sexta-feira, junho 30, 2006

Zézinho das Socas e o grande choque tolológico (11)

Episódio 11: balancete iscolar

- Ó Zézinho, atão o que foi que aprendeste este ano na escola?
- Futebulixe ize véri importantixe.



(c) desenho de GoRRo, texto de DM.

quinta-feira, junho 29, 2006

Não há bom ambiente sem contestação

Mau ambiente em torno da política de ambiente é um bom sinal para o ambiente do país.

Divulgação: homenagem aos presos políticos junto à antiga cadeia do Aljube (sáb.º, 10h30)

"O movimento cívico Não Apaguem a Memória! promove no próximo sábado, 1 de Julho, entre as 10h30 e o meio dia, uma concentração junto do Largo da Sé. Daí se dirigirão os manifestantes para a antiga prisão do Aljube, onde antigos presos políticos darão testemunho público da sua prisão durante o Estado Novo. O objectivo da acção é sensibilizar os poderes públicos, designadamente o Ministério da Justiça, que tem a tutela do imóvel, e a Assembleia da República, como representação do Estado, a fazer daquele espaço, meio abandonado, um local que celebre a memória e o exemplo dos que ali lutaram pelos direitos políticos e sociais em Portugal.
A cadeia do Aljube, foi a prisão utilizada pela PVDE/PIDE, a polícia política do Estado Novo, para encarcerar os presos políticos. Nesta prisão não havia qualquer local para recreio e as salas e celas eram impróprias para viver.
Os «curros» do Aljube eram pequenas celas com cerca de um metro de largura, catres basculantes, que, ao baixarem ocupavam todo o espaço, obrigando o preso à quase imobilidade. Estes «curros» eram fechados por duas portas, uma gradeada e outra de madeira, apenas com um pequeno postigo, estando quase todo o dia mergulhadas numa semi-obscuridade.
Eram essas as instalações que a PIDE usava para manter os presos incomunicáveis, durante o período mais intenso dos interrogatórios. Durante o primeiro período, não tinham acesso a caneta, nem a lápis, nem a papel, nem a jornais, nem a livros, nem a relógio, sem espaço para se moverem. Havia ainda a cela disciplinar, n.º 14, onde o preso estava permanentemente às escuras, sem enxerga e, às vezes, a pão e a água.
Devido aos protestos internacionais e a campanhas de oposição internas o Aljube acabou por ser fechado, em Agosto de 1965."

quarta-feira, junho 28, 2006

Os túbaros de Orpheu




Quis a providência (ou antes mão amiga que vale bem mais que ela) que me viesse calhar às mãos um bilhetezito para a apresentação de Sátiro – 4º de originais dos Gaiteiros de Lisboa – acontecida no CCB pelas 21h de ontem. O disco não saíu ainda – até ver sairá quando lhe apetecer – mas arranque-se a prosa com imperativa sentença: comprem-no mal possam. Não caros quatro leitores, não a tomem por ordem, aceitem-na antes como ajuda pessoal.

Não sei que seja isso de música tradicional portuguesa, ou pelo menos das suas fronteiras com as outras. Sei que os Gaiteiros, hoje melhor do que ninguém, ocupando e expandindo o espaço da Banda do Casaco antes deles, ou do GAC antes dela, ou da Filarmónica Fraude ainda antes desses, mandaram definitivamente essas fronteiras colher giesta e a cada novo disco invadem barbaramente território musical que parecia não existir antes de tomado a pulso por ideias eventualmente estapafúrdias no papel, mas que ouvidas soam a génio puro, ó iludida descrença, a génio luso a génio luso (?). Bocarras do inferno, oficiais do estupro, agentes da desdita, rasgam tecido musical e cosem-no de novo, retalham-nas, às tiras de som, depois largadas ao vento a ver o que dá, peneiram ideias e deixam-nas densamente, às carradas, registadas nos discos para alegria de nossos tímpanos incréus da beleza jorrante de tão esventrada tradição. E depois disto muito mais me apetece dizer de vós Gaiteiros d’um raio, corja de inventores grandessíssimos cabrões de génio possuídos... mas fiquem-se apenas com isto e não digam que vão daqui:

muito muito muito muito muito muitíssimo muitíssimo obrigado.
E ainda mais pá,
«Obrigados».

E quanto ao concerto? Concertão pois claro! Não que o som estivesse perfeito, não que a coisa fosse isenta de erros, não que os instrumentos inventados não brochassem (ver todos significados possíveis no Houaiss) uma ou outra vez, não nada disso, digamos apenas que os Gaiteiros deram um concerto. Isso basta.
Deram um concerto onde a juntar a alguns velhos temas de Invasões Bárbaras (1995, Farol), de Bocas do Inferno (1997, Farol) e Macaréu (2002, Aduf), tocaram grande parte de Sátiro – entre outras destaque para O fim da picada, Nem fraco nem forte (extraordinária canção, poema de Amélia Muge?), Capa chilrada (duas partes distintas, a primeira introduzindo violino no universo GdLX pela primeira vez?, a segunda sobre uma espécie de mantra de flautão? – numa palavra, estupenda), Movimento perpétuo (com Pedro Carneiro – que pobre ignorante me confesso, até prova em contrário desconhecia totalmente – reinterpretando o tema de Paredes na percussão melódica, vulgo xilofone), Chamarrita do Pico ((em)balada de flautas e tubarões), a desbunda literal d’As freiras de Santa Clara (tema clerical-respeitoso, eh eh eh) ou, para nomear apenas mais duas, Descantiga de andor colando com Canto de trabalhos (esta de Macaréu, originando a colagem um dos momentos mais bem conseguidos do concerto) e Mafalda Arnauth dando voz a um fado bem fadado por Carlos Guerreiro em Os versos que te fiz.
Aproveitou-se ainda a presença da fadista para uma versão «Gaiteira» de Lusitana, de Fausto Bordalo Dias, que é apenas parcialmente bem sucedida, dado que no refrão – sim, naquela parte do «és o nosso almirante, terra mãe de crioulos, cuida da nossa alma errante nós só queremos teu consolo» - é impossível fazer melhor do que o original, pelo que a voz da Mafaldinha, qual madalenazinha demolhada em chá fervente, não deu pr’aquilo, e mesmo musicalmente falta gás ao trecho. Pois, não é incolumemente que se metem as mãos em material quasi-sagrado, assim da estirpe de Lusitana (ai Fausto Fausto, manda mas é cá para fora o 3º volume da trilogia para dares outra alegria à gente).
Em suma, grande noite terminada em apoteose com Trângulo-Mângulo, apesar da sala já parcialmente esvaziada. Será que o pessoal teve pressa de ir para casa ver o Diário do Mundial, isto mesmo apesar da exortação anti-futebol de Carlos Guerreiro? Grande azar ó Carlos! Tenho mesmo impressão que se marcasses o concerto para a tarde de sábado próximo, terias trinta ou quarenta almas penadas na sala a ver-te soprar nos túbaros de Orpheu.
Valeu.


Alinhamento do disco:
01. O fim da picada
02. Nem fraco nem forte
03. Capa chilrada
04. Movimento perpétuo
05. Ai de mim tanta laranja
06. Chamarrita do Pico
07. As freiras de Santa Clara
08. Pracá-dos-Montes
09. Haja pão
10. Descantiga de andor
11. Alma alba
12. Os versos que te fiz
13. Se fores ao mar pescar

Balanço do consulado de Tony Blair (impressões de Londres III)

