quarta-feira, maio 31, 2006

Um programa com perninhas p'ra andar

Para o «Estado da Arte», programa de Paulo Portas emitido um destes dias, Clara de Sousa levou uma saiazinha verde, curta o suficiente para se lhe verem os joelhinhos, o rico desenhinho da bonita perninha e o pezinho, enfiado numa por vezes bamboleante sandalinha. Fez bem. Deu uma perninha ao programa, mostrou-nos o real estado da arte e distraiu-nos um pouco de Paulo Portas, que ao que parece disse umas coisas.

À atenção do Plano Nacional de Leitura

A Sociedade de Língua Portuguesa está ameaçada de despejo. Dado o seu valioso contributo para a cultura e língua portuguesas, esperemos que tal não se concretize. O alerta foi lançado por EPC e retomado por Eduardo Pitta no blogue Da Literatura.

Antologia blogosférica

terça-feira, maio 30, 2006

Porra!

Acabei de assistir ao debate na RTP1 sobre a indisciplina e violência nas escolas, a propósito de uma reportagem realizada numa escola problemática. Infelizmente não fui a tempo de ver a reportagem. Quanto ao debate senti-me constrangido com a ausência, demonstrada pelo Ministério da Educação, em relação à apresentação de eventuais medidas, eu diria mesmo, em relação à apresentação de uma única ideia concreta para tentar enfrentar e resolver este tipo de situações. Senti-me constrangido pelo facto do Secretário de Estado ter sugerido que parte dos problemas se resolvia, basicamente, com a intervenção policial. Senti-me constrangido quando o mesmo Secretário de Estado referiu que a outra parte dos problemas se resolve com a estabilidade do corpo docente. Senti-me constrangido por concordar com algumas coisas referidas pela Fátima Bonifácio. Senti-me constrangido porque percebi que, mais uma vez, pouco vai mudar na Educação e que a escola pública continuará a caminhar para o que parece ser a sua inevitável degradação.

Timor-Leste democrático resiste!

Com o recente comunicado do PR Xanana Gusmão, aprofundou-se o imbróglio (ou impasse) jurídico-legal em Timor-Leste.
Entretanto, o MNE luso tomou a atitude correcta ao denunciar internacionalmente a inaceitabilidade dos ofensivos comentários recentes das autoridades australianas, que só vêm confirmar a sua ânsia de controlo dos recursos de Timor-Leste. Eventualmente, Freitas de Amaral poderia ter-se pronunciado mais cedo (tal como referi aqui), mas, agora, as autoridades portuguesas estão a agir correctamente, tal como os portugueses que se mantêm no terreno, com postura pacífica e firmes na solidariedade, contrastando com a violência criminosa de gangs instrumentalizados e a gozar da complacência dos soldados australianos. É caso para perguntar, o que estão lá a fazer estes últimos?
Sobre tudo isto, e como a imprensa lusa está um pouco a dormir na forma, aconselho a leitura de blogues de referência sobre Timor-Leste: Timor Online, Timor-verdade e InfoTimor.

segunda-feira, maio 29, 2006

No fundo do país: a realidade

Mas o que raio significa esta "descida ao país real"? Será que as pessoas que residem na cidade e no litoral vivem lá em cima no "país irreal"?

O bom cábula conta com a boa cunha

domingo, maio 28, 2006

Uma nacionalização ao contrário


Em Portugal a concentração bancária não afecta a concorrência, afirmou o nosso governador. Por este andar só o monopólio privado garantirá o mercado livre.

O negócio do sol


Tanta energia desperdiçada! Não haverá uma forma de apanhar a onda e exportá-la a meia dúzia de dólares o barril? E esta ainda é só a primeira...

Um erro histórico

O monstro de Loch Ness não m'aquece nem m'arrefece,
já o de Santa Comba Dão mete-me cá uma impressão!

sábado, maio 27, 2006

Metamorfoses libertadoras

Sobre as metamorfoses libertadoras duma nação, o Iraque, veja-se esta sugestiva animação: http://www.barabanow.com.

sexta-feira, maio 26, 2006

Energias há muitas, planeta Terra só um

E, para que as vítimas de Tchernobyl não sejam esquecidas e não se repitam catástrofes como essa, aqui fica o trabalho de Paul Fusco (fotógrafo da Magnum), 20 anos após a tragédia: http://www.magnuminmotion.com/essay_chernobyl.

quinta-feira, maio 25, 2006

O privilégio em ser pobrezinho

Chocos tológicos no governo

- Mariano [Gago]? É o Zé [Sócrates]. Ó pá, ajuda-me aqui. Comprei um computador, mas não consigo entrar na Internet! Estará fechada?
- Desculpa?...
- Aquilo fecha a que horas?
- Zé, meteste a password?
- Sim! Quer dizer, copiei a do Freitas.
- E não entra?
- Não, pá!
- Hmmm... deixa-me ver... qual é a password dele?
- Cinco estrelinhas (*****) ...
- Ó Zé! Caraças... Bom, deixa lá isso agora, eu depois explico-te. E o resto, funciona?
- Também não consigo imprimir, pá! O computador diz: "Cannot find printer"! Não percebo, pá, já levantei a impressora, pu-la mesmo defronte do monitor e o gajo sempre com a porra da mensagem, que não consegue encontrá-la, pá!
- ??????... Vamos tentar isto: desliga e torna a ligar e dá novamente ordem de impressão.
[Sócrates desliga o telefone. Passados alguns minutos torna a ligar.]
- Mariano, já posso dar a ordem de impressão?
- Olha lá, porque é que desligaste o telefone?
- Eh, pá! Foste tu que disseste, estás doido ou quê?
- !?!?!!???... Dá lá a ordem de impressão, a ver se desta vez resulta.
- Dou a ordem por escrito? É um despacho normal?
- Ó Zé..!?!.. Eh pá, esquece... Vamos fazer assim: clica no "Start" e depois...
- Mais devagar, mais devagar, pá! Não sou o Bill Gates...
- Se calhar o melhor ainda é eu passar por aí... Olha lá, e já tentaste enviar um mail?
- Eu bem queria, pá!, mas tens de me ensinar a fazer aquele circulozinho em volta do "a".
- O circulozinho... pois.... Bom... vamos voltar a tentar aquilo da impressora. Faz assim: começas por fechar todas as janelas.
- OK, espera aí...
- Zé?...estás aí?
- Pronto, já fechei as janelas. Queres que corra os cortinados também?
- Ó que porra, pá... Senta-te, OK? Estás a ver aquela cruzinha em cima, no lado direito?
- Não tenho cá cruzes no Gabinete, pá!...
- Ai que caraças... Zé, olha prá porra do monitor e vê se me consegues ao menos dizer isto: o que é que diz na parte debaixo do écran?
- Samsung.
- Eh, pá! Vai pró...
- Mariano?... Mariano?... Tá lá?... Olha... Caiu a chamada...
(c) desenho de GoRRo, tx. anónimo adaptado

