sábado, junho 24, 2006

João Morgado Fernandes no país dos avestruzes

O sr. João Morgado Fernandes (afinal não é dr., peço desculpa pela ofensa no post anterior) dignou-se descer do seu pedestal e nomear com quem estava a polemizar, e lá foi nova cartuchada para cima de mim e doutra pessoa, o João Villalobos, que, tendo-o entretanto criticado por fugir com o rabo à seringa, passou tb. automaticamente a ser um sinistro académico anti-imprensa.
A estratégia do sr. Morgado Fernandes repete-se: mandar areia aos olhos dos outros para evitar falar do assunto incómodo. Vamos por partes. Mantém implícito que só o director do DN pode escolher os livros a recensear, como se fosse um universal adquirido. Quanto ao conflito de interesses, nem uma palavra sobre o que disse o próprio Provedor do DN que, relembre-se, julgou as críticas de leitores sobre este caso (incluindo a de 1 jornalista prestigiado, Jorge P. Pires) merecedoras não só de 1 página inteira da sua coluna como de recomendações implícitas baseadas em casos alheios. Sobre isto, o dir.-adj. do DN prefere enfiar a cabeça na areia, qual avestruz.
Eu não disse que os media não eram plurais ou que eram corporativos, mas sim que alguns jornalistas e alguns media em certas situações tomavam atitudes corporativas e amiguistas. É bastante diferente, convenhamos. Para desviar novamente atenções, lança-se num ataque de amnésia selectiva: "Eu não consigo lembrar-me de nenhum caso em que os media (um media...) tenha silenciado deliberada e sistematicamente uma opinião, um gosto estético, uma parte interessada (quererá o Daniel dar exemplos?)". Quero, com mt. gosto. E que tal a censura nos órgãos estatizados durante o governo soarista (ele próprio o admitiu já publicamente), que colocou várias pessoas na «prateleira» e abafou programas como a «Grande Reportagem»? E o duplo afastamento do Joaquim Vieira, 1.º do Expresso (caso Melancia/ fax de Macau), depois da vossa revista Grande Reportagem? E o caso João Carreira Bom (no Expresso)? E o caso Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, por pressão política do PM de então? E o défice de debate político e de reflexão nas tvs? E a excessiva concentração, não só dos media, como da opinião publicada/ expressa entre políticos-comentadores (Vitorino, Rebelo de Sousa) e jornalistas-opinadores-comentadores? Enfim, para escolha de censuras várias, já não tão directas como na ditadura (não é preciso nem possível, imagine-se lá porquê) recomendo uma visita ao blogue dum dos maiores especialistas portugueses em media, Francisco Rui Cádima, ao blogue Jornalismo e Comunicação e, tb., a textos do João Pedro George como este.
Afirma ainda que: "No caso dos media - e as cartas aos leitores e aos provedores são bons exemplos - a arrogância de quem critica é geralmente enorme". Discordo em absoluto: essa visão dos leitores como perseguidores de jornalistas beatificados não cola, aliás, basta perguntar aos provedores a sua opinião e ver o que se pode aprender nas colunas respectivas, até em termos de pedagogia democrática.
Além de frases enigmáticas delirantes, diz que só digo "generalidades". Sabe que isso é falso. Atenho-me a casos muitos concretos de possível conflito de interesses (3), e dou exemplos concretos quanto a filtragem excessiva de opinião (o meu e o do Carlos Leone, mas quem quiser pode ver outros exs. no Esplanar e noutros blogues, é só uma questão de procurar).
Diz tb. que acha que tudo isto é inveja por baixas vendas e falta de coluna no jornal, que não o levamos na cantiga. Engana-se redondamente: 1.º, pagam-me para produzir ciência e não para vender livros; 2.º, já tenho trabalho de sobra. Tê-lo-á tb. irritado eu ter aproveitado para referir que esta polémica seria atenuada se o sup.º «6.ª» fosse bom, o que não ocorre; como os leitores não dormem na forma, sabem de termos de comparação: porque é que o DN não tem 1 sup.º cultural digno desse nome como têm o El País, o The Guardian, o Le Monde, ou não desdobra o «6.ª» em 2, como faz o Público («Y» e «Mil Folhas«)?
Há muito mundo no DN, e muito mais para além dele, mas se o sr. Morgado Fernandes prefere viver no País do Faz-de-Conta isso é lá consigo. Não queira é que os outros tb. enfiem a cabeça debaixo da areia, como o avestruz.

1 Comments:

Blogger JOPP said...

http://planaltos.blogspot.com/2006/06/carta-agora-aberta-ao-dirio-de-notcias.html

1:56 da tarde  

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