperança para Soares. Não admira que se revolte tanto quanto ao formato acordado.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Procurador acusa todas as mulheres

Um tal procurador Manuel Martins pediu a reapreciação do processo e a respectiva condenação do médico, das enfermeiras e das mulheres absolvidas no julgamento do caso do aborto de Aveiro, que decorreu no final de 2003. Para fundamentar a acusação Sua Exa. contesta, entre outros aspectos, o direito da mulher à propriedade absoluta do seu corpo. Alegando o seguinte: “se a mulher é dona do seu corpo e esse facto justifica o direito ao aborto, justificá-lo-á durante nove meses de gestação e então o aborto deveria, nessa brutal perspectiva, ser permitido até ao último minuto do 30º dia do nono mês!!!” (in Jornal Público). O que pretende provar a mente tenebrosa deste senhor com a apresentação deste argumento? Quem são estes tais procuradores que se julgam juízes supremos de tudo e de todos? Porque é que toda a gente os receia, incluindo os candidatos ao lugar supremo da nação (a presidência da república)? Em que país nos estamos a transformar?

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Políticas de esquerda: a reforma agrária

Depois do fechamento das comportas da barragem do Alqueva e do tão esperado crescimento do mar de água, parece pertinente pôr a seguinte pergunta: e agora? A resposta, que tarda, parece ser óbvia: agora é o regadio. Assim, por acção quase divina, o grande lago irá só por si reconverter o extenso mar amarelo e seco que caracteriza os latifúndios alentejanos em férteis e verdejantes prados e pomares. Como se as práticas de gestão agrícola mudassem apenas com a instauração (muito lenta) de uma rede de distribuição da água.

O aproveitamento das potencialidades proporcionadas pela barragem para a generalização da cultura de regadio é incompatível com duas situações estruturais no Alentejo: a manutenção de uma estrutura fundiária assente na grande propriedade e a manutenção de uma mentalidade de gestão pouco dinâmica e empreendedora. Se não se intervir nestas matérias, o futuro da agricultura desta região estará ainda mais comprometido. Para além, dos campos de golf e da especulação imobiliária para fins turísticos, é provável que se assista à invasão de agro-industriais com “fome de terra”, que praticam uma agricultura que explora sem privações os recursos naturais e ecológicos bem como os recursos humanos. Veja-se o que se passa na Andaluzia, onde o modelo agrícola está à beira da saturação.

Em vez de uma agricultura assente no lucro desenfreado e na exploração da mão-de-obra barata imigrante, é imprescindível promover uma agricultura de qualidade, se possível biológica, que se dedique fundamentalmente a culturas de origem mediterrânea. É importante dinamizar o cooperativismo agrícola de modo a desenvolver redes de solidariedade económica e social que se concretizem na eficácia do escoamento, distribuição e comercialização dos produtos agrícolas.

Deste modo, torna-se fundamental exercer uma concreta política de esquerda que assuma sem complexos a necessidade de uma reforma agrária que promova a pequena e média agricultura, incentivando, por seu turno, a fixação de jovens agricultores (nacionais e imigrantes). Só por intermédio da reforma agrária é possível apoiar o desenvolvimento de uma dinâmica classe de empresários agrícolas no Alentejo.

Neste sentido, o Projecto de Lei nº383/VIII, proposto pelo PCP (já lá vão uns anos) é um excelente ponto de partida para uma efectiva política agrícola de esquerda. A constituição de um “banco de terras”, que, aliás, o programa do actual governo consigna, e o consequente arrendamento por concurso público a pequenos e médios agricultores parece um caminho possível. Pode, obviamente, discutir-se o limite de referência de 50ha para a propriedade, proposto no projecto, mas este não pode ser impeditivo de uma discussão e de um consenso alargado entre os vários partidos e organizações de esquerda.