quarta-feira, maio 24, 2006

O crocodilo, o dingo e o dragão

A recente insurreição militar em Timor-Leste, que já dura há algumas semanas, só agora começou a ser aprofundada pelos media portugueses.
O perfil patriota, impoluto e rígido do PM Alkatiri teve 2 resultados opostos. Em 1.º lugar, incapacitou-o de resolver o problema dos militares desmobilizados e de funcionários públicos do regime anterior, ao invés dos portugueses da Missão da ONU, que souberam separar as águas e sempre lhes pagaram os salários. Em 2.º lugar, possibilitou a defesa aguerrida dos interesses de Timor-Leste (incluindo no dossier petróleo), o que muito tem desagradado ao poder na Austrália. Ao não resolver o 1.º problema, dá azo a que os descontentes quanto ao 2.º resultado tentem criar instabilidade para o remover do poder.
Por debaixo da tentativa de golpe esconde-se, matreiro, o dingo australiano, que quer apoderar-se de Timor-Leste, com a complacência dos EUA e o alheamento indonésio. Daí a aposta na desestabilização, na intimidação militar e na procura dum testa-de-ferro. Os portugueses, esses, esperam pela ONU, preocupados e titubeantes. Neste quadro, só um factor poderá no futuro equilibrar as coisas: a intromissão pacífica do dragão chinês, tb. ávido do gás e petróleo timorenses. E a resolução do problema dos militares, claro.
A investigadora australiana Helen Hill criticou publicamente a atitude do seu país (DN de sáb.º), e sabe do que fala, pois a sua tese de mestrado analisa a complacência australiana face à ocupação indonésia de Timor-Leste (vd. Stirrings of nationalism in East Timor, 2002).

É hoje é hoje!

terça-feira, maio 23, 2006

O carteiro toca sempre duas vezes (2.º toque)

"Eu, ganancioso, me confesso
(remetente: João Lopes, coluna de opinião no DN, 21/V)

segunda-feira, maio 22, 2006

Reacções

Nos entretantos, e a respeito desta matéria, o PSD lá reagiu à reacção da Comissão Europeia. Arlindo Cunha, vice-presidente do partido, disse que "para Bruxelas não há impossíveis" (?!?). A avaliar pelo nível de discernimento deste comentário, amanhã será bem possível ouvir-lhes coisas do género:
a) "sonhamos o diminuto, propomos o impossível";
b) "hip hip hurrah... e p'ró mister Mendes não vai nada nada nada? TUDO!!!";
c) "bem bom, vem com uma da manhã hei, vem com duas da manhã, vem com três da manhã hei...".
Nuno Melo, do CDS/PP, também nos fez chegar uma reacção, falta saber se oficial do partido ou apenas de tom pessoal: "de acordo, desde que Mendes e a porta-voz da Comissão Europeia sejam de sexos diferentes".

Medidas de fundo

Depois de se ter reunido em congresso há coisa de umas semanas, o PSD voltou a congregar-se no passado fim-de-semana em Vila do Conde (VdC). Parece que o Congresso de Junho foi entretanto cancelado, devido ao Mundial, mas consta que o de Julho está já em fase de preparação. Aguardemos.
Tenho pena de quem não assistiu ao Congresso de VdC. Perderam, deixem-me dizer-vos, o momento máximo da carreira de Luís Marques Mendes enquanto líder da oposição. Orgulhoso, inchado por sobre o palanque, fez ver aos seus correlegionários que ele, ele sozinho e só ele, nada mais nem mais ninguém do que o próprio, tinha originado um comunicado qualquer do PS onde, basicamente, se podia ler que era com satisfação que encaravam a possibilidade de finalmente poder passar a haver oposição reconhecível como tal. Para balanço de um ano de liderança não está mau hein?
Mas logo de seguida o homem cresceu, o tom empolgou-se e até confesso que cheguei a ver a coisa preta quando, de repente, me pareceu constatar que alguns camaradas ponderavam se de facto não valeria mais a pena ficar ali a ouvi-lo do que ir até lá fora apanhar ar, esticar as pernas ou, quem sabe, telefonar à sogra. É verdade, a qualidade do discurso disparou quando Marques Mendes resolveu anunciar medidas de fundo. E duma penada resolveu o problema do excedente de funcionários públicos. É mesmo sério! Reparem: agarra-se em fundos europeus e desata-se a pagar indemnizações àqueles que pretendam rescindir por comum acordo. Brilhante. Fundos europeus! Uma medida de fundo portanto. Afinal tinha o PSD razão quando anunciava que este governo não apresenta medidas de fundo. Estas sim, são literalmente medidas de fundo. Mais, medidas «do» fundo.
Por azar, a porta-voz da Comissão Europeia veio hoje dizer que tal estratégia é completamente inviável porque os fundos europeus não podem ser utilizados para indemnizar funcionários da administração pública. Marques Mendes, estou em crer, soma mais uma vitória - eles lá em Bruxelas até emitiram declarações à conta do que ele, só ele e mais ninguém senão ele, disse. A Europa treme com tamanha eficácia. De cada vez que o homem fala, as ondas de choque não se fazem esperar e a Europa sonha e avança. Génio, peso bem a palavra, é o termo certo. E mesmo que esta medida de fundo tenha ido ao fundo do fundo, não será pois de espantar que Mendes tenha um fundo de medidas de igual calibre, prontas a esgrimir para embasbacanço da nação, que sente já, tal como eu, um pequeno frémito trepando pelos dedos das mãos, um formigueirozinho picando por debaixo das unhas enquanto sonha com o momento de ir à urna depositar o voto em (repitam todos comigo): Luís... Marques... Mendes... até porque, saliente-se, o professor Marcelo também não deu pelo disparate do seu pupilo e, no habitual comentário semanal de ontem à noite, deu-lhe nota máxima - 16 valores. Atenção atenção, segue-se comentariozinho de índole geracional - quando andei na escola os meus professores sabiam do que falavam e sabiam porque davam as notas que davam, agora estes da velha guarda... ai ai...

Talvez tenha sonhado...

Não vi (nem li) muitas notícas este fim-de-semana, mas pareceu-me ouvir qualquer coisa sobre um congresso. Estarei enganado?

Olha quem fala

domingo, maio 21, 2006

O Rafael português, ou a arte da crítica arguta

Eis o nosso Rafael, que revisitação maravilhosa! O Museu Rafael Bordalo Pinheiro reabriu recentemente e recomenda-se. Não percais tempo e ide já amanhã visitá-lo, que é à borlix.
O museu revela-nos um autor e caricaturista em toda a sua riqueza, antes só vislumbrado, aqui e ali, nas recordações avulsas da imprensa. Esta, muito lhe deve, pela alegria do riso e da crítica, espalhada pelas inúmeras caricaturas que fez ao longo de c.30 anos da sua vida. O Zé Povinho é-nos mostrado na sua dupla faceta, ora resignado ora resistente. Surgiu pela 1.ª vez em 1875, forçado a dar a moedinha ao St. António, perdão, ao insaciável governante Fontes Pereira de Melo, então no 4.º ano de aumento de impostos (vd. imagem). Teve companhia doutros arquétipos nacionais, no John Bull ganancioso e, surpresa, no brasileiro Manuel dos Trinta Botões, tb. ele esbulhado pela Igreja e pela Coroa.
Vários dos seus desenhos sobre a política de então permanecem actuais, como os relativos à continuidade do pessoal político, à retórica parlamentar, aos impostos, etc. (havemos de voltar a eles). Daí o manguito incontornável. Rafael nasceu faz 160 anos, mas parece que foi ontem.
O palacete que guarda esta preciosa colecção foi-lhe destinado pelo republicano filantropo Cruz Magalhães, que pouco após a morte de Rafael aí instala a recolha que fizera, depois reforçada. Nele está a colecção permanente (cerâmica, ilustrações e caricaturas), com sala para ver 1 filme de 10 min. com a marca de Raquel Henriques da Silva (1 senão: o som está mau, é preciso dar-lhe nitidez). Num prédio construído entretanto, fica a exposição temporária e salas para a pequenada desenhar e fazer cerâmica! Que mais se pode pedir? Boa visita!