Comecemos pelo mais agradável, a política cultural. Foi no consulado de Blair, prestes a findar, que o Reino Unido viu relançado o seu sector cultural. E o povo aproveitou: 7 das 10 atracções actualmente mais vistas são museus ou galerias de arte e 66% da população assistiu a, pelo menos, 1 evento cultural nos últimos 12 meses. Idem para o mundo exterior: 85% dos turistas que vão à Grã-Bretanha visitam os seus museus.
Além do mais, foram os governos trabalhistas de Blair que mais exploraram e democratizaram o novo fundo de apoio às artes, ao teatro e à música oriundo da Lotaria Nacional (introduzido por John Major em 1994), permitindo uma 'revolução' artística no país. Esta assentou na criação de 100 novos equipamentos, no reequipamento doutros 500, no reforço da capacidade de programação e da educação artística e intercultural, no estreitamento da relação entre artes e reabilitação urbanística, na maior estabilidade profissional de artistas e músicos, e, muito importante, no reforço relevante dos públicos, pois o desafogo orçamental permitiu que os principais museus passassem a conceder entradas gratuitas, casos do Tate Modern, da Tate Gallery e doutros 17 museus nacionais. Para este desenvolvimento tb. contribuiu o reforço da verba geral do Estado para a cultura. O Arts Council England, o The English Heritage e o Department for Culture, Media and Sport reforçaram-se como instituições financiadoras, estratégicas e coordenadoras do sector cultural.
As nuvens: a partir de 2004 começam os cortes financeiros estatais, comprometendo os ganhos desta evolução. E o Estado britânico apenas gasta 0,5% do seu orçamento em cultura (incluindo desporto), o que o coloca na cauda dos países da União Europeia. A contra-ofensiva veio agora, com o manifesto «Values and vision: the contribution of culture», elaborado pela nata dos directores de museus e doutras instituições culturais. Este pretende relançar uma estratégia cultural, com objectivos claros de consolidação de públicos e da oferta cultural, a pensar num horizonte médio até aos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres.
Nb: informação de base (inc. dados oficiais) retirada dos seguintes txs. do The Guardian:
-Stephen Moss, “
Luck and brass”, 4/XI/2004.
-Nicholas Serota, “
A new direction”, 5/VI/2006.
-Charlotte Higgins, “
Arts and museums urge ministers to keep up good work”, 9/VI/2006.
-foto de Catherine Phillips no The Festival of London Youth Arts 2005.
-gráfico dos fundos estatais para as artes no RU (1987-2008), retirado do tx. de C. Higgins.

terça-feira, junho 27, 2006

Para que(m) serve a UE?

A apoteose do novo tango

Esqueçam por instantes os Gotam Project, Astor Piazolla e Carlos Gardel, e fixem este nome: Bajofondo Tango Club. Eles vieram do submundo para revolver por completo o tango, misturando-o com géneros modernos como a electrónica e o hip-hop, revestindo outras tradições locais (como a milonga) e interagindo com envolventes e criativos videoclips. As imagens, em sequências rapidamente repetidas, introduzem a nostalgia do requinte e da sedução, o movimento frenético, o ruído mecânico e industrial, as ruas ora cheias ora desertas de Buenos Aires, as convulsões sociais da crise económica de final dos anos 90, a saudade presente na vaga migratória subsequente (meio milhão de pessoas desde 2000), mas tb. a sublimação, a alegria contagiante, a pulsão criadora.
Ontem à noite passaram, qual cometa, pelo Parque Mayer (Teatro Variedades), vindos directamente das duas margens do estuário do Rio da Prata, ou seja, mesclando argentinos e uruguaios. Respiram desde 2002, e a extensão da banda faz lembrar os saudosos agrupamentos de antanho, como os N'Gola Ritmo ou os renascidos Orchestra Baobab e Buena Vista Social Club.
Informações e amostras na BBC3, no WOMAD 2005 (reprodução gratuita de 1h de concerto esfuziante!), no esplendoroso site da banda e no do último álbum. Magistral!! A fusão em todo o seu esplendor.

Ao cair do pano

A encerrar o debate em que estamos envolvidos, sobre o atrofiamento da crítica na imprensa de referência, surgiu ontem novo contributo de Eduardo Pitta.
Claro, o poder é tão antigo como o homem. O que me preocupa são os bloqueios e entraves indevidos ou despropositados à democratização cultural, que tomam uma dimensão exasperante no nosso país. Talvez fosse chegado o tempo de se poder debater todo e qualquer assunto na perspectiva duma cidadania mais exigente e participada.
A dicotomia elites/povo será óbvia. Contudo, se não se pode destapar a tampa da panela borbulhante, como abrir o debate? Em espaços fisicamente confinados como o dos media tradicionais, não estará o excesso de presença de certos autores, textos e temas em íntima conexão com o olvido ou secundarização doutros autores, textos e temas? E o esquecimento decorrente de opções exageradamente afuniladas não será uma outra forma de censura, velada, sofisticada?
Repare-se no ex. dos suplementos culturais, em escadinha: 1.º vem o espectáculo de massas mais comercial possível (pop, Hollywood, etc.), depois os concertos, as artes plásticas, e, por fim, um cheirinho do restante: a secção dos livros, o teatro, outras músicas, as artes performativas (no caso de estarem todos representados, o que não é garantido). Na secção dos livros, por sua vez, reina, imperial, a ficção (sobretudo o romance, coitado do teatro e do conto), depois a poesia, as biografias, e lá para o fim, envergonhadamente, o ensaio, quase sempre dos mesmos gurus, nativos ou forasteiros. As ciências sociais e humanas é para quando o rei faz anos, ou seja, quando um dos chamados vips decide que chegou a hora de dar mais autógrafos. Será isto um fatalismo luso? E não convirá à democracia e ao espaço público pugnar-se por uma maior diversidade, de temas, autores, textos, ideias, gerações? E será possível dizer que o rei vai nu sem ser em polémicas? Estarão a reflexão de maior fôlego, a criação mais livre e o olhar mais interpelativo condenados a guetos de especialistas e a vida cultural a uma espécie de alinhamento de barraquinhas de diversões? Sem debates, sem polémicas, sem confrontos abertos e circulação abrangente de ideias?
Tb. será óbvia a singularidade autóctene de coexistência de 2 elites, a de 'sangue' e a 'arrivista' ("A única diferença é que em Portugal há dois tipos de elite: uma por direito divino, a qual põe imensa gente a salivar, outra a pulso, tolerada com peso e medida", diz E. Pitta). Dando de barato que esta é uma hierarquização existente, persiste a dúvida: será assim tão óbvio que tudo ocorra no espaço mediático ao arrepio dum mínimo de escrutínio público, será aceitável que a crítica e as opções jornalísticas de fundo não devam passar pelo exame da crítica e do debate de ideias mais generalizado e argumentado? E terá a 2.ª elite que ter tantos entraves pelo caminho?
Aqui ficam, então, questões em jeito de interpelação a todos, correspondendo ao repto de ontem do provedor José Carlos Abrantes ("A arte de perguntar", DN, p. 9).
Nb: cartaz de João Abel Manta («Muito prazer em conhecer vocelências», Bol. Inf. 25 de Abril, 1974, 30x42cm).
ERRATA: Eduardo Pitta corrige hoje, e com razão, um erro meu contido neste post: onde se lê elite arrivista deve ler-se elite que sobe a pulso (termo seu). De facto, não é a mesma coisa, embora estivesse a tentar encontrar 1 sinónimo quando usei aquela expressão. Saí-me mal, mea culpa. Aqui fica a correcção. Quando se escreve de madrugada, correm-se estes riscos.

segunda-feira, junho 26, 2006

Nós "estemos" o nosso valor...

...e quem disser o contrário não sabe o que diz.

Uma barrigada de diversão

O Francisco José Viegas divertiu-se à brava com o Portugal-Holanda, como há muito lhe não acontecia a ver futebol. Gostou do jogo (por agora) porque o facto de «Petit ser agredido é novidade», mas também porque «ver Simão dar quatro voltas sobre a bola antes de marcar uma falta é espectáculo de se ver». Uma pândega, portanto.
Aparentemente, «Scolari aos berros» e «N.S. do Caravaggio» é que o incomodaram um pouco. Confesso que a mim também. Ai saudade que me matas, saudade dos outros seleccionadores nacionais todos, começando por Oliveira e a sua britânica fleuma e impecável trajar, dos dentes de alho e pés de galo nos balneários. E de ganhar jogos... opá que saudades, bons tempos... e que grandes onzes!!
Mas o que me divertiu mesmo no jogo de ontem foi a violência de algumas entradas dos jogadores holandeses e a sua falta de fair-play. Fez-me lembrar um grande senhor do futebol espectáculo - Paulinho Santos - essa grande referência do FC Porto vencedor de 80's e 90's. É verdade, no jogo de ontem o avivar dessa memória divertiu-me como há muito me não divertia. Oh oh, upa upa... uma barrigada de diversão!

