quarta-feira, outubro 11, 2006

A cultura do foguetório

Faz este mês 4 anos que o 3.º mais importante arquivo histórico do país se encontra encerrado ao público. Falo do Arq.º Histórico da CML, fechado em bolhas numa desterrada garagem do Alto da Eira, só estando acessível o núcleo do Arco do Cego e os processos de obra.
Não há dinheiro, dirão os apressados. Certo? Errado. Ainda anteontem o Público noticiava o gasto de 1 milhão de euros na árvore de Natal do Terreiro do Paço (cf. p.51). É tb. assim lá fora, dirão novamente os apressados. Certo? Errado. Primeiro, esta vai ser a "maior da Europa" (já em 2005 assim o foi, agora tem +3 metros e atingirá 75 metros, fantástico Mike!), depois há muitas cidades com finanças e gestão mais equilibradas.
Entretanto, ainda recentemente saímos do foguetório da Luzboa, do qual se está para saber qt. custou e para que serviu (cf. aqui). Além do fogo-fátuo, agora a CML só tem olhinhos para o cinema, começando pela Festa do Cinema Francês, já justa e suficientemente apoiada pelo Institut Franco-Portugais, Cinemateca Portugesa, embaixada, etc.. Como se não houvesse mais nada ou, sobretudo, nada mais prioritário, a começar pelo arquivo histórico. Mas para quê, se não dá nas vistas?
Só o dinheiro gasto em foguetórios dava para recuperar um dos vários palacetes municipais e nele colocar a documentação ora inacessível, em vez de desesperarmos por um mais oneroso "Arquivo e Biblioteca Central", num deslocado Vale de St.º António a encher de betão, há anos prometido e que chegará sabe Deus quando.
Para lá de défices e crises, há sempre opções políticas que são feitas, e estas têm sempre consequências palpáveis. É preciso é falar delas abertamente, para cada qual poder julgar por si próprio, em consciência.
Nb: na imagem, fogo-de-artifício na Londres de 1749, um fiasco literalmente estrondoso, pois redundou numa grande explosão: mais desenvolvimentos no blogue O Céu sobre Lisboa.

2 Comments:

Anonymous SOS said...

Infelizmente, tudo indica que o Arquivo definitivo da CML também podia arder que ninguém dava por isso! Era até um alívio para o poder municipal, interessado em fomentar a amnésia nos munícipes. Afinal, a investigação científica e a produção de conhecimento histórico sobre o passado recente e o tempo presente são uma fonte de aborrecimentos... Apenas as obras movimentam milhões...

9:17 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Sempre ao correr da pena, não pode ser, às vezes as palavras levam-nos a outras, mas os conceitos não podem ser misturados. A Luzboa não foi um foguetório, aliás até houve quem se queixasse de falta de luz. Serviu para quem a viu e foi com um grande prazer que caminhei entre centenas de pessoas por uma Lisboa transfigurada - mágica -pontuada de obras artísticas.

6:26 da tarde  

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