Penso que não é possível um efectivo desenvolvimento rural e agrícola do país sem enveredar por uma política de reestruturação fundiária que incremente o emparcelamento do minifúndio (a Norte) e o parcelamento do latifúndio a Sul. Muitas coisas melhorariam no mundo rural. A começar pela floresta, cujo ordenamento só é verdadeiramente viável se existir uma vontade política em mexer na propriedade.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Posições clarificadas

O debate de hoje entre Cavaco e Alegre só serviu para uma coisa: clarificar objectivos. Tornou-se óbvio que Alegre só está interessado em acertar contas com Soares, não quer ser presidente. Pessoalmente, tenho pena. É um problema de ambição. Tanta moleza, tanta falta de convicção, tanta elegância e tão pouco combate só podem ser estratégicos. É certo que o dispositivo dos debates sem contraditório directo só favorece Cavaco, mas deixar passar, sem a mínima ironia, frases como «Eu quero ampliar a democracia», ou «eu quero ser uma força do desbloqueio» quase roça o conluio.

A Europa em miniatura

Há umas semanas caiu o carmo e a trindade porque Freitas do Amaral disse que a Inglaterra não está interessada num projecto europeu. Agora, Durão Barroso diz a propósito da proposta de orçamento plurianual dos ingleses que ele é inaceitável e que supõe uma Europa em miniatura em vez de uma Europa alargada. Das duas uma, ou se trata de dois arruaceiros e então gostava de ver, por exemplo, Pacheco Pereira pedir a Barroso que modere igualmente a linguagem ou então que venham defender a própria proposta que supõe um corte drástico de verbas para a consolidação do alargamento. Se nem uma coisa nem outra, ficamos a pensar que é, meramente, o fantasma do ultimato, já para não falar do sectarismo de direita, que paira sobre as críticas a Freitas.

Ser de esquerda

Surgem aqui e ali tomadas de posição sobre o que representa ser de esquerda e de direita. Considero que não só continua a ser pertinente uma clara distinção ideológica, como, a meu ver, se torna importante aprofundar os sentidos dessa oposição. Por isso, é importante retornar, em certa medida, às proposições simples, aquelas que realmente valem para definir e orientar a nossa identidade política. Sendo assim, entendo que ser de esquerda implica, antes de qualquer outra coisa, uma preocupação com o problema das desigualdades sociais.
Para a direita a desigualdade é uma inevitabilidade das sociedades e dos mercados é o custo legítimo que se tem de pagar para a criação de riqueza. Nestes termos, a atenuação da desigualdade não é uma prioridade mas uma consequência secundária resultante da capacidade das economias produzirem mais. Havendo mais riqueza as condições de vida melhorarão quase automaticamente. Neste sentido, é indiferente para a direita que a produção de riqueza assente numa base de exploração entre os homens. Para esta o conceito de exploração é uma mistificação.
A esquerda, para além de entender que nada justifica a exploração, considera que um dos factores subjacentes à desigualdade é a sua própria reprodução. Por isso, entende que, por si, a criação de riqueza leva naturalmente à acumulação e não à repartição. Isto é, se dado sistema económico se sustenta a partir de uma base acentuada de exploração, estas condições não se alterarão e continuarão a prevalecer se nada for feito em sentido inverso. Daí a importância que a esquerda atribui ao Estado e a outras instituições reguladoras. Daí a crítica à actual globalização económica que tendencialmente favorece a acumulação de capital e a reprodução das desigualdades sociais.
Para a direita o Estado representa um factor de deturpação das leis do mercado no qual os mais capazes vingarão e conquistarão as suas oportunidades. A acção estatal tende a ser vista como geradora de perversões ao gratificar os incapazes e ao prejudicar quem conquistou vantagens. E, neste sentido, a liberdade individual é posta em causa.
No caso da esquerda, o Estado é encarado como um agente que garante uma equidade de oportunidades dado que as pessoas partem de condições sócio-económicas muito diferenciadas. Nesta óptica, as vantagens de alguns indivíduos não são vistas como meras conquistas, mas como o resultado determinado em parte pela reprodução desigual das condições de partida. Só garantindo o acesso a certos direitos básicos (educação, saúde, justiça…), se consegue atenuar as assimetrias de base. E isso faz-se por intermédio de políticas públicas que quebrem parcialmente a reprodução das desigualdades sociais. Só assim uma vantagem se transforma de facto numa conquista. Este torna-se um requisito fundamental para alcançar uma verdadeira liberdade individual.
Eu não tenho dúvidas sobre o lado que tomo. Mas considero que partir destas preposições simples se devem gerar outras mais complexas e inovadoras de modo a que o projecto da esquerda não se quede em posições teimosamente conservadoras e basicamente resistentes. É imperativo assumir sem complexos uma postura crítica e imaginativa perante os pressupostos básicos que enumerei neste post.