Do atrofiamento do espaço crítico nos media mainstream portugueses

Uma das questões centrais implícitas na actual polémica em que estamos envolvidos, a do afunilamento excessivo da crítica livre nos media mainstream lusos, é retomada anteontem por Augusto M. Seabra (AMS), em "A crítica ainda existe? (III)" (Público, sup. Mil Folhas, p. 22). Este texto vai já na 3.ª parte, comprovando que a questão é digna de atenção, ao arrepio das conveniências do sr. Morgado Fernandes e doutros srs. que preferem enterrar a cabeça na areia.
AMS salienta que a "formatação da opinião publicada" ("ou presente no espaço público em geral") em Portugal está em íntima relação com a "diluição dos espaços críticos".
A pretexto de mais um caso de excesso de visibilidade focando um livro dum autor querido do e no Público (VPV), constata a tendência para uma distinção de classes por parte da crítica mainstream relativamente ao seu objecto: "é-me também inaceitável que haja dois níveis distintos, quais «elite» e «plebe», o primeiro sendo inimputável, tendo todos os canais de opinião e eventualmente sobre tudo se pronunciando [...], «elite» que quando publica logo tem a imprensa a seus pés, só à «plebe» se apontando as suas inegáveis faltas". Como ex. limite da 1.ª surge o «oligarca de opinião» Pacheco Pereira, que ecoa a sua opinião em triplicado pela SIC-N/ DN, Público e Sábado, além do blogue.
De seguida, e secundando o provedor José Carlos Abrantes na necessidade de casos como o do livro do sr. Nuno Galopim (DN/«6.ª) serem atribuídos a críticos externos à redacção (ao invés do que sucedeu e que o sr. Morgado Fernandes teima ter sido normal), denuncia a extensão do amiguismo na crítica de imprensa: "verifico ser prática corrente na imprensa portuguesa, e afinal sem diferenças de nível, e até com frequência reiterando a dita «elite» [...], as proximidades aos jornalistas e colaboradores também autores, para além dos casos manifestamente escandalosos em que aqueles acabam por de um modo ou de outro interferir nos modos de edição da «crítica» ao seu trabalho".
Abusando do seu poder e estendendo o papel de mediador a tudo, incluindo à crítica, o discurso jornalístico acaba ele próprio por reforçar o "binómio reiteração/atrofiamento, reiteração de uma opinião formatada e atrofiamento do espaço crítico. [...] O que sucede então, o que está tão gravosamente a ocorrer neste momento? Há uma precedência do discurso jornalístico que ainda mais atrofia a possibilidade de espaços especificamente de crítica qualificada nos próprios «media»".
E AMS conclue recordando o enunciado das 3 questões fulcrais que está analisando: "1) uma marginalização informativa do espaço da cultura, 2) uma informação tantas vezes apressada e pouco trabalhada, que transmite com escasso tratamento os diversos discursos «oficiais» e 3), como corolário, uma secundarização da crítica, desde logo pouco considerada nos orçamentos, favorecendo agendamentos de diversas proximidades imediatas".
Não valerá a pena debater estas questões abertamente e sem preconceitos, em vez de se enterrar a cabeça na areia? É que o espaço público é pertença e construção de todos os cidadãos.
PS: O sr. Morgado Fernandes regressou para mais um dos seus n.ºs de confusionismo, arremetendo não valer a pena continuar a conversa para logo a seguir voltar à carga. Confuso, não é? Em nova tentativa descabida de virar o bico ao prego, quiz fazer-nos crer que o facto de eu ter mencionado a colocação dum link para o blogue de João Villalobos (Corta-Fitas) dinamitaria os meus argumentos. Valerá a pena retorquir-lhe que não, não é amiguismo, eu não conheço a pessoa, quando muito tratar-se-á de afinidades despoletadas por 1 texto relevante e, sobretudo, de uma coisa corriqueira na maioria dos blogues que é a de inserir hiperligações para outros blogues numa barra lateral, coisa que o sr. Morgado Fernandes aristocraticamente dispensa (bem como caixa de comentários), pois paira acima da plebe? Ademais, um blogue até pode ser amiguista, já um jornal tem outras obrigações, pois é suposto que quem o compre tenha direito a uma pluralidade crítica mínima, isenta e distanciada. Mas será que isto é assim tão complicado de aceitar?

O hábito de perder

Apenas umas poucas notas sobre um bravíssimo jogo, daqueles de sangue, suor e lágrimas:

1) desde logo surpresa completa pela forma como os jogadores da «civilizadíssima» Holanda iniciaram o jogo – aquela entrada sobre Cristiano Ronaldo tem um só fito: lesioná-lo; é pois muito mais que anti-jogo, é a negação total do desporto;

2) perdoada a expulsão a Boulahrouz, e enquanto o árbitro deixou haver futebol, tratámos de nos pôr a vencer por 1-0, só que depois veio o descalabro, e toda a gente perdeu a cabeça dentro daquelas quatro linhas;

3) ainda assim uns perderam-na mais que outros; note-se que as expulsões dos holandeses aconteceram por acumulação de amarelos decorrentes de lances violentos, enquanto que as de Costinha e de Deco aconteceram por infelicidades – e se quanto à primeira não há nada a dizer, já quanto à de Deco parece-me forçadíssima;

4) a coragem demonstrada pelo conjunto luso para enfrentar as adversidades durante o jogo é que é pouco usual; até Scolari pegar na equipa essa coragem não existia ou aparecia apenas pontualmente; este é pois o seu mérito: jogos destes, de sangue suor e lágrimas, estávamos nós habituados a perder; e agora já não.

domingo, junho 25, 2006

Memorável tributo a Chet Baker

Ontem à noite decorreu um concerto de homenagem ao músico de jazz Chet Baker, pelo quinteto de Laurent Filipe, no Cabaret Maxime (Pr. Alegria, Lx.). A sessão foi memorável, aqui fica uma nota para quem possa estar interessado numa próxima oportunidade. Mais informação e música do trompetista Laurent Filipe tocam no respectivo site.

sábado, junho 24, 2006

João Morgado Fernandes no país dos avestruzes

O sr. João Morgado Fernandes (afinal não é dr., peço desculpa pela ofensa no post anterior) dignou-se descer do seu pedestal e nomear com quem estava a polemizar, e lá foi nova cartuchada para cima de mim e doutra pessoa, o João Villalobos, que, tendo-o entretanto criticado por fugir com o rabo à seringa, passou tb. automaticamente a ser um sinistro académico anti-imprensa.
A estratégia do sr. Morgado Fernandes repete-se: mandar areia aos olhos dos outros para evitar falar do assunto incómodo. Vamos por partes. Mantém implícito que só o director do DN pode escolher os livros a recensear, como se fosse um universal adquirido. Quanto ao conflito de interesses, nem uma palavra sobre o que disse o próprio Provedor do DN que, relembre-se, julgou as críticas de leitores sobre este caso (incluindo a de 1 jornalista prestigiado, Jorge P. Pires) merecedoras não só de 1 página inteira da sua coluna como de recomendações implícitas baseadas em casos alheios. Sobre isto, o dir.-adj. do DN prefere enfiar a cabeça na areia, qual avestruz.
Eu não disse que os media não eram plurais ou que eram corporativos, mas sim que alguns jornalistas e alguns media em certas situações tomavam atitudes corporativas e amiguistas. É bastante diferente, convenhamos. Para desviar novamente atenções, lança-se num ataque de amnésia selectiva: "Eu não consigo lembrar-me de nenhum caso em que os media (um media...) tenha silenciado deliberada e sistematicamente uma opinião, um gosto estético, uma parte interessada (quererá o Daniel dar exemplos?)". Quero, com mt. gosto. E que tal a censura nos órgãos estatizados durante o governo soarista (ele próprio o admitiu já publicamente), que colocou várias pessoas na «prateleira» e abafou programas como a «Grande Reportagem»? E o duplo afastamento do Joaquim Vieira, 1.º do Expresso (caso Melancia/ fax de Macau), depois da vossa revista Grande Reportagem? E o caso João Carreira Bom (no Expresso)? E o caso Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, por pressão política do PM de então? E o défice de debate político e de reflexão nas tvs? E a excessiva concentração, não só dos media, como da opinião publicada/ expressa entre políticos-comentadores (Vitorino, Rebelo de Sousa) e jornalistas-opinadores-comentadores? Enfim, para escolha de censuras várias, já não tão directas como na ditadura (não é preciso nem possível, imagine-se lá porquê) recomendo uma visita ao blogue dum dos maiores especialistas portugueses em media, Francisco Rui Cádima, ao blogue Jornalismo e Comunicação e, tb., a textos do João Pedro George como este.
Afirma ainda que: "No caso dos media - e as cartas aos leitores e aos provedores são bons exemplos - a arrogância de quem critica é geralmente enorme". Discordo em absoluto: essa visão dos leitores como perseguidores de jornalistas beatificados não cola, aliás, basta perguntar aos provedores a sua opinião e ver o que se pode aprender nas colunas respectivas, até em termos de pedagogia democrática.
Além de frases enigmáticas delirantes, diz que só digo "generalidades". Sabe que isso é falso. Atenho-me a casos muitos concretos de possível conflito de interesses (3), e dou exemplos concretos quanto a filtragem excessiva de opinião (o meu e o do Carlos Leone, mas quem quiser pode ver outros exs. no Esplanar e noutros blogues, é só uma questão de procurar).
Diz tb. que acha que tudo isto é inveja por baixas vendas e falta de coluna no jornal, que não o levamos na cantiga. Engana-se redondamente: 1.º, pagam-me para produzir ciência e não para vender livros; 2.º, já tenho trabalho de sobra. Tê-lo-á tb. irritado eu ter aproveitado para referir que esta polémica seria atenuada se o sup.º «6.ª» fosse bom, o que não ocorre; como os leitores não dormem na forma, sabem de termos de comparação: porque é que o DN não tem 1 sup.º cultural digno desse nome como têm o El País, o The Guardian, o Le Monde, ou não desdobra o «6.ª» em 2, como faz o Público («Y» e «Mil Folhas«)?
Há muito mundo no DN, e muito mais para além dele, mas se o sr. Morgado Fernandes prefere viver no País do Faz-de-Conta isso é lá consigo. Não queira é que os outros tb. enfiem a cabeça debaixo da areia, como o avestruz.

