segunda-feira, maio 15, 2006

'Fecha tudo, fecha tudo'

Racionalizar os recursos do Estado já não é meramente importante: é vital. Fazê-lo de forma racional é muito importante. Por isso é que o argumento do “então porque não se fecha tudo?” é demagógico. Porque equiparar, à luz de quaisquer critérios, o fecho da Alfredo da Costa (mais de 1500 partos/mês) com o fecho da maternidade de Lamego (cerca 43 partos/mês), é irracional. Em verdade e a prazo, trata-se até de um discurso lesivo para o serviço público, um tiro no pé.

Racionalizar gastos com o sector público é defendê-lo, não atacá-lo. Numa óptica de recursos limitados, o Serviço Nacional de Saúde terá tanta mais longevidade e eficácia quanto melhor gerido. Certamente isso requererá um conjunto alargado de outras medidas, que não apenas a actualmente em apreço, mas não me oponho a esta só por ter sido anunciada individualmente. Na prática, isso seria patrocinar o imobilismo, à sombra de um formalismo. E se em muitos casos a orientação para o encurtamento de custos emagrece igualmente o serviço público, aqui não me parece ser o caso. Trata-se de uma medida prudente na prevenção de riscos para os seus utentes (e isto é tanto mais importante quando nos referimos à produção de serviços na área da saúde). Se nos deixamos enredar em considerações de forma (como a mediação da medida para os meios de comunicação), perdemos o essencial de uma construção política para um estado social sustentável e integrado. Esta entrevista é um óptimo elemento para esclarecer as vantagens da medida.

Matéria de alcance vasto levanta ainda o Renato aqui. Deixo apenas interrogações. Estancar-se-á a desertificação do interior mantendo lá blocos de parto sem utentes? Podem as escolas salvar aldeias? E se assim for, será legítimo fazê-lo forçando crianças a habitar escolas vazias?
Para último a questão do desenho, porque não é assim tão importante. Facto facto é que o nível argumentativo subiu entre o cartoon e os posts do Daniel. Essa elevação não me surpreende nada. A publicação do desenho é que surpreendeu um pouco, mas é tão inquestionável a liberdade de publicá-lo como a de poder demarcar-me dele.

5 Comments:

Blogger Renato Carmo said...

Caro Nuno, o meu post, publicado despois deste, responde, até certo ponto, às tuas questões. Respondendo concretamente: não se pode encarar todas as aldeias como se fossem a mesma Aldeia. Uma aldeia não é salva pela escola, mas em certas aldeias a manutenção de uma escola pode fazer muita diferença.
A acção política deveria equacionar essa diferenciação. Ao não fazê-lo deixa de ser política e passa a ser mera tecnocracia.

Um abraço, Renato.

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