terça-feira, junho 13, 2006

Impressões de Londres

Parques, museus, teatro e comércio é o melhor que há na buliçosa Londres.
É exemplar o modo como os ingleses usufruem dos seus parques: aí tudo se faz, desde desporto, piqueniques com champagne, concertos, teatro, banhos de sol...
Na capital salientam-se o panorâmico Greenwich, o elegante eixo Kensington Gardens/ Green Park/ Hyde Park/ St. James Park, o bucólico Hamstead Park e o 'sulista' Kennington Park, território conquistado pela Little Portugal para a sua festa do Dia de Camões e das Comunidades. É uma das festas mais importantes de Londres.
Nos museus, destacam-se 4 exposições, em 1.º, The Holocaust Exhibition. É uma viagem pelas trevas, que nos deixa com um nó na garganta. As secções são identificadas cenograficamente: início com paredes de tijolo a simular lojas de judeus marcadas com a estrela e os ghettos; segue-se depois 1 túnel-carruagem de comboio rumo ao campo de concentração; finaliza numa sugestão de campo de extermínio, com os pertences das vítimas empilhados tal como na separação que os nazis faziam: botas, escovas de dentes, as roupas às riscas, tudo corroído pelo tempo e a infâmia. Os textos são incisivos e nada fica de fora. Há depoimentos áudio e vídeo de sobreviventes, e imagens da época. É de 2000, já teve 1 milhão e 600 mil visitas, prémios e a certeza de ser 1 das melhores mostras de sempre. O cat.º geral esgotou entretanto, só resta o escolar.
Segue-se a magnífica exposição Undercover Surrealism, que nos revela o olhar de Georges Bataille sobre a arte e o seu tempo, através dum repensar do legado da revista que dirigiu em 1929/30, a Documents. Um legado construído em parceria com pintores como Picasso, Miró, Masson e Dali, escultores como Giacometti (e a arte tradicional africana), e fotógrafos como Boiffard, Eli Lothar e Blossfeldt. Breton excomungou-o da igreja surrealista, mas nem assim conseguiu apagar a pertinência e profundidade do seu contributo. Que o diga Julião Sarmento, que aí irá falar sobre a influência de Bataille na sua obra.
A propósito de surrealismo, a Tate Modern reabriu reformulada e nela a sua excelente colecção surrealista surge agora em lugar central e melhorada, com 4 filmes excepcionais em projecção contínua e integral: Entr'acte (René Clair), Un chien andalou (L. Buñuel), L'étoile de mer e Emak Bakia (Man Ray). O surrealismo está na moda e o Centre Georges Pompidou prepara 1 mostra antológica... Ah, tb. há 1 mostra de Modernism (design, 1914-39) no Victoria & Albert Museum e outra no IWML, sobre Great Escapes... nem de propósito!
No teatro, onde Shakespeare é sagrado, há que elogiar a encenação de Mike Leigh para Two thousand years e as atribulações tragicómicas de 3 gerações de judeus londrinos. Sobre lojas e lojinhas, não vale a pena rezar missa ao vigário, a malta da Tugolândia sabe-la toda.

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