O nosso anjo da guarda

Faz este mês 22 anos que faleceu precocemente um dos músicos portugueses mais originais de sempre. Foi um anjo que passou por cá nos anos 80, inovador e provocador terno, juntando tradição e modernidade como poucos (só para citar os mais consensuais: Amália, Carlos Paredes, José Afonso e Fausto). Entretanto, foi criado um site de homenagem, onde passa a sua música. São vários os blogues que o evocam, o que é merecido. Deixo-vos com uma canção apropriada para tirar o peso da consciência qt. a ressacas e outros pecadilhos. Há outras letras ainda melhores, como a de «Mais além», mas, estando apenas este filmito disponível, amanhem-se.
António Variações - «O corpo é que paga» (1983)

O corpo é que paga
Quando a cabeça não tem juízo
Quando te esforças
Mais do que é preciso
O corpo é que paga
O corpo é que paga
Deix'ó pagar, deix'o pagar
Se tu estás a gostar...

Quando a cabeça não se liberta
Das frustações, inibições
Toda essa força, que te aperta
O corpo é que sofre
As privações, mutilações

Quando a cabeça está convencida
De que ela é
A oitava maravilha
O corpo é que sofre
O corpo é que sofre
Deix'ó sofrer, deix'ó sofrer
Se isso te dá prazer...

Quando a cabeça está nessa confusão
Estás sem saber que hás-de fazer
E ingeres tudo o que te vem à mão
O corpo é que fica
Fica a cair sem resistir

Quando a cabeça rola p'ró abismo
Tu não controlas esse nervosismo
A unha é que paga
A unha é que paga
Não paras de roer
Nem que esteja a doer...

Quando a cabeça não tem juízo
E te consomes, mais do que é preciso
O corpo é que paga
O corpo é que paga
Deix'ó pagar, deix'ó pagar
Se tu estás a gostar...
Deix'ó sofrer, deix'ó sofrer
Se isso te dá prazer...

sexta-feira, junho 23, 2006

Por uma política do consumo

Interpretar os efeitos da globalização económica a partir de uma relação linear oferta/procura, é fazer simples uma realidade cada vez mais complexa. Tem sido apanágio da direita liberal simplificar o mundo para que este se torne óbvio e inquestionável. Cabe, por isso, a uma certa esquerda construir uma outra visão do mundo e não ir a reboque daquilo que parece inevitável. Em pleno séc. XIX ninguém imaginaria que uma das conquistas “inevitáveis” do século seguinte fosse o Estado Social. E tornou-se inevitável porque a vontade colectiva assim o decidiu.
Neste sentido, considero, como já referi noutras alturas, que existe uma outra relação que organiza qualquer sistema económico nas suas diversas escalas: produção/consumo. Para além de estritamente económica, esta relação é eminentemente política. Sobreposta à decisão de produzir um dado produto em condições claras de exploração, manifesta-se a decisão de poder consumir (ou não) esse mesmo produto. Esta última representa uma decisão essencialmente individual que deriva fundamentalmente de uma consciência da singularidade do sujeito perante o Mundo, como refere Albert Camus (citado no post anterior). A assunção dessa singularidade representa a expressão mais determinante da liberdade individual (esta não é somente concretizável no mercado como nos contam os liberais).
Numa sociedade cada vez mais individualista, os movimentos sociais tendem a resultar da agregação das decisões e interesses individuais. As classes sociais perderam o seu colectivo, tornaram-se meramente estatísticas. O movimento em massa de uma política de não consumo pode perturbar e inverter o rumo da exploração.
Os cegos do mercado gritarão contra todos os ventos que o resultado desses movimentos levará ao fecho das multinacionais dos países do 3º mundo, e que o desemprego aumentará e o investimento diminuirá… Será assim?
Penso que essa é mais uma das falsas inevitabilidades que nos querem atirar para os olhos e, não nos esqueçamos, os cegos são eles. Tenho sérias dúvidas que seja assim. Os custos das deslocalizações não são propriamente reduzidos, e as multinacionais não podem estar eternamente a deslocalizar. Se os Estados forem eficazes na definição dos deveres e direitos das (des)localizações, talvez as multinacionais pensem duas vezes antes de saírem para outras bandas. Se uma política de não consumo continuar a incidir sobre a empresa, não serve de nada esta deslocalizar-se. Teria de optar por mudar algumas das condições de produção. Será isto uma utopia? Talvez… mas não valerá a pena tentar?

Debate entre esquerda

A seguir aqui.

Do baú da esquerda (6)

A liberdade real não se desenvolveu proporcionalmente à consciência que dela o homem adquiriu. Desta observação apenas se pode deduzir o seguinte: a revolta é o feito do homem informado, que possui a consciência dos seus direitos.
(...) O primeiro progresso de um espírito impressionado com a sua singularidade consiste portanto em reconhecer que partilha essa mesma singularidade com todos os homens e que a realidade humana, na sua totalidade, sofre com essa distância relativa a si própria e ao mundo.
Camus, O Homem Revoltado.

Boa Propaganda sim!

Propaganda - «Duel» (Duel, 1985)

Aqui vai uma música de culto duma banda de culto, para um excelente fim-de-semana!!
Deixo-vos tb. a letra, para poderdes acompanhar devidamente:

«Duel»
Eye to eye stand winners and losers
hurt by envy, cut by greed
Face to face with their own disillusions
The scars of old romances still on their cheeks.
And when blow by blow
the passion dies sweet little death
just have been lies.
Some memories of gone by times would still recall the lies.

The first cut won't hurt at all
The second only makes you wonder.
The third will have you on your knees
You start bleeding I start screaming.

It's too late the decision is made by fate
Time to prove what forever should last.
Whose feelings are so true as to stand the test?
Whose demands are so strong as to parry all attempts?
And when blow by blow
the passion dies sweet little death
just have been lies.
Some memories of gone by times will still recall the lies.

The first cut won't hurt at all
The second only makes you wonder.
The third will have you on your knees

You start bleeding I start screaming.

The first cut won't hurt at all
The second only makes you wonder.
The third will have you on your knees
You start bleeding I start screaming.