sábado, maio 20, 2006

Da radicalidade no teatro de Pasolini

Subirá hoje ao palco da Culturgest a última de 3 representações de «Besta de Estilo», a peça autobiográfica de Pier Paolo Pasolini, por ocasião dos 30 anos do seu assassinato. Vale a pena ir ver, o trabalho do grupo de Antonio Latella é fabuloso e está ao nível da profundidade do texto.
A peça revela e vela pelo autor, misturando visão do mundo e premonição do seu próprio fim. Desfiando a sua vida, Pasolini avalia o trágico século XX, partindo do sonho inicial das vanguardas estéticas, para cair no fascismo e nazismo, renascer com a utopia comunista e desiludir-se com a invasão soviética de Praga de 1968. As suas vida e obra foram, pois, indissociáveis deste aluvião de esperanças, sacrifícios, desilusões e devastações. A sua vida acabou como o século, em balanço trágico e incómodo.
São muito estimulantes as referências de Pasolini a uma série de cientistas sociais, além dos pintores e escritores, todos eles inspiradores da sua reflexão e capacidade de interpelação artística e social.
Dimensão central é a sua invocação singular das tradições campesinas da sua província natal, presentes na peça em forma de lendas, cantos, falar em dialecto, ensinamentos. Daí chegamos ao que há de mais deslumbrante em Pasolini: a capacidade de articular o ancestral e o actual, as continuidades e as rupturas, sempre buscando a radicalidade maior em ambos, e envolvendo-os na vida e na arte. Como diz Stefano Casi, "Besta de Estilo é, na realidade, uma tragédia sobre a tragédia de ser escritor (poeta, intelectual) na sociedade actual".
É um teatro alternativo, nem convencional nem experimentalista, que assim irrompe:
Nb: a peça tem tradução simultânea, em quadro electrónico por cima dos actores.

sexta-feira, maio 19, 2006

Últimas, por sms

Filme ataca Opus Gay: afinal Jesus gostava de mulheres.
(c) GoRRo

quinta-feira, maio 18, 2006

Uma fraude postal: nem selo nem para-selo


EU NÃO ENFIO A CARAPUÇA, E O GORRO, SÓ ENFIA QUEM QUER.
(c) GoRRo

quarta-feira, maio 17, 2006

Chuva dourada e rosa

Merche Romero foi a uma festa com um ex-namorado, discutiu com um obscuro ciumento ao telefone («Não és o centro do mundo!», «Não tenho de te dar explicações!»), comprou uma casa em Albufeira, viu o seu cachet de presença triplicar desde que namora com Ronaldo, e não está interessada no dinheiro dos homens, pois é muito independente. Este o sumo das peças em seis ou sete revistas. Marco e Marta, os do primeiro Big Brother, multiplicam-se a contar que o filho sentiu falta da mãe enquanto ela esteve no circo das Celebridades. É uma informação pedagógica – tanto ou mais que a crónica da TV 7 Dias onde Marco, sem dúvida com a autoridade do seu famoso pontapé numa mulher, explica que a violência doméstica é o grau zero do humano. A Caras tem uma capa de choque. Sob o título «O Primeiro Beijo», Teresa Guilherme morde o lábio inferior de um tal Falabella, ao que parece actor e mais experiente que ela (assim diz Teresa). Os dois são intérpretes numa peça agora estreada; donde a foto, exercício puramente técnico, conforme explica a actriz: «Não há nenhuma intenção, portanto também não há nenhuma reacção». Mesmo assim, assusta. Mais a sério é a felicidade de Bibá Pitta e Fernando Gouveia, «radiantes à espera do quinto filho», e fotografados em roupão no leito conjugal. O par faz a mesma história noutra revista, com mais pormenores. (Bibá revela que inicialmente Fernando pensou que fosse a menopausa.) Já Isabel Figueira, outra grávida famosa, prefere contar ao mundo que quando o filho nascer guardará células do sangue do cordão umbilical para fins terapêuticos. Porque não? A Nova Gente destaca o problema entre os irmãos Sabrosa, Simão e o mais velho, que lhe geria os negócios. Esse outro deixou ou fez desaparecer 300 mil contos, e agora está arrependido; com o caso em tribunal, usa a revista para lembrar ao futebolista que afinal, são irmãos. E talvez só não diga Amo-te Simão para evitar um processo de Pedro Miguel Ramos. O jovem empresário acha que expressões genéricas como «amo-te», se estiverem registadas, não se podem usar nem em títulos. Onde é que já ouvimos isto? Sei lá.
Luís Coelho

Flocos Socravaco, o sabor das novas gerações

Cada refeição contém:
10 mg. de alcatrão, 10 mg. de monóxido de carbono, mercúrio, chumbo e todos os metais essenciais que fortalecem para o dia-a-dia; ao fim de 20 refeições, a petizada estará a falar 1 língua estrangeira.
Instituto de Tontologia

COMPRAR SOCRAVACO É DAR DE COMER A 1 MILHÃO DE PORTUGUESES

(c) texto e desenho de GoRRo

nb: os anteriores da série «O povo escolheu» podem ser vistos aqui e aqui.

terça-feira, maio 16, 2006

O carteiro toca sempre duas vezes...

...ou uma história sobre a ganância selada:
Quem não gostaria que lhe saísse a sorte grande? Quantas vezes não sonhámos nesse dia venturoso em que os céus se nos abririam cheios de graça?
E, contudo, todos os dias lá vamos nós trabalhar, para ganhar o pãozinho sagrado. Todos? Não! Alguns, que da lei do cinzentismo se libertaram, criaram este prodígio da humanidade que dá pelo nome de enriquecimento fácil, perdão, rápido. Consiste ele em dizer o conto do vigário ao maior n.º de audazes (enfim, aos que têm bolsa e espírito empreendedor), ir deixando a coisa rolar até que o último feche a luz. Neste caso, o último tinha que ser um tipo chato que dá pelo nome de Polícia, de modos que agora anda tudo Ó Pai, Ó Pai. Como de costume, quem paga as favas é o Estado, com cedência de advogados, indemnizações e o diabo a 4.
Engenhoquice lusa, dinâmica espanhola. Que perfeita união ibérica!
Homens simples do passado teimaram em chamar-lhe ganância. Qual quê?! Impossível. Nessa época não havia selos, nem juros mínimos a 10% (DN, 15/V, p. 15 Econ.ª) e outras maravilhas que tais. É o puguésso, pois então, é o puguésso, tá bom de ver.
Siga a encomenda, em correio verde e porte pago. E viva o amor filatélico!

segunda-feira, maio 15, 2006

Regionalização?

