quarta-feira, outubro 25, 2006

A Hungria e o estertor violento do comunismo no mundo

O esmagamento da revolução húngara de 1956 pelos tanques soviéticos, que faz por estes dias 50 anos, deu início ao lento ocaso do comunismo no mundo. Podia, hipoteticamente, ter sido só o enterro do estalinismo, mas não foi. A responsabilidade é da União Soviética, mas também da Guerra Fria, por razões 'estruturais' e conjunturais: os EUA alhearam-se da questão por fidelidade ao mapa de Ialta, a crise do Suez desviou a atenção internacional (sobretudo a das potências europeias), a URSS não sentia pressão para concessões e receava o perigo de contágio pela Europa oriental e o consequente xeque ao Pacto de Varsóvia.
Por cá, houve uma ilusão semelhante de apoio das potências ocidentais para o derrubamento do salazarismo no imediato pós-II Guerra Mundial. A Guerra Fria, porém, já começara de facto, e fazia do povo português uma das suas primeiras vítimas. Quem se iludiu pagou cara a ousadia, com perseguições, despedimentos, aposentações compulsivas, prisões, etc..
Na blogosfera abordam o tema Miguel Madeira (em extenso dossier), José Reis Santos e Fernando Morais Gomes, entre outros.
Nos diários do burgo vd. textos de Jorge Almeida Fernandes e de Fernando Sousa.
Nb: imagem do site Historia siglo XX (tb. com tx.); +imagens neste site oficial húngaro.

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

A questão é que as guerras frias continuam um pouco por todo o lado, principalmente as frentes domésticas, a manipulação, a apropriação de memórias e a reprodução incontinente das verdades oficalizadas (não falo daqui, claro). Neste momento (na Hungria, por exemplo)é o confronto de uns «social-democratas» mentirosos coligados a uns liberais, que se «respeitabilizam» euro e u.europeiamente, contra os «jovens democratas»(incluindo yuppies/hooligans) em revanchismo eleitoral e histórico. Sempre houve divergências, e que as haja, e até conflitos violentos, que se denunciem, mas não há debates nem ideias que resistam ao: por «nós» ou contra «nós». Dizia o Martins da RTP: "Ao contrário de agora, em 56 todos os húngaros estavam unidos"(mas houve perseguições e execuções na rua). Nem estavam em 56, nem em 57 nem em 89 nem agora. Não é preciso deturpar ao extremo nem inventar para justificar o poder do presente. - O que podemos guardar melhor para comparar com Portugal é que, apesar de tudo, há um inconsciente inteligente (ou malicioso), que tem evitado de dentro e de fora, tanta violência sangrenta.gmr.

9:51 da tarde  
Blogger Daniel Melo said...

Pois é, mas nós não nos livrámos duma guerra colonial sangrenta e interminável.
Quanto a inconscientes colectivos, ignoro o que isso seja.

11:49 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Por isso mesmo, pá, houve guerra colonial e muito mais, por isso não compares situações tão ao gosto dos tempos. Eu nem estava a falar da tua abordagem, que é bastante razoável. Já agora:1956 Exposição na B. M. Rep. e Res. (para quem gosta de siglas e abrev.). Quanto a incoscientes colectivos (quem falou disso?) não sei se ignoro, porque não cultivo ignorância. Nem mal-estares.

5:23 da tarde  

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