The first cut won't hurt at all
The second only makes you wonder.
The third will have you on your knees
You start bleeding I start screaming.

quinta-feira, junho 22, 2006

Da incapacidade de certo jornalismo de aceitar a crítica

Não, dr. João Morgado Fernandes, a polémica em apreço não é sobre o acesso aos media, finta para a qual tenta desviar as atenções, mas sim sobre a possibilidade de terem ocorrido conflitos de interesses em alguns casos recentes no jornalismo cultural e político português, 2 deles envolvendo o seu jornal (DN), questão novamente levantada pelo João Pedro George, secundado por Jorge P. Pires, Eduardo Pitta, João Pedro Henriques, Carlos Leone e eu próprio (vd. links aqui). A minha opinião está aqui e aqui, tendo neste último post aproveitado para referir o grau exagerado de filtragem existente na imprensa lusa, sintoma para mim evidente de conservadorismo opinativo e político das elites lusas e de falta de capacidade de debate. Por isso, não é de admirar que vários jornalistas tenham que se 'sacrificar' para, simultaneamente, dar notícias, comentá-las em colunas de opinião ou crónicas, fazer blogues, recensear livros dos amigos, opinar sobre os outros e escrever livros! É que não há mais ninguém no planeta Terra, coitados...
No seu novo post, em mais um gesto corporativo, diz o seguinte: "Ele há gente - é a sério, li há dias num blogue - que questiona a legitimidade dos directores para definirem os conteúdos que os seus jornais publicam (!!!)".
Sendo esta atoarda demagógica dirigida a mim (embora não o diga, claro, um dir.-adjunto não pode misturar-se), devo dizer-lhe o seguinte: se numa instituição está tudo concentrado numa pessoa isso é centralismo, dirigismo. A democracia implica descentralização de responsabilidades, daí os jornais desdobrarem competências por subdirectores, editores, chefes de redacção, etc.. Mas, pelos vistos, isto é muito vanguardista aí no DN, mas só para livros, estou a ver.
Quanto a conluios académicos anti-imprensa, falha totalmente o alvo, até porque Jorge P. Pires e JPH são jornalistas, além do Provedor do próprio DN, José Carlos Abrantes, que tb. se pronunciou e até sugeriu correcções, pelos vistos caídas em saco roto. Se há "capelinhas universitárias" em Portugal? Por cá há capelinhas em todo o lado, agora, partir daí para insinuar dependências materiais entre os académicos que estão nesta liça ("Não haverá capelinhas universitárias? Dependências mesmo? Interesses económicos até?") fica-lhe muito mal, pois sabe melhor que eu que o assunto não tem nada a ver com isso. Aliás, somos todos de instituições distintas e concorrentes, e não bebemos bica juntos. Mais: quem se expõe deste lado da polémica corre até o risco de ser prejudicado pessoalmente caso haja maus fígados do outro lado, como tb. muito bem sabe. As suas fintas são só para desviar a atenção, não é?
No último par.º usa mais um truque demagógico: não questionem os media clássicos, nós não cometemos erros, vão mas é escrever para a blogosfera. Ora, a questão não é essa, mas sim tomar a imprensa de referência como um dos eixos do espaço público, e, consequentemente, um dos mais susceptíveis de serem investidos criticamente pela opinião pública e pela cidadania informada e democrática. Daí a crítica exigente não só da política como da imprensa, etc., mas tb. o recurso à imprensa para construir o debate informado (muitas vezes recorri ao DN para enquadrar e aprofundar certos assuntos, e vou continuar a fazê-lo, independentemente de achar que o DN e alguns seus responsáveis estão a errar nesta questão). Tão-só isto.
Por cá, algum jornalismo assemelha-se à magistratura: tem muita dificuldade de aceitar a crítica. Tudo previsível. Só não percebo uma coisa: se acha a opinião de pessoas como eu inútil ("Enfim, uma carreira de dislates com as quais obviamente não se deve perder tempo."), porque é que perde tempo em réplicas?

Avaliação dos profes (ontem e hoje)

nb: cartoon de autor anónimo.

Do baú da esquerda (5)

A questão da habitação só poderá resolver-se quando a sociedade estiver suficientemente revolucionada para empreender a superação da oposição entre cidade e campo levada ao extremo na sociedade capitalista actual. A sociedade capitalista longe de poder superar esta oposição, tem, pelo contrário, agudizá-la cada dia mais.
Engels, Para a Questão da Habitação.

Do baú da esquerda (4)

Com a valorização do "mundo das coisas" cresce a desvalorização do "mundo dos homens" em proporção directa. (...) Na religião é igualmente assim. Quanto mais o homem põe em deus com tanto menos fica para si próprio.
Marx, Manuscritos Económico-Filosóficos de 1844.

quarta-feira, junho 21, 2006

«Os filmes libertam a cabeça»

...é o nome, apropriado, da retrospectiva dedicada ao cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder (1945-1982), iniciada no dia 15 e que durará até 8 de Julho, na Malaposta (e tb. no Quarteto), numa parceria do ABC Cine-Clube de Lisboa e do Göethe Institut.
Fassbinder foi um cineasta maldito que lembra Pasolini, na sua radicalidade relativamente à política, à sociedade e à sexualidade.
São os 12 filmes escolhidos, donde não consta Querelle, mas há muitos outros a revisitar ou a descobrir, com algumas sessões comentadas por estudiosos. Programa completo aqui.
ADENDA: vale a pena visitar este sítio específico.

Do baú da esquerda (3)

A burguesia submeteu o campo à dominação da cidade. Criou cidades enormes, aumentou num grau elevado o número da população urbana face à rural, e deste modo arrancou uma parte significativa da população à idiotia da vida rural. Assim como tornou dependente o campo da cidade, [tornou dependentes] os países bárbaros e semibábaros dos civilizados, os povos agrícolas dos povos burgueses, o Oriente do Ocidente.
(...) Para se poder oprimir uma classe, têm de lhe ser asseguradas condições em que possa pelo menos ir arrastando a sua existência servil.
Marx e Engels, Manifesto do Partido Comunista.

Revista de blogues

A Fraude do Alqueva (parece que está em cima da mesa +1 projecto «estruturante» com 22500 camas e um punhado de campos de golfe, junto à barragem; a acompanhar com preocupação).

Da vaidade (como é possível ser-se tão demagógico? mais um exemplo de corporativismo reactivo no jornalismo luso, assente no desvio de atenções, neste caso um estrebuchar soez e anti-intelectual, como modo de evitar debater o assunto que está na mesa; tanta incapacidade para aceitar a crítica externa à corporação dá que pensar, só o elogio ou a ausência de debate servem?).
PML (texto delicioso que narra o atribulado parto do novel Partido do Marxismo-Liberalismo; eis um cheirinho: "A base ideológica, a cartilha, é uma mistura de messianismo imanente —a componente marxista— e de triunfalismo pseudo-darwiniano do individualismo —a componente 'liberal'. Com aspas porque na verdade trata-se de uma deturpação da gramática política.").
Um Português Suave (o ministro da Saúde de volta e em grande forma, agora contra o Observatório da Saúde, prosseguindo a sua cruzada liberalizadora a 7 ventos).

Anatomia da crítica-entretenimento, ou a crítica na era das audiências

Aproveitar as polémicas para aprofundar questões sérias é tb. o lema de Carlos Leone, que acaba de publicar no Esplanar 2 excelentes textos (I e II) sobre o papel da crítica na era do entretenimento, focando a distinção entre crítica e moda e historiando o papel da crítica.
A lógica do entretenimento e da moda, a pressão dos anunciantes e o facilitismo dificultam a existência, na imprensa lusa, duma crítica mais solta e plural, exterior às próprias redacções. Seja como for, a questão aqui é outra: será que os responsáveis desses jornais estarão mesmo interessados nesse tipo de crítica desconectada da lógica do entertenimento? Quererão mesmo trabalhar a construção de públicos, o diálogo e o encontro com leitores interessados e exigentes?
A ocasião é bem aproveitada por Leone para dar novo exemplo de como os directores de diários nativos têm como desporto predilecto 'filtrar' pessoalmente os textos de opinião dos leitores, não vão passar argumentos incómodos (i.e., preocupados com a verdade dos factos...).
Também eu tive uma experiência similar quanto a um texto de opinião sobre a descaracterização identitária na Fundação Gulbenkian (a articulação entre uma fundação de serviços e de subsídios estava e está sendo desfeita pela fixação no 2.º vector), a propósito da extinção do Ballet Gulbenkian, no Verão passado. Em todos os jornais que contactei a decisão subia ao director (sendo que uns estavam desinteressados, outros em banhos), excepto no DN, e foi aí que saiu (lamentavelmente, os textos dos leitores não constam do site do DN). Ironias da História... A César o que é de César.
Estes directores são os mesmos que batem no peito a propósito de discricionaridades e intromissões do poder político, da censura do antigamente, etc.. É engraçado, não acham?
Nb: Leone é autor de Portugal extemporâneo: história das ideias do discurso crítico moderno (séculos XVI-XX), INCM, 2006, 2 vols. (um prévio resumo pode ser lido aqui).