O nível de concentração populacional em torno das grandes cidades é um dos maiores problemas do mundo. Na era do capitalismo industrial as cidades foram parte da solução para o abandono dos campos, causado pela mecanização agrícola. Os camponeses procuraram as fábricas para trabalhar e mudaram de classe. Embora vivendo em bairros pobres e imundos os operários construíram a cidade industrial. Hoje, a cidade tornou-se um problema. O esvaziamento dos campos foi de tal ordem que se constituíram autênticos monstros urbanos quase ingovernáveis. Quer no mundo desenvolvido, quer nos países em vias disso, o crescimento urbano tornou-se avassalador.
Portugal não é excepção. Nestes últimos 30 anos, a cidade de Lisboa afogou-se por completo na muralha suburbana que a circunda. Não fora o Tejo e esta cidade perdia o ar e o encanto da sua luz. Enquanto no litoral a muralha se agigantou, no interior o mundo rural continuou rural, basicamente, porque não se desenvolveu e se despovoou brutalmente. As cidades médias, embora tivessem crescido, não geraram, salvo algumas excepções, a dinâmica suficiente capaz de inverter a desertificação dos campos e das aldeias envolventes.

O atrofiamento que se vive em mais de metade do país não deveria ser encarado como irreversível. No entanto, quando se observa que o próprio Estado é um agente catalizador dessa tendência regressiva, ao tomar medidas que afectam profundamente algumas localidades do interior, perde-se a esperança do país mudar. Num post anterior referi-me a três medidas que podem até fazer sentido para a resolução da situação financeira do país, mas perdem razão de ser quando impõem os mesmos critérios às cegas, independentemente do contexto local e regional. Os nossos políticos olham de cima para o país e vêem um pequeno rectângulo. E como têm brincado com este rectângulo nestas últimas décadas! As políticas têm mudado muito, mas todas padecem do mesmo autismo: são uniformes e concebidas para uma homogeneidade que não existe, nunca existiu.
Era importante começar a agir politicamente de modo diferenciado. Curiosamente, para este governo essa diferenciação só se justifica no caso das auto-estradas. O alcatrão é assim tão decisivo para o desenvolvimento regional? É por estas e por outras, que vale a pena voltar a debater a regionalização e os possíveis modelos de descentralização.

'Fecha tudo, fecha tudo'

Racionalizar os recursos do Estado já não é meramente importante: é vital. Fazê-lo de forma racional é muito importante. Por isso é que o argumento do “então porque não se fecha tudo?” é demagógico. Porque equiparar, à luz de quaisquer critérios, o fecho da Alfredo da Costa (mais de 1500 partos/mês) com o fecho da maternidade de Lamego (cerca 43 partos/mês), é irracional. Em verdade e a prazo, trata-se até de um discurso lesivo para o serviço público, um tiro no pé.

Racionalizar gastos com o sector público é defendê-lo, não atacá-lo. Numa óptica de recursos limitados, o Serviço Nacional de Saúde terá tanta mais longevidade e eficácia quanto melhor gerido. Certamente isso requererá um conjunto alargado de outras medidas, que não apenas a actualmente em apreço, mas não me oponho a esta só por ter sido anunciada individualmente. Na prática, isso seria patrocinar o imobilismo, à sombra de um formalismo. E se em muitos casos a orientação para o encurtamento de custos emagrece igualmente o serviço público, aqui não me parece ser o caso. Trata-se de uma medida prudente na prevenção de riscos para os seus utentes (e isto é tanto mais importante quando nos referimos à produção de serviços na área da saúde). Se nos deixamos enredar em considerações de forma (como a mediação da medida para os meios de comunicação), perdemos o essencial de uma construção política para um estado social sustentável e integrado. Esta entrevista é um óptimo elemento para esclarecer as vantagens da medida.

Matéria de alcance vasto levanta ainda o Renato aqui. Deixo apenas interrogações. Estancar-se-á a desertificação do interior mantendo lá blocos de parto sem utentes? Podem as escolas salvar aldeias? E se assim for, será legítimo fazê-lo forçando crianças a habitar escolas vazias?
Para último a questão do desenho, porque não é assim tão importante. Facto facto é que o nível argumentativo subiu entre o cartoon e os posts do Daniel. Essa elevação não me surpreende nada. A publicação do desenho é que surpreendeu um pouco, mas é tão inquestionável a liberdade de publicá-lo como a de poder demarcar-me dele.

domingo, maio 14, 2006

Foi suspenso, mas não foi calado

A edição portuguesa do Monde Diplomatique foi suspensa por decisão da editora Campo da Comunicação. É uma triste notícia. O MD é um jornal que faz falta. Era dos poucos projectos de jornalismo crítico e analítico que, todos os meses, nos mostrava um mundo diferente daquele que nos é contado pelos grandes órgãos de informação. Era um jornal contra a corrente e que nos fazia pensar (coisa rara nos mass media dominantes). O MD tem de continuar a ser lido em português! Consultem o site (ainda em construção) e passem a palavra.

sábado, maio 13, 2006

Onde pára a política?

A polémica das maternidades tem dado para tudo. Como se vê aqui na fuga, a discussão tem sido acesa entre dois comparsas (finalmente!). Não quero entrar no vosso ping-pong argumentativo, por isso, apresento a minha posição a partir de uma perspectiva mais abrangente. O meu ponto é este: para além de questões técnicas, faltam a estas medidas um sentido estratégico para o desenvolvimento do país, nomeadamente, do interior. E não é isso que realmente interessa discutir?

O fecho de maternidades em cidades do interior, como Elvas, representa, sem grande dúvida, mais uma machadada na política de desenvolvimento regional e, sobretudo, das zonas periféricas. Desde que este governo tomou posse já conto, pelo menos, três decisões que porão em causa qualquer política estruturante contra o despovoamento e envelhecimento do interior. As outras duas foram: a) o aumento do IVA, que afectou (e afecta) sobremaneira as pequenas e médias empresas que não conseguem concorrer com as suas congéneres espanholas; b) o encerramento às cegas de escolas do 1º ciclo, tendo por base apenas o rácio do número de alunos e não a evolução demográfica previsível de cada aldeia em particular. Estas três medidas têm por base um único critério fundamental: economizar no imediato para equilibrar o deficit público.
Paralelamente, o governo faz finca-pé na manutenção das Scuts sem portagens, alegando o argumento do desenvolvimento rural e da coesão territorial. Estranho argumento este! Afinal, de um lado não há dinheiro para manter as maternidades, mas, do outro, já há verba para continuar com as auto-estradas sem cancelas. Quais serão, então, as verdadeiras portagens para o interior? Quais são as medidas que afectam de facto a inversão da progressiva desertificação humana das vilas e aldeias? O governo optou por aquelas que dão menos trabalho e, que, basicamente, se resumem a uma acção fundamental: ENCERRAR. Feche-se então o país!
Talvez tudo isto seja um plano para nos tornarmos Ibéricos, para não dizer, espanhóis. Visto desta óptica, todas estas medidas até fazem sentido. Razão tem o Ministro Mário Lino, ele lá sabe do que fala e do que faz.

