segunda-feira, junho 26, 2006

Do atrofiamento do espaço crítico nos media mainstream portugueses

Uma das questões centrais implícitas na actual polémica em que estamos envolvidos, a do afunilamento excessivo da crítica livre nos media mainstream lusos, é retomada anteontem por Augusto M. Seabra (AMS), em "A crítica ainda existe? (III)" (Público, sup. Mil Folhas, p. 22). Este texto vai já na 3.ª parte, comprovando que a questão é digna de atenção, ao arrepio das conveniências do sr. Morgado Fernandes e doutros srs. que preferem enterrar a cabeça na areia.
AMS salienta que a "formatação da opinião publicada" ("ou presente no espaço público em geral") em Portugal está em íntima relação com a "diluição dos espaços críticos".
A pretexto de mais um caso de excesso de visibilidade focando um livro dum autor querido do e no Público (VPV), constata a tendência para uma distinção de classes por parte da crítica mainstream relativamente ao seu objecto: "é-me também inaceitável que haja dois níveis distintos, quais «elite» e «plebe», o primeiro sendo inimputável, tendo todos os canais de opinião e eventualmente sobre tudo se pronunciando [...], «elite» que quando publica logo tem a imprensa a seus pés, só à «plebe» se apontando as suas inegáveis faltas". Como ex. limite da 1.ª surge o «oligarca de opinião» Pacheco Pereira, que ecoa a sua opinião em triplicado pela SIC-N/ DN, Público e Sábado, além do blogue.
De seguida, e secundando o provedor José Carlos Abrantes na necessidade de casos como o do livro do sr. Nuno Galopim (DN/«6.ª) serem atribuídos a críticos externos à redacção (ao invés do que sucedeu e que o sr. Morgado Fernandes teima ter sido normal), denuncia a extensão do amiguismo na crítica de imprensa: "verifico ser prática corrente na imprensa portuguesa, e afinal sem diferenças de nível, e até com frequência reiterando a dita «elite» [...], as proximidades aos jornalistas e colaboradores também autores, para além dos casos manifestamente escandalosos em que aqueles acabam por de um modo ou de outro interferir nos modos de edição da «crítica» ao seu trabalho".
Abusando do seu poder e estendendo o papel de mediador a tudo, incluindo à crítica, o discurso jornalístico acaba ele próprio por reforçar o "binómio reiteração/atrofiamento, reiteração de uma opinião formatada e atrofiamento do espaço crítico. [...] O que sucede então, o que está tão gravosamente a ocorrer neste momento? Há uma precedência do discurso jornalístico que ainda mais atrofia a possibilidade de espaços especificamente de crítica qualificada nos próprios «media»".
E AMS conclue recordando o enunciado das 3 questões fulcrais que está analisando: "1) uma marginalização informativa do espaço da cultura, 2) uma informação tantas vezes apressada e pouco trabalhada, que transmite com escasso tratamento os diversos discursos «oficiais» e 3), como corolário, uma secundarização da crítica, desde logo pouco considerada nos orçamentos, favorecendo agendamentos de diversas proximidades imediatas".
Não valerá a pena debater estas questões abertamente e sem preconceitos, em vez de se enterrar a cabeça na areia? É que o espaço público é pertença e construção de todos os cidadãos.
PS: O sr. Morgado Fernandes regressou para mais um dos seus n.ºs de confusionismo, arremetendo não valer a pena continuar a conversa para logo a seguir voltar à carga. Confuso, não é? Em nova tentativa descabida de virar o bico ao prego, quiz fazer-nos crer que o facto de eu ter mencionado a colocação dum link para o blogue de João Villalobos (Corta-Fitas) dinamitaria os meus argumentos. Valerá a pena retorquir-lhe que não, não é amiguismo, eu não conheço a pessoa, quando muito tratar-se-á de afinidades despoletadas por 1 texto relevante e, sobretudo, de uma coisa corriqueira na maioria dos blogues que é a de inserir hiperligações para outros blogues numa barra lateral, coisa que o sr. Morgado Fernandes aristocraticamente dispensa (bem como caixa de comentários), pois paira acima da plebe? Ademais, um blogue até pode ser amiguista, já um jornal tem outras obrigações, pois é suposto que quem o compre tenha direito a uma pluralidade crítica mínima, isenta e distanciada. Mas será que isto é assim tão complicado de aceitar?

5 Comments:

Anonymous aliane medeiros said...

Eu fiz uma cirurgia no fêmo passei quarenta dias deitando, e a minha perna atrofiou, na fisioterapia tem como voltar ao normal?

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