Do baú da esquerda (2)

Servir de contrapeso à força pública, equilibrar o Estado, por este meio assegurar a liberdade individual: tal será pois, no sistema político, a função principal da propriedade... A propriedade é o contrapeso natural, necessário, da força pública. A força do Estado é uma força de concentração; dêem-lhe livre curso e toda a individualidade em breve desaparecerá, absorvida na colectividade.
Proudhon, A Nova Sociedade.

terça-feira, junho 20, 2006

Ségolène Royal e a agenda progressista

A candidata socialista ao Eliseu mudou de opinião quanto aos casamentos entre homessexuais e é agora a favor. Só lhe fica bem. Há uns anos atrás, também eu deitei para trás das costas a questão do folclore e da reificação da norma. O casamento nada me diz, tout court, mas cabe a cada um decidir o que pretende da sua vida íntima.
E você, quanto tempo mais vai precisar para mudar de ideias?
Por cá, enleámo-nos em 'paridades' de 30%, enterrámos a IVG e mandámos às malvas a não discriminação na questão da procriação medicamente assistida. É a modernização à portuga, assim tipo 40 anos desfasada. Para não ferir susceptibilidades. Mas serão estas legítimas, foram sufragadas?

Os narcisos na Feira Popular plastificada

Após ter escrito sobre o novo despontar de narcisos, eis que leio no DN as explicações do director ao provedor sobre esta precisa polémica, as quais, embora atenuem a dimensão do problema, não o afastam de todo, tal como deixa implícito o próprio provedor.
Da coluna de José Carlos Abrantes saem 3 ilações que causam perplexidade e mostram o estádio evolutivo do espaço público luso: 1.º) o director do DN acha que lhe cabe dar indicações directas sobre os livros a recensear na secção cultural do mesmo, quando tal deveria ser responsabilidade do editor específico ("A direcção editorial da revista é pois da responsabilidade da direcção do DN, que assume por inteiro"); 2.º); o director acha que todos os livros de todos os jornalistas do DN têm de ser recenseados no seu jornal, qual prerrogativa régia imune ao valor real da obra ("Quando um jornalista escreve um livro, potencialmente objecto de notícia, coloca-se sempre a questão delicada sobre o que fazer com ele no seu próprio jornal. Há duas hipóteses: ou se ignora, o que não será justo, ou se aborda com um reforçado escrúpulo."); 3.º) a não aplicação no DN dos mecanismos de salvaguarda de conflitos de interesses referidos pelo provedor (baseados em experiências alheias), apesar do seu elementar bom senso (não ficará assim diminuída a autoridade dos media para vigiarem incompatibilidades dos políticos ou doutras profissões?).
Há quem ache tudo isto normal, há quem cinicamente assevere ser assim em todo o lado (se o fosse então não haveria nem bom nem mau, nem melhor nem pior), há quem recuse oportunidades para afinar mecanismos de salvaguarda, mostrando que, por cá, os conservadorismos e elitismos estão mais enraizados do que pareceria à 1.ª vista.
Se o sup.º «6.ª» fosse muito bom, isto até seria menos questionado. O problema é que não tem qualidade suficiente, é um mostruário descartável da indústria cultural mainstream, inundado de pop-rock para adolescentes e de toda a banhada de Hollywood, sobrando um espacinho envergonhado para o teatro e os livros (e, mesmo estes, quantas vezes submersos por literatura pimba ou 'amiguista'). Há uns meses que me interrogo sobre esta experiência falhada: mas quem é que eles julgam que são os leitores de suplementos culturais? Os adolescentes do copianço, das praxes e dos festivais da desbunda? É isso?
Fizeram estudos, inquéritos? Preocupam-se, ao menos, com o reforço do espaço dos leitores e da qualidade dos conteúdos? E uma maior diversidade de tendências, secções, géneros, colaborações, periodicidades, diz-lhes alguma coisa?
PS: dito isto, o DN continuará a ser o meu diário nacional, vou deixar é de o comprar num certo dia da semana, bem como noutro dia que tem um outro suplemento, este abominável e que me dispenso de referir, toda a gente sabe qual é.

Do baú da esquerda (1)

Todo o direito consiste na aplicação duma regra única a pessoas diferentes, a pessoas que, de facto, não são nem idênticas, nem iguais. Por isso, o "direito igual" equivale a uma violação da igualdade, a uma injustiça. Com efeito, cada um recebe, por parte igual de trabalho social fornecido por si, uma parte igual do produto social. Ora, os indivíduos não são iguais. Um é mais forte, outro é mais fraco; um é casado o outro não; um tem mais filhos do que outro, etc.
Lenine, O Estado e a Revolução.

segunda-feira, junho 19, 2006

Eu fui ao jardim Celeste

Regressado de pequena ausência quinzenal, pensando já estar sincronizado com o rame-rame indígena, eis senão quando dou com nova pedrada no charco do João Pedro George, tinha que ser ele a detectar mais borrada (todos nós já deixamos andar isto, mesmo as coisas mais descabidas...).
Lidos os seus desenvolvimentos e desdobramentos noutros blogues (por Jorge P. Pires, JPH e Eduardo Pitta), eis o que de momento me ocorre:

Eu fui ao jardim celeste
(música popular, original francês, adaptada para Tugolândia-2006 D. C.)
Eu fui ao jardim do Céu, giroflé, giroflá
Eu fui ao jardim celeste, giroflé, flé, flá.

O que foste lá fazer? giroflé, giroflá.
Fui lá buscar uma prosa, giroflé, flé, flá.

Para quem é essa prosa? giroflé, giroflá.
É p'ró menino Galopim, giroflé, flé, flá.

domingo, junho 18, 2006

Animar, assistir, mediar, apoiar, substituir, avaliar...

«Quem escreveu o novo estatuto da carreira docente conseguiu introduzir um artigo que liquida toda a capacidade de avaliação dos professores. Trata-se do artigo sobre o conteúdo funcional da docência (32º-2), aquele que estipula quais são as funções dos professores. E as funções dos professores deixaram de ser "ensinar". (...) Aliás, curiosamente a palavra "ensinar" não aparece uma única vez no documento, que tem 55 páginas».
Entrevista a Nuno Crato,
Revista Pública (18-06-2006)

sábado, junho 17, 2006

Pérolas da história do cartoon português

- E desta imagem, quem se lembrava?
- Os mais novos, ora quem!
- Outros gostarão mais de guardar o tempo incómodo na gaveta da memória turva.
- Isso não será má-língua?
- Virá aviado em genérico ou é totalmente comparticipado?
Nb: os restantes 5 autocolantes desta série do Zé Dalmeida podem ver-se no blogue TóColante.

sexta-feira, junho 16, 2006

A pedra de Sísifo também era moderna

A esquerda que se quer moderna tem, antes de mais, de romper com o discurso recorrentemente recente sobre uma modernidade eternamente tardia.