E um espacinho também para a transparência política e a uniformidade de critérios

Nuno: ainda bem que há polémica, permite desenvolver argumentos. Antes de mais, impõe-se esclarecer que eu não sou o autor desse desenho, como tu bem sabes. Por isso, não há nenhuma "evolução argumentativa" da minha parte. O seu a seu dono.
Sou a favor da racionalização de recursos mas com critérios - transparência e uniformidade - tal como referi. A democracia é tb. isso: o respeito pelos formalismos.
Há um equívoco teu: eu não sou contra estudos técnicos, o que disse e mantenho é que os estudos servem para reflectir e informar opções políticas com critérios correctos e que tais opções devem ser assumidas e não esconderem-se atrás de estudos qual verdade revelada (por isso, até podem ser 20, 34, 5, etc., em vez de 11 maternidades, para isso importa cruzar os dados e apresentar racionalidade política sustentada). Se fôssemos só pelo lado técnico, então tb. teríamos que convocar os parâmetros mínimos da OMS quanto a pessoal em maternidades e veríamos que quase nenhuma unidade lusa os cumpre, incluindo a Maternidade Alfredo da Costa (MAC), donde, toca a fechar tudo! Isso mesmo referiu a bastonária dos Enfermeiros ontem (que, ressalve-se, é a favor da concentração racional de recursos): "Segundo a OMS, por cada mil partos/ano, cada turno deve ser assegurado por 2 enfermeiros especialistas em saúde materno e obstétrica, o que acontece em «raras» maternidades. A MAC, em Lisboa, foi um exemplo apontado pela bastonária para ilustrar a carência de enfermeiros especialistas" (agência LUSA, notícias SIR-7983656 e SIR-7984575).
Face ao estudo divulgado pelo DN, o governo escuda-se noutro que oculta do público, indo contra a lei da República- Lei de Acesso aos Documentos Administrativos (lei 65/93). Tal como salienta a jorn. Graça Henriques: "A novela do encerramento das maternidades veio, mais uma vez, pôr a nu esta tradição irritante da máquina do Estado - opaca, nebulosa - que teima em esconder informação quando não há nada a esconder. Que esconde dados que até podem ser favoráveis a decisões governamentais como esta. Afinal, qual a razão para ocultar informações tão singelas como o n.º de obstretas que trabalham na maternidade de St. Tirso ou quantos pediatras prestam serviço em Mirandela?" (DN, 12/V, p. 19, só na ed. imp.ª).
Quanto aos privados, vejamos o que nos diz outro técnico: "«Não entendo o silêncio da tutela e da Ordem dos Médicos em relação ao sector privado», critica o ginecologista/obstetra Miguel Oliveira da Silva. Para o prof. da Fac. de Medicina de Lisboa é imperativo actuar também nesta área. «Dificilmente as clínicas privadas fazem 1500 partos por ano, mas o que gostaria de saber é quantos partos faz cada médico que ali trabalha. Apesar de muitos deles acumularem com o público, quantos têm a prática considerada de segurança?» Além disso, o obstetra garante que poucas clínicas terão pediatras neonatologistas - um dos requisitos considerados básicos - «porque os grandes prematuros são todos transferidos». «O ministério tem de aplicar os mesmo critérios. O privado tem de ter a mesma qualidade», sublinha" (DN, 12/V, p. 18). Relembre-se que a bitola dos 1500 é supostamente o limiar que permite aos médicos ter uma prática mínima. Um diploma de 1994 impôs ao Min.º da Saúde a fiscalização das clínicas privadas ("P&R", DN, 12/V, p.18). Desde então, o dr. Correia Campos foi ministro da pasta 2 vezes. O que fiscalizou até hoje sobre isto? Nada.
António Brotas, catedrático e membro destacado do PS, pôs a questão das pessoas sem carro (quem paga a ambulância ou o táxi para distâncias de 40kms?) e recordou a polémica venda do convento de Arroios pelo Estado, que originou um escândalo na CML, num ápice revendido pelo dobro do preço e que expulsou o Centro de tratamento de tuberculose para local com piores acessos, na Av. 24/7 (DN, 11/V, p. 8/9). Bom negócio? Não parece. Os hospitais do Desterro, de S. José e dos Capuchos tb. estão na mira de encerrar, plano deste ministro. Para racionalizar custos? Não, para construir 1 novo que permita alimentar o pessoal do betão, lá prós lados de Chelas. Entretanto, estão na calha 6 novas clínicas privadas, a juntar às 60 existentes. Se não há partos suficientes agora e hospitais públicos a fechar, porquê este frenesim?
Quanto às medidas que julguei dignas dum programa socialista vêm a propósito, sim: se é para racionalizar custos, várias das que sugeri tb. permitiriam isso. Donde, não era desconversa. Se já houvesse um nível regional promotor da racionalização dos equipamentos públicos, talvez não se levantasse esta celeuma.
Não tenho nada contra a contratualização, agora, pelo que se sabe deste ministro e doutros casos (vd. a liberalização selvagem da universidade), e o que se conhece lá de fora, o desenlace parece ser este: 1.º contratualiza-se, depois deixa-se degradar e vai-se fechando o sector público, até restarem só meia dúzia de maus hospitais para os pobres e a classe média que se amanhe, que pague do seu bolso os extras acima da comparticipação estatal se quiser o mínimo de qualidade. E só há este caminho?
Como vês, tb. tenho espaço para dúvidas. O ministro é que, pelos vistos, não.

Um espacinho para a dúvida

Daniel, tentarei ser breve porque, parece-me, o cerne da matéria até é pouco polémico. Começo por notar que me apraz a tua evolução argumentativa, nomeadamente entre este post e estes [1, 2, 3]. Posto isto, discordo de todos. Há três pontos em apreço. Um, nuclear, a decisão do ministro, outro, o elencar aleatório de medidas governativas, por último, o cartoon.

Primeiro ponto.
a) Os estudos em causa. Carlos Costa emitiu (ver Público, 12 de Maio, pág. 24) um comunicado que dá razão aos seus críticos. Os 11 blocos de parto a encerrar “apresentam índices de gravidade mais baixos na assistência a grávidas e recém-nascidos” porque as situações de risco são todas encaminhadas para hospitais de referência. Assim os resultados das maternidades a fechar são maus, quer do ponto de vista da qualidade do serviço quer da sua amplitude, justificando o seu encerramento e esvaziando a polémica em si;
b) A suposta privatização. “Privados querem negócio dos partos”, titulava o DN, mas e então? O que é que isto demonstra? A expressão de que o mercado existe e funciona é má? Na dúvida, o que leio na notícia são apenas intenções do mercado e não acordos (tácitos) com o ministro. Nada na actuação deste parece indiciar tal (independentemente das convicções que se tenham sobre a contratualização entre o estado e o mercado no que respeita a serviços públicos). O que às vezes parece transparecer nestas ocasiões é que a realidade só atrapalha «bons» argumentos há muito engatilhados e prontos a disparar;
c) Os critérios da OMS. Que uma política nacional de saúde os leve em conta parece-me apenas desejável. Confesso que parto aqui de um princípio, chamem-me ingénuo, segundo o qual admito que a OMS não é um fantoche do sector privado da saúde em Portugal;
d) A natureza tecnocrata da medida. Em casos como este, de possível vida ou morte de utentes do serviço público de saúde, um pouco de técnica nem calha nada mal. Adiante-se ainda que de há séculos a esta parte a ciência tem sido alternativa credível à irracionalidade e obscurantismo do estado, ou da igreja (chamas-lhe «moda», mas com o tempo que a prática já leva até vou mais longe, chamo-lhe «um clássico»). É também preciso não confundir, indiscriminadamente, tecnocracia com políticas coadjuvadas por fundamentos técnico-científicos.