sábado, dezembro 03, 2005

Na luta

Infelizmente, por absoluta falta de tempo, não pude postar este texto (escrito há já alguns dias) quando desejei – por altura da greve dos professores. Ainda assim, cá vai. São essencialmente dúvidas.

De que se queixam afinal, e grosso modo, os professores? Por alíneas;

a) das aulas de substituição. Já lhes ouvi os mais variados argumentos:
  1. “que ninguém imagina o que é um professor que não tem aquela turma ter que enfrentar o grupo desconhecido”. Mas, pergunto, à medida que aquelas se incorporassem nas regras e organização do tempo escolar dos alunos, não se normalizaria o processo da substituição? E mais, o sistema passaria a mensagem de que a escola é essencialmente um espaço de aprendizagem e de trabalho;
  2. “que um professor de geografia, a título de exemplo, não pode substituir um professor de matemática”. Mas, que se saiba, o que se pede não é que o docente que ocupa esse tempo adiante o ponto programático daquele que é substituído, antes que organize tarefas de interesse educativo para esses alunos (exemplos: estudo acompanhado, trabalhos de casa, organização e criação de materiais pedagógicos, pesquisa na biblioteca, etc.). Mesmo que, no contexto concreto, reine a postura do professor “enfadado”, não será pior que crianças entre os 5 e os 15 anos fiquem sem acompanhamento educativo, em recreios ao abandono, ou com a porta de saída da instituição mesmo ali à mão?;
  3. “um professor não é animador cultural, “guardador” de crianças, ou ama-seca”. Ora aí está uma visão estreita da educação, tratando-se, claro está, de uma perspectiva de mera conveniência, pois já há muito se abandonou a ideia do profissional da “instrução”, estando o mesmo argumento, noutras ocasiões, ao serviço precisamente da valorização do profissionalismo docente. Tal concepção empobrece, na mesma medida, os conteúdos de um educador de infância, que, com toda a justiça, não faz a mera guarda de crianças;

b) do alargamento de horários nas escolas. As razões apontadas são, entre outras, as condições desfavoráveis das escolas para que tal processo seja levado a cabo em todo o país com normalidade. Mas porque é que essa temática – as condições das escolas – nunca, ou raramente, esteve à cabeça das reivindicações dos sindicatos nas últimas greves? O outro “contra” da classe é a falta de tempo para a preparação de aulas e avaliação dos alunos. É certo que esse tempo é necessário para a afirmação dos bons professores, mas porque não nas escolas? Para além disso, quais são os profissionais qualificados que não têm que ler e estudar fora de horas?;

c) da atitude de guerra da ministra. Neste aspecto, inclusivé, há até entre os professores quem ache que algumas medidas são correctas, “só que se perdem pela pose de guerrilha de Lurdes Rodrigues”. Mas não será a atitude guerrilheira dos sindicatos prévia à da própria ministra? Também considerei provocatório o anúncio da taxa de absentismo dos professores em dia de greve, mas, com tanto discurso demagógico, a provocação até parece parda entre aqueles que se deveriam situar na primeira linha do, dito pelos próprios, grande desígnio nacional: a educação.

Francisco Louçã veio engrossar, como se tem tornado costume, a voz demagógica sobre o direito à greve dos professores e funcionários públicos em geral, e sua normalidade democrática. Concordo, em princípio, com ele. Adianto apenas que não ouvi nenhuma declaração da Ministra que fosse no sentido de beliscar esse direito. Neste cenário de ruído surdo, essas declarações pareceram mera estratégia de capitalização eleitoralista.