Impressões de Londres II: o espantoso mundo do cartoon

Para o fim fica a melhor parte, ou seja, a referência a um novo espaço do cartoon em Londres, The Cartoon Museum, que abriu em Fev.º deste ano. Fica próximo do British Museum, tem biblioteca especializada, ateliers, mostra permanente e 2 temporárias. Destas (Marte no cartoon, a bd britânica) não gostei muito, mas a permanente vale o bilhete. Além da presença duma incrível máquina em acção do extravagante Rowland Emett (1906-90), conta-se a história do cartoon (sobretudo o inglês), desde William Hogarth (1697-1764) até ao ácido Steve Bell (n.1951). Dos trabalhos expostos destaco ainda os relativos a James Gillray (1756-1815), John Leech (1817-64, autor do 1.º cartoon da história, «Substance and shadow», os pobres vendo os retratos dos ricos num museu...hoje é a classe média...), David Low (1891-1963, autor do célebre «All beyond you, Winston [Churchill], 1940, com o governo de coligação marchando, alinhado a seu lado e por detrás), Paul Crum (1906-42), Pont (1908-40), o fantástico Carl Giles (1916-95), Ronald Searle (n.1920, que lembra o nosso Augusto Cid), o acutilante Ralph Steadman (n.1936, que lembra o nosso Vasco de Castro: vd. imagem, tal como Gerald Scarfe), Chris Riddell (n.1962) e David Levine (n.1926).
Para 2006 estão previstas mostras sobre a London Life (vd. o cartoon dos soldadinhos insufláveis de Sua Majestade, do gozão H. M. Bateman, 1887-1970), uma antológica dedicada ao imensamente terno Mel Calman (1931-1994; abre a 6/IX; vd. aqui «Hapiness») e outra sobre os 45 anos da revista satírica Private Eye.
Próximo fica tb. The Political Cartoon Gallery, só com 1 mostra temporária e o aperitivo da zona de bebidas pintada por Steve Bell.
E assim fica desenhado um pouco do invejável itinerário londrino do cartoon. E por cá, de que se espera para criar um espaço dedicado aos nossos novos Bordalos, para além do museu quase invisível que existe em Sintra?
PS: obra de ref.ª a comprar - John Geipel, The cartoon. A short history of graphic comedy and satire, Londres, David and Charles.

quinta-feira, junho 15, 2006

Figuras de estilo

A "esquerda moderna" será um eufemismo de socialismo ou será um pleonasmo?
...
Uma hipérbole não é certamente.

quarta-feira, junho 14, 2006

Sindicatos à deriva

O sindicalismo está em crise e em Portugal está na rua das amarguras. É com algum desconsolo que assisto às justificações bacocas de Paulo Sucena sobre a oportunidade da marcação da greve de professores entre dois feriados. Não se percebe como é possível tanta inépcia e tanta ausência de estratégia. Os dirigentes da Fenprof estão desnorteados, é hora de se irem embora e de deixarem espaço para alguma renovação, nem que seja uma renovação geracional (já é alguma coisa!). Esta greve só teve um resultado palpável: contribuiu ainda mais para a fragilização dos professores obstruindo de vez a já limitada capacidade de reivindicação.
Depois de uma greve no início de ano lectivo que saiu completamente gorada, a propósito do aumento dos anos de reforma, esperava-se algum tacto por parte dos sindicalistas. A próxima jornada de luta teria de ter sucesso. O ambiente era relativamente favorável: a equipa ministerial foi ao longo das últimas semanas alvo de críticas de vários sectores. Contudo, a Fenprof jogou mais uma vez pelo seguro e contou com os professores absentistas para garantir algum sucesso da greve (é típico do movimento sindical, desde que me lembre as greves têm sido sempre coladas a feriados ou a fins-de-semana). Mas não garantiu nada, pelo contrário, o regatear de percentagens não vale nada, o encerramento de uma escola só cria mal-estar e o seu impacto circunscreve-se ao bairro ou à comunidade local.
A greve pela greve só gera ruído e o ruído é efémero, vai com o vento. Pouco fica desta jornada de luta senão a desconfiança sobre o seu oportunismo político. Como disse a Ministra, e neste aspecto pôs o dedo na ferida, o calendário dos sindicatos parece ser determinado pelo interesse partidário. E assim se brinca com as aspirações dos professores que só perdem com este ping-pong estéril e histérico. Para esta situação se modificar era necessário uma alteração profunda no papel do trabalhador sindicalizado: não chega pagar as cotas, usufruir dos descontos e servir de pau mandado na altura das manifestações.

Triste efeméride

Proponho que o 14 de Junho passe a assinalar o Dia Nacional do Suicídio Sindical.

terça-feira, junho 13, 2006

Impressões de Londres

Parques, museus, teatro e comércio é o melhor que há na buliçosa Londres.
É exemplar o modo como os ingleses usufruem dos seus parques: aí tudo se faz, desde desporto, piqueniques com champagne, concertos, teatro, banhos de sol...
Na capital salientam-se o panorâmico Greenwich, o elegante eixo Kensington Gardens/ Green Park/ Hyde Park/ St. James Park, o bucólico Hamstead Park e o 'sulista' Kennington Park, território conquistado pela Little Portugal para a sua festa do Dia de Camões e das Comunidades. É uma das festas mais importantes de Londres.
Nos museus, destacam-se 4 exposições, em 1.º, The Holocaust Exhibition. É uma viagem pelas trevas, que nos deixa com um nó na garganta. As secções são identificadas cenograficamente: início com paredes de tijolo a simular lojas de judeus marcadas com a estrela e os ghettos; segue-se depois 1 túnel-carruagem de comboio rumo ao campo de concentração; finaliza numa sugestão de campo de extermínio, com os pertences das vítimas empilhados tal como na separação que os nazis faziam: botas, escovas de dentes, as roupas às riscas, tudo corroído pelo tempo e a infâmia. Os textos são incisivos e nada fica de fora. Há depoimentos áudio e vídeo de sobreviventes, e imagens da época. É de 2000, já teve 1 milhão e 600 mil visitas, prémios e a certeza de ser 1 das melhores mostras de sempre. O cat.º geral esgotou entretanto, só resta o escolar.
Segue-se a magnífica exposição Undercover Surrealism, que nos revela o olhar de Georges Bataille sobre a arte e o seu tempo, através dum repensar do legado da revista que dirigiu em 1929/30, a Documents. Um legado construído em parceria com pintores como Picasso, Miró, Masson e Dali, escultores como Giacometti (e a arte tradicional africana), e fotógrafos como Boiffard, Eli Lothar e Blossfeldt. Breton excomungou-o da igreja surrealista, mas nem assim conseguiu apagar a pertinência e profundidade do seu contributo. Que o diga Julião Sarmento, que aí irá falar sobre a influência de Bataille na sua obra.
A propósito de surrealismo, a Tate Modern reabriu reformulada e nela a sua excelente colecção surrealista surge agora em lugar central e melhorada, com 4 filmes excepcionais em projecção contínua e integral: Entr'acte (René Clair), Un chien andalou (L. Buñuel), L'étoile de mer e Emak Bakia (Man Ray). O surrealismo está na moda e o Centre Georges Pompidou prepara 1 mostra antológica... Ah, tb. há 1 mostra de Modernism (design, 1914-39) no Victoria & Albert Museum e outra no IWML, sobre Great Escapes... nem de propósito!
No teatro, onde Shakespeare é sagrado, há que elogiar a encenação de Mike Leigh para Two thousand years e as atribulações tragicómicas de 3 gerações de judeus londrinos. Sobre lojas e lojinhas, não vale a pena rezar missa ao vigário, a malta da Tugolândia sabe-la toda.

segunda-feira, junho 12, 2006

Felizmente a rua ainda é um espaço sujo...

...quando deixarmos de poder sujá-la, deixará de ser um espaço público.

domingo, junho 11, 2006

cinco notas


1) é bom saber que temos «o capitão» de novo em forma. Fica a expectativa de ver Deco ao seu lado e a certeza de que por aqui estaremos garantidos. Ou seja, com estes dois em forma, Simão, Pauleta e Cristiano até poderiam ter pernas de pau;
2) a exibição foi má?, sim, foi; ainda assim, de grandes exibições coroadas com derrotas ou empates ando eu farto - por isso venham mais sete jogos merdosos tipo este arrematados por 1-0 que eu não me importo puto (é certo que a minha úlcera não pensa o mesmo);
3) Angola não é adversário que ponha dificuldades?; pois não, mas isso não nos deve preocupar. Com estes rapazes que envergam a camisola das quinas a coisa funciona assim - quanto mais fácil o adversário menos eles jogam. Veremos uma exibição muito melhor frente ao México, por exemplo;
4) sobre o meio campo defensivo gostaria de dizer qualquer coisa, mas como houve três diferentes nem sei por onde começar, o que a bem dizer já diz quase tudo;
5) Angola não mostrou muito; espero sinceramente que face ao México possam de facto surpreender, vencendo-os, e que depois face ao Irão confirmem a qualificação. Deixariam este pobre escriba muitíssimo satisfeito.