Segundo ponto
Elencar avulsa e aleatoriamente outras medidas para, com base nelas, atacar esta, é uma táctica escapista. Eventualmente as medidas que enuncias também recolhem o meu apoio, só que, grande chatice, não são elas que estão na mesa. Elevando a bizarria táctica a um extremo lógico, pegando por exemplo neste post com piada do Renato, é mais ou menos equivalente a dizer-se que se está contra o facto de Portugal ter subido duas posições no ranking internacional da competitividade porque deveria ter subido 45.

Terceiro ponto
Falaste de 'evidências', assim entre comas. Ainda bem, porque não concebo evidência mais artificialmente arquitectada do que, a respeito desta matéria, comparar o ministro Correia de Campos a um carcereiro de Auschwitz, isto sem qualquer fundamento de cariz técnico, político, ou outro. Ora tomando isto como ponto de partida, extremado assim, que margem de manobra resta para a seguir se flexibilizar qualquer posição? Ou para dúvidas, que espaço resta para elas quando a primeira arma de arremesso é o epíteto «nazi»?

Fui menos breve do que desejava, mas isto é saudável, dá vida à casa, enfim, anima o tasco.

sexta-feira, maio 12, 2006

Das opções políticas, vs. as 'evidências' tecnocráticas (3)

No início tb. acreditei, ingenuamente, que a medida oficial de fecho de certas maternidades tinha conseguido associar a necessidade (economicista) à racionalidade política. Depois, à medida que o debate avançava, desconfiei que era um corte cego, do género: cada ministério tem que cortar nos gastos, donde, corte-se a eito, de preferência no que faça menor dano político. Sucede que, por cá, os cidadãos consideram a saúde pública o bem mais precioso das ameaçadas políticas sociais criadas após a revolução de 1974 (antes disso, quase não havia hospitais, é bom não esquecermos isso). Daí a expressiva contestação popular, local e não só, atenção.
Entretanto, o DN acedeu a 1 estudo da Escola Nacional de Saúde Pública, cujas conclusões publicou num dossier, ontem. Abreviando o argumento, esse estudo, que analisa indicadores dos 50 hospitais com blocos de partos para 2000-2004, coloca as maternidades que o ministro da Saúde quer fechar a meio da tabela no respeitante à qualidade dos serviços prestados. A partir daqui, impunha-se a análise fria do caso. E, já que está na moda, demos voz ao 'Técnico':
Tb. concordo com a racionalização de recursos, mas esta implica critérios transparentes, fundamentados e uniformes, procedimentos rigorosos e divulgação de toda a informação para cada unidade. Não foi o caso. Tal como diz o excelente editorial do DN de ontem: "O encerramento de algumas maternidades será vantajoso para a saúde portuguesa. Admitamos que há racionalidade nesta opção e que ela não decorre apenas de um cálculo economicista, ainda que legítimo tendo em conta a debilidade dos nossos recursos. Admitindo tudo isto, há um erro fundamental. O ministro da Saúde tinha e tem a obrigação de justificar com toda a clareza os motivos técnicos, objectivos, em que se baseia a sua decisão de encerrar cada uma das maternidades. Ou seja, é preciso que cada um dos cidadãos conheça, sem rodeios e generalidades, que requisitos concretos não preenche cada um dos serviços. O Governo vai avançando alguns, soltos, genéricos, que vão sendo contestados, contrariados, mas fica sempre por constatar a 'ficha clínica' das maleitas de cada uma das maternidades. Mesmo considerando indicadores sensíveis, que podem melindrar alguns profissionais, o ministro da Saúde tem a obrigação de ser mais claro. Não basta ter razão. É preciso demonstrá-la. E até agora as explicações que ouvimos são insuficientes".
Há outras medidas que deviam estar a ser aplicadas, mas, quanto a essas, o ministro nada faz, não está para afrontar lobbies poderosos: 1) proibição das prescrições medicamentosas a granel e, frequentemente, sem olhar ao medicamento mais barato; 2) criação de farmácias sociais (há qt. tempo se fala nisto e não se aplica!!) e venda livre de certos medicamentos, para pressionar a redução do preço dos medicamentos; 3) informação sobre os locais com exames complementares mais baratos; 4) proibição de acumulações entre público e privado; 5) proibição da transferência de consultas do público para o privado pelos médicos com clínica particular; 6) penalização dos agentes pelo incumprimento sistemático dos horários e pela total falta de transparência na marcação de consultas. Isto é que seria 1 programa socialista; estarei errado?
Assim, parece que o ministro só cá está para ir privatizando a saúde pública. O resto, deixa andar.

Das opções políticas, vs. as 'evidências' tecnocráticas (2)

... e parece que alguns são mais iguais do que outros...

"Em relação à intenção expressa pelo ministro Correia de Campos de que as regras definidas para as maternidades públicas sejam também impostas, mais tarde, aos hospitais privados, Teófilo Ribeiro Leite relativiza a questão. «Cumprimos as regras que nos são impostas em termos de hospitalização geral», o que inclui equipas de assistência compostas por obstetras, anestesista, pediatra-neonatologista e enfermeiras, e equipamento técnico mínimo que permita acompanhar a vida fetal antes do parto e reanimar o recém-nascido. «O que interessa é assegurar qualidade no atendimento com flexibilização de custos, e isso nós podemos fazer porque não temos as mesmas regras rígidas de contratualização», refere o responsável, relegando para segundo plano a questão dos 1500 partos/ano - número a que nenhum privado consegue chegar. Segundo o Ministério da Saúde, a experiência nacional demonstra que os requisitos acima descritos só se conjugam, por razões de eficiência, em serviços que garantam uma actividade de cerca de 1500 partos por ano.Em declarações ao DN, Correia de Campos diz esperar que a Direcção-Geral da Saúde imponha estes critérios aos hospitais privados."
(in "Privados querem negócio dos partos", DN, 11/V)

Das opções políticas, vs. as 'evidências' tecnocráticas (1)

quinta-feira, maio 11, 2006

A força dos técnicos contra a técnica da força II

«Há um défice de obstetras, em neonatologistas, em enfermeiras-parteiras e em enfermeiras de saúde materno-infantil. Não há profissionais e quando o presidente da Câmara de Lamego diz ontem que o problema é a falta de profissionais e que vai contratá-los, ele não tem onde possa ir buscá-los. O hospital de Lamego tem apenas um obstetra; como é que um obstetra tem capacidade de dar resposta. (...) Se um bebé não for devidamente reanimado nos primeiros dois, três minutos de vida, arrisca-se a ficar com lesões cerebrais para toda a vida.» Idem

A força dos técnicos contra a técnica da força

Sobre o encerramento dos blocos de partos de algumas maternidades: «É uma medida correcta, urgente e corajosa. (...) O anterior ministro recebeu uma versão do relatório igual à que a Comissão Nacional de Saúde Materna e Neonatal entregou a Correia de Campos mas não teve capacidade ou vontade política para a executar.(...) É urgente fazer uma nova remodelação idêntica à que foi feita há 16 anos. Agora é preciso encerrar 12 a 14 sítios onde se nasce sem segurança. Não precisamos de tantos hospitais porque a nossa natalidade diminuiu nos últimos anos de forma drástica.» Octávio Cunha Membro da Comissão Nacional de Saúde Materna e Neonatal e Director dos serviços de cuidados intensivos neonatais de pediatria do hospital geral de Santo António, do Porto, ao Público de hoje.