Quanto ao passado político de Valter Lemos, porventura pouco liso, não deve ser confundido com a qualidade das políticas que se querem implementar, a não ser a favor da política de “chinelo” a que alguns sectores de opinião nos têm habituado.

São, portanto, dúvidas. Penso que, dentro da enorme classe profissional dos professores, exisitirá gente disponível e empenhada para colaborar com as medidas de uma Ministra que decidiu não passar pelo cargo nem para fazer horas, nem para tapar buracos. E não será isso, talvez, que está a causar tanta estranheza?

Dito isto, nada disto deverá ser feito em prejuízo de uma tentativa, pelo menos de uma tentativa, de negociação entre as partes. Na esfera mediática/pública os professores têm perdido em todas as frentes. Vá lá, organizem-se caramba!

sexta-feira, dezembro 02, 2005

A propósito de uma posição liberal de sociedade

Um post publicado no blogue Portugal Contemporâneo “linkado” em quase todos os blogues de direita liberal, levou-me a tecer algumas considerações. O mote para o meu comentário (que transcrevo a seguir) surge desta frase:

“Para o liberalismo a sociedade ordena-se por si mesma, naturalmente, sem necessidade de intermediários”.

Não tenho formação jurídica, no entanto, como sociólogo não deixa de me espantar esta afirmação. O conceito de sociedade é traiçoeiro e utilizado sem precaução torna-se muito ambíguo. Pode significar quase tudo e não representar quase nada. A ideia de a sociedade se ordenar a si mesma é uma mistificação sem qualquer relação com a realidade concreta. De que sociedade está a falar? Quando refere a capacidade da sociedade se auto ordenar, em que escala está a pensar: grupos sociais, comunidades, cidades, regiões, nações… ou tudo isto ao mesmo tempo? Se bem percebi, essa ordenação pressupõe a coesão entre um conjunto de indivíduos de modo a estabelecerem e reactualizarem uma ordem definida e comummente aceite. Essa ordenação é assim gerada naturalmente como se uma mão invisível ligasse cada indivíduo a um todo (colectivo?) resultante da agregação das suas vontades particulares. É gerada sem a interferência de intermediários (leia-se o Estado e demais instituições) que, segundo sua concepção, não pertencem à sociedade mas tentam impor um determinado modelo de organização (o que é um paradoxo). Ao fazê-lo estes tais intermediários enviesam a ordenação natural e deturpam o equilíbrio da mão invisível.

Vai-me perdoar, mas esta visão de sociedade não só é completamente naif, como é destituída de realidade. Não encontro na história da humanidade nenhuma sociedade com essas características. As poucas excepções são certas sociedades ancestrais auto-suficientes, como era o caso das tribos ou de algumas aldeias camponesas comunitárias. Aliás, nestas aldeias encontramos alguns traços daquilo que definiu como liberalismo. Estas organizavam-se tendo por base umas poucas leis tradicionais (e algumas regras básicas) passíveis de serem adaptadas e moldadas às circunstâncias vividas quotidianamente. Normalmente fazia-se por consenso entre todos os elementos da aldeia que se juntavam regularmente numa espécie de conselho. A eficácia deste tipo de sociedade residia num conjunto características fundamentais: grande homogeneidade social, uma certa autonomia económica, forte enraizamento social e ecológico, etc.

Numa sociedade cada vez mais global e essencialmente interdependente, como a actual, essas características são completamente inviáveis. É curioso verificar que a vossa concepção de sociedade não está assim tão longe de um certo comunismo primitivo. É verdade, no que concerne a utopias singelas os extremos aproximam-se e caem nas mesmas falácias. Transformam-se em dogmas! E, como se viu ao longo do séc. XX, a prática dá-se muito mal com visões lineares e modelos absolutos de sociedade.

God bless America

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Restauração

Finalmente Quioto

Pena serem apenas 34 os países subscritores. Potencias mundiais como os EUA e a Austrália ficaram só a espreitar. Se continuarem por muito mais tempo a insistir na mesma lógica de desenvolvimento esfumar-se-ão na sua própria cegueira.
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