sexta-feira, junho 09, 2006

A partir de hoje, o Mundo a seus pés


Jornada de luta por uma semana extra de férias

Ordenamento em debate

Desde o mês passado que se encontra em discussão pública um importante documento para o ordenamento territorial do país: o PNOPOT. Estranhamente, ou talvez não, a comunicação social praticamente não tem dado relevo a este plano nacional, que faz um levantamento exaustivo dos problemas do ordenamento e aponta eixos claros de acção e de intervenção. Podem consultá-lo neste site, construído de raiz para promover o debate alargado.
O PNOPOT é um programa geral que encara o país como uma unidade base, apesar de identificar os problemas e os desafios com que se deparam as várias regiões. Para além deste plano, a Lei de Bases do Ordenamento do Território, prevê a elaboração de planos regionais (PROT), de planos intermunicipais (PIOT) e de planos municipais (PDM). É uma estrutura de gestão territorial, que, em princípio, foi definida tendo em conta a implementação de um sistema intermédio de poder administrativo: as Regiões. Neste sentido, tenho algumas dúvidas sobre a eficácia operacional desta estrutura sem se equacionar, simultaneamente, o processo de regionalização. Sem ele corremos o risco de ter muitos planos excelentemente elaborados, mas carentes de uma plataforma administrativa que os possa pôr em prática.

quinta-feira, junho 08, 2006

Cartel decidiu liberalizar

As perguntas difíceis continuam...

Conversa na esplanada enquanto devorava um gelado (o velhinho Epá que agora dá direito a umas pastilhas minúsculas, ao invés daquela pastilhona, de outros tempos, que nos enchia a boca de balões):
- Pai, como é que os meninos vão para dentro das barrigas das mães?
- Então filho, não te lembras da estória da sementinha que já te contámos...
- Sim, mas não percebo!
- Não percebes o quê?
- Como é que a semente lá entra, como é que ela vai parar à barriga?!?

quarta-feira, junho 07, 2006

E para estes? Talvez um apertão de orelhas.

Efeitos secundários provocados pela clausura

Ó Martim, dê cá um beijinhooou

Na maior parte das situações tento ser uma pessoa tolerante. Mas há coisas que ultrapassam a nossa tolerância e irritam tremendamente. Uma dessas coisas virou praga e afecta, cada vez mais, os pais e as mães deste país. No início (finais da década de 80) circunscrevia-se à zona da Linha de Cascais e era uma imagem de marca das satirizadas “Tias”. Agora deixou de ser sátira e passou a ser uma prática generalizada que se ouve na maior parte dos espaços ao ar livre onde brincam crianças como os jardins, as praias, etc. Refiro-me a um modo de falar que, para além que conter uma entoação irritante, utiliza sistematicamente a terceira pessoa do singular no diálogo com os outros, nomeadamente, com os filhos, tipo: “você venha cá”, “dê cá um beijinho”, “menino não faça isso”… Não suporto ouvir estas e outras expressões similares. A linguagem deve expressar o tipo de relacionamento que temos com as pessoas. Se as relações entre pais e filhos são por natureza próximas e afectivas, porquê envolvê-las em formas verbais que denotam um maior formalismo e distanciamento? Tratar uma criança (filho, neto ou sobrinho) por “você” é um atentado às relações humanas e o reflexo de um “pseudo-novorriquismo” execrável.

terça-feira, junho 06, 2006

E eis que no seu dia...

...depois de levantar a hipótese de o fuzilamento de professores ser a única saída para o ensino em Portugal... depois de considerar que os grupos de trabalho do Ministério da Educação deveriam ser pura e simplesmente extintos com napalm e de apelidar de selvagens as criaturas que hoje frequentam as nossas escolas... enfim, depois desta série de ideias brilhantes maturadas pela sua cultura de rigor e de perfeccionismo, eis que no seu dia a dita se manteve caladinha. Ainda bem.

Este blogue está a precisar de férias...

...acudam que estou a sufocar.

segunda-feira, junho 05, 2006

Cuidado com os tornozelos

Não tenho uma visão maniqueísta deste Ministério da Educação. Entendo que tomou algumas boas medidas que vão dar os seus frutos nos próximos anos, destaco sobretudo uma: a alteração do concurso de docentes para um prazo de 3 ou 4 anos. Foi uma reforma muito positiva que possibilitou este ano a vinculação de um número considerável de docentes. Considero também que o ME elegeu dois objectivos a atingir com os quais concordo plenamente: o combate ao abandono escolar e ao insucesso educativo, e o forte investimento na educação/formação de adultos. São dois objectivos mais ou menos consensuais, o problema é quando avaliamos o meio para os atingir. Debrucemo-nos somente no primeiro.

A Ministra tem dito (como na entrevista de ontem) que o pressuposto para melhorar os resultados escolares passa por transformar a escola numa verdadeira organização que, entre outros aspectos, promova o trabalho em equipa e a transversalidade científica e pedagógica. Não poderia estar mais de acordo! Mas quando ouvimos o “como” lá se chega, apanhamos uma grande desilusão (pelo menos eu apanhei). Basicamente, o “como” depende dos professores, ou seja, a mensagem é: os docentes têm de se mexer, o que fazem fica aquém daquilo que auferem todos os meses e nunca tiveram tão boas condições como agora para pôr mãos à obra. Como, no entender do ME, os profs tendem a ficar à sombra da bananeira, o governo tem de ir dando algumas caneladas, para ver se estes vão fazendo mais algumas coisitas (nem que seja para merecer o que ganham). Então, lá injectaram com as aulas de substituição nas escolas e agora avançam com suposta avaliação dos profs pelos encarregados de educação.

A primeira medida faz sentido, mas foi mal regulamentada e criou uma série de perversões à escola. Por exemplo, legitimou ainda mais a sua função de armazém: desde que se ocupe as criancinhas está tudo bem, ponham-nas a correr ou a jogar, tanto faz. Ora bem, perdeu-se uma excelente oportunidade para dar um contributo qualitativo no combate ao insucesso. Ao invés, o ME optou pela quantidade e pela regulamentação uniforme.

A segunda é disparatada. Se a ideia é alicerçar a ligação entre a escola e a comunidade, levando a que os pais frequentem mais reuniões, parece-me que gerará sobretudo efeitos pouco benéficos. Por outro lado, instaurar a avaliação pelo exterior antes de aplicar uma verdadeira avaliação interna, não só aos professores, mas, sobretudo e, antes de tudo, aos órgãos de gestão, parece-me não só inconcebível, como denota uma certa ligeireza em relação ao objectivo supremo da avaliação, que, a meu ver, deve ser encarada como um dos mecanismos propícios para regular melhor o sistema de modo a incrementar-se mais qualidade e eficácia.

Ao longo da entrevista de ontem a Ministra deu várias caneladas aos professores (não vou enumerar). Não só foram despropositadas, como acabam por ter uma consequência bem real: fragilizam a Ministra e podem deitar tudo a perder. Parece-me que a equipa ministerial confunde estratégias sindicais com estratégias e práticas profissionais. Infelizmente, são cada vez menos os docentes que se sentem representados pelos seus sindicalistas. Por isso, estão confusos (para não utilizar outro termo) com o sentido pouco claro destas caneladas. É hora de pôr os professores juntamente com o governo a construírem uma escola melhor. Afinal de contas, tudo não passa de uma questão de caneladas traiçoeiras.

Delgado, amigo, o povo está contigo!

Vai-te a eles, por Portugal

Eu devo ser das poucas pessoas que bate o comentário do Luís Delagado. A sério, eu sou mais português do que ele e do que todos os outros comentadores. Eu estou ao lado de Ronaldo! De facto, o pessoal precisa é de atirar-se a eles com punhos, dentes e 'gandas' cabeçadas. Faz bem à auto-estima dos portugueses assitirem ao poder da sua força bruta. Deixem o puto expressar-se, é a raça lusitana no seu melhor espécime. Força Portugal!

Portugueses, não sigam o exemplo dos vossos deputados

sexta-feira, junho 02, 2006

Bancada virou casota

quinta-feira, junho 01, 2006

Procura-se resposta

Na confusão da manhã, entre despir e vestir, tomar o pequeno-almoço e ir para a escola, eis que surge a grande questão existencial:
- Pai, tu que me fizeste diz-me: o que é o espírito?
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