A partir de agora só o céu é o limite

Portugal subiu duas posições no raking da competitividade!

quarta-feira, maio 10, 2006

Pela sua saúde... (3)

(c) desenho de GoRRo
Quem quiser ver abordagens anteriores ao assunto pode consultar aqui e aqui.

terça-feira, maio 09, 2006

A Europa connosco fez 20 anos

Fez hoje 20 anos que Portugal aderiu à «Europa», então CEE- Comunidade Económica Europeia. Por estes dias tem sido distribuído um panfletozinho sobre o assunto, numa edição conjunta do INE, PE e Representação da Comissão Europeia em Portugal. Fiquei arrasado com tanta estatística objectiva. Até o desemprego é (por ora) menor que em 1986 (7,6% em 2005, em vez dos 10% de então)! Entretanto, subiu aos 8% e vai bem embalado, mas já não irá a tempo do panfletozinho, azari...
Já quanto a projectos de sociedade, coesão social, redistribuição do rendimento, chapéu.
Eu, como europeísta convicto, não gosto destes papéis folclóricos, nem que andem a gastar dinheiro em propaganda barata. O importante é falar no projecto europeu, nos valores da democracia, na coesão social, na descentralização política, administrativa, cultural, no ordenamento jurídico em áreas como o ambiente, e não empilhar uns indicadores patéticos. Falar no que falta fazer. No que pode ser feito.
E na paz, porque, sem um projecto unificador, voltaremos às guerras fratricidas.
Sou um europeísta convicto, porque quero paz, solidariedade, políticas sociais, regulação e intercâmbio humano, et pour cause discordo desta Europa de mercearia e distante que persistem em querer impingir-nos.
Ainda assim, parabéns Europa.

O teatro universitário está de volta

Para que não digam que só antigamente é que havia teatro universitário, ei-lo de volta, na sua 7.ª edição, o FATAL- Festival de Teatro Univ.º. Como programa principal: 20 noites, 20 peças. Mas há mais coisas (vd. www.fatal.ul.pt). Começou ontem.


Gerações de Abril


A história do 25 de Abril e do Prec tem normalmente sido feita a partir dos "grandes" acontecimentos políticos e militares. Ora, acontece que o que distingue politicamente o que se passou em 1974-75 foi, precisamente, a desinstitucionalização do poder. A revolução foi um momento exemplar, único na história portuguesa, de participação e transformação que a história institucional deixa normalmente invisível. Foi, nesse sentido, vivido como uma riquíssima experiência pessoal por muitos militantes e activistas com que a historiografia normalmente não conta. Foram eles os verdadeiros protagonistas do 25 de Abril. O projecto "Gerações de Abril" consiste muito simplesmente em ouvir, recolher e debater algumas destas experiências. A começar com a de Sofia Ganhão, que falará da sua participação (enquanto) revolucionária, na próxima sexta-feira, dia 12 de Maio, às 18h, no Monte (Rua do Monte Olivete, 30A, r/c ,perpendicular à Rua da Escola Politécnica).
A organização deste projecto é da UniPop e continuará, quinzenalmente, a partir desta data.
UNIPOP

segunda-feira, maio 08, 2006

Cartas de Paris III

Presença portuguesa em Paris
A comentar com amigos portugueses sobre a singular fachada em arcos brancos e vidros do Fórum Les Halles, em pleno coração da cidade-luz, aprendi que o tal estilo arquitetônico tem cotação em Portugal, onde fez escola e recebeu um nome alusivo ao seu criador: “taveirada”. Pois! Pelo que entendi na breve conversa, além das inconfundíveis fachadas de vidro com arco, o “taveirismo” também fez fama em outras áreas da engenharia, nomeadamente na elevação de pontes, exploração de túneis, escavação de poços, etc. Infelizmente, ao que parece, o material de divulgação técnica produzido pelo mestre arquiteto e seus seguidores ficou restrito ao mercado de vídeos educacionais de Lisboa. A revelar minha ignorância em arquitetura pós-manuelina, peço a colaboração dos leitores e colegas amantes da arte das engenharias que tenham textos, fotos ou, quiçá, vídeos sobre a moderna arquitetura portuguesa (com especial interesse pelo taveirismo), queiram, por favor, endereçar-me suas contribuições através deste blogue.
Eduardo Caetano da Silva

domingo, maio 07, 2006

Grant Mclennan 1958-2006

Um dos maiores compositores da música popular mundial nos últimos vinte e cinco anos, Grant Mclennan, metade do grupo australiano The Go-Betweens, morreu ontem durante o sono na sua casa de Brisbane, Austrália. Quando recuperarmos do choque, dizemos mais qualquer coisa.

sábado, maio 06, 2006

Acima

Desculpem. Acima, eu queria dizer acima.

O juiz facilitador

Colaboração institucional

É bom de assistir, numa comunidade como por exemplo a portuense, todas as forças vivas da terra - poder local, justiça, instituições desportivas e outras - colaborando activamente em proveito da cidade. E diz-se mais, é mesmo de "bom-tom". Afinal de contas, «Imbestigar o Sr Presidente?!?! Ou mesmo o chefe de gavinete?!?!?! Onde é que já se biu?!?!». De facto, imagina-se maior desplante?

sexta-feira, maio 05, 2006

Tempos de incerteza

Quem será o novo presidente do PSD?

Deste lado do mundo

Deste lado é que se morre
com as mãos presas nos pés
deste lado é que se corre
o medo de lés a lés

Deste lado é que se grita
com a garganta em gangrena
deste lado é que se fita
o outro lado da cena

Deste lado é que se morre
com a garganta em gangrena
Deste lado é que se corre
loucamente entrando em cena.

1964
Fernando J. B. Martinho
(in O último dia da PIDE. 26 de Abril no Porto, ed. Mov.º Democrático do Porto, 1974;
cortesia de Vítor Santos na digitalização do opúsculo; colecção de autocolantes de DM)

Para que não se apague a memória

Outro dos pilares da ditadura derrubado pela revolução de 1974 foi a polícia política.
Com um longo legado de sevícias sob pessoas que ousassem falar/ agir livremente e o exemplo inspirador da Inquisição, foi com gula indisfarçada que a ditadura salazarista se abalançou ao «reaportuguesamento» do país nesta área.
As siglas foram mudando mas a infâmia e a brutalidade persistiram. O regime dependia deste aparelho repressivo, inclusivé para a guerra colonial. O que a censura não asfixiava a priori corrigia a PIDE prontamente, com uns «safanões a tempo», como chamou Salazar aos métodos torcionários de que seria mandante durante décadas. Eram ambas máquinas de intimidação e opressão, de fazer medo colectivo.
Há quem queira esquecer o mais depressa possível tudo isto. E o mais depressa possível é, em lugar da sua negação total (pois seria vergonhoso), desvalorizar, esquecer, não falar disso. Não falando, não existe a coisa. É contra esta lógica que existe o imperativo de rememorar, debater, comemorar e reflectir.
O movimento Não Apaguem a Memória, surgido em Outubro passado, vem contrariando a tendência actual para o esquecimento, potenciados pela vertigem mediática, a má consciência de alguns e o alheamento doutros. Com a sua intervenção pública recolocou-se na agenda pública a questão da memória da ditadura, da resistência e da liberdade. Conseguiu tb. que fosse aceite a ideia dum espaço evocativo da antiga sede da PIDE em Lisboa, no novo edifício aí em construção. Vai realizar hoje uma reunião plenária, às 21h, na sede da Assoc. 25 de Abril (R. da Misericórdia, 53, ao Chiado). Em prol duma cidadania mais exigente. E para que não se volte a repetir o lado negro da história.

quinta-feira, maio 04, 2006

A censura exposta

Abriu ontem a exposição «O Estado Novo e a censura – o caso do Notícias da Amadora», na renovada Hemeroteca de Lisboa. A biblioteca municipal acolhe assim um projecto daquele que foi o semanário mais fustigado pela ditadura desde que Orlando Gonçalves (pai do actual director Orlando César) assumiu as suas rédeas, em 1963.
A mostra contém uma selecção dos milhares de provas tipográficas que o jornal foi obrigado a submeter ao crivo dos serviços de censura, cuja maior parte era devolvida com cortes marcados a lápis azul, parciais ou integrais. Conta-se tb. a história dos 48 anos deste baluarte da imprensa antifascista.
Ao cair do pano, pelas 19h de dia 15, debater-se-á «A Censura: da época marcelista à actualidade», com a participação de Orlando César e de Ana Cabrera (investigadora do Centro Media e Jornalismo), entre outros. Para mais informação sobre a censura ao NA vd. o seu extenso dossier Censura 16, com resumos analíticos aqui e aqui.
Agora que alguns pretendem negar os efeitos libertador e socialmente construtivo do 25 de Abril, que tal reflectir e debater um pouquinho sobre os pilares em que se alicerçou a ditadura? Ademais, o próprio tema da censura mantém-se actual, nela se inscrustando muitas das tendências que condicionam e limitam a liberdade de expressão e o seu vital pluralismo e independência crítica. Seja a censura comercial, a «dança de cadeiras», as «prateleiras», as «reestruturações», os cortes de publicidade oficial como represália política (a ex. do que sucedeu recentemente ao NA), ou mesmo a auto-censura... Dá pano para mangas, ó se dá...
Talvez valha a pena, ou, se calhar, já é exigir muito.
Adenda: já agora, a Hemeroteca devia aproveitar a ocasião e encadernar a colecção que tem do NA.

quarta-feira, maio 03, 2006

Coabitação à portuguesa (3): alergias & gripes, sarl

(c) desenho de GoRRo

Umas directas concorridas

Marques Mendes afirmou que "aumento de impostos é arma de destruição maciça de empregos". Independentemente de cores partidárias, oiça-se o perito, ou não se tratasse ele próprio de uma arma de destruição maciça de candidaturas adversárias à liderança do seu partido.

Ai, Alentejo...


... q' nã queres nada cô a genti.

terça-feira, maio 02, 2006

Cartas de Paris (II)

April in Paris
E Paris deixa o inverno quente e entra na primavera alérgica. O polén dos castanheiros e doutras belas árvores em florada que vão aos poucos colorindo os boulevards já fez a venda de anti-histamínicos e anti-alérgicos aumentar dramaticamente nas farmácias. A cidade sediará no final de maio um Congresso Nacional de Asma e Alergias. O tema causa menos comoção que o CPE, mas está, junto com a meteorologia, entre os assuntos preferidos dos parisienses. Depois do outono em chamas nos banlieues, do carnaval de caricaturas do profeta, do inverno quente da CPE, serão as alergias o tormento da primavera francesa?
Eduardo Caetano da Silva

segunda-feira, maio 01, 2006

Maio está na rua há 120 anos

(c) os cartazes que deram origem a estes autolocantes são da autoria do Zé D'Almeida (colecção de autocolantes de DM)

Maio, maduro Maio

(colecção de autocolantes de DM; nb: a 3.ª imagem 'ondulada' foi inserida de pé unicamente para caberem as 3 na mesma tira)

Canção com gaivotas de Bermeo

É um dia de maio?
É um dia em que tropeço
no ar
à procura do azul dos teus olhos,
em que a tua voz,
dentro de mim, pergunta,
insiste:
Se te fué la melancolía,
amigo mío del alma?

Eugénio de Andrade
(excerto do poema)

A terra sobretudo

Quem como nós na curva de céus vários pressentiu
(em céus de boca e ares)
que os elementos, de si, nunca se encontram diz:

a água não amaina; o fogo nas queimadas,
nas lajes do lar não nos sacia; o ar não cria
a vibração das folhas - esta é a nudez;

na terra sobretudo sente-se: as suas casas, as traves
que as sustêm, desfalecem.
Quem as habita parado, quem como nós vivo
diz: a fome é hostil,
o homem movimenta-se impaciente, o seu desejo ocupa a sua vida.

Fiama Hasse Pais Brandão
(in Antologia da poesia feminina portuguesa, org. António Salvado, JF, or. publ. na Vértice, n.º 286; colecção de autocolantes de DM)

O homem de Abril

Eis o homem de Abril.
Nasceu fraco e de pé.
De fraco fez-se velho.
Fez-se velho a valer.

Sentou-se ao pé de um muro.
Atrás o sol nascia.
Uma rosa rompeu.
Era manhã. Bom dia!
António Ramos Rosa (a José Gomes Ferreira)
(c) colecção de autocolantes de DM

Saudades de Sampa



Hoje me deu uma saudade imensa de São Paulo. A foto da Estação da Luz que saiu no penúltimo número da revista Visão (n.685, de 20 a 26 de Abril) -no artigo a propósito do Museu da Língua Portugesa, museu único no mundo- me encheu os olhos e me deixou com saudades! Lindíssimo edifício esse da estação da Luz! É "o tempo vivo da memória e do presente", como diria Ecléa Bosi(http://www.usp.br/ip/professores/bosi-e.htm.) A quem fôr a São Paulo, recomendo também uma visitinha ao Jardim da Luz e à Pinacoteca! Esta então, não podem falhar! Coisas grandiosas da gloriosa cidade de São Paulo.

32 anos...


... em busca do futuro perdido.
(c) Colecção particular de Daniel Melo.

Proletários de todos os mundos, uni-vos!

A burguesia suprime cada vez mais a dispersão dos meios de produção, da propriedade e da população. Aglomerou a população, centralizou os meios de produção e concentrou a propriedade em poucas mãos.
A consequência necessária disto foi a centralização política.

(in O Manifesto do Partido Comunista)


(c) Colecção particular de Daniel Melo.
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