quarta-feira, abril 19, 2006

Em nome da memória e da liberdade

Faz hoje 500 anos que em Lisboa se iniciou um massacre de cristãos-novos e de judaizantes, só terminado 2 dias depois. Preparava-se assim o terreno para a instauração da Inquisição no país. Sobre este episódio negro da História de Portugal surgiram reflexões muito interessantes na blogosfera, salientando-se as de Nuno Guerreiro e João Miguel Almeida. O 1.º lançou a ideia duma homenagem simbólica a essas vítimas da intolerância religiosa, 1 vela por cada indivíduo assassinado, a acender por quem estiver interessado no Rossio lisboeta, hoje, 5.ª e 6.ª feiras.
É uma ideia digna, que contribuirá para consolidar uma comunidade na memória colectiva, na liberdade e no respeito, condições basilares da cidadania universal. Pena é que haja quem não vislumbre esta elementar condição e se feche na sua reserva mental.
A este propósito, nada melhor que reproduzir as palavras sábias do judeu Elie Wiesel, prémio Nobel da Paz: "Se existe um único tema que domina todos os meus escritos, todas as minhas obsessões, é a memória – porque tenho tanto medo do esquecimento quando do ódio ou da morte. [...] Porque a memória é um bem: cria laços em vez de os destruir. Laços entre o presente e o passado, entre indivíduos e grupos. É por me lembrar do nosso princípio comum que me aproximo dos meus semelhantes, de todos os seres humanos. É por me recusar esquecer que o seu futuro é tão importante quanto o meu. Que seria o futuro da humanidade se fosse desprovido de memória?”
(do pref.º a From the kingdom of memory, N. Iorque, Summit Books, 1990, tradução de Nuno Guerreiro; a imagem supra é retirada do panfleto anónimo alemão Da contenda cristã, que recentemente teve lugar em Lisboa, capital de Portugal, entre cristãos e cristãos-novos ou judeus, por causa do Deus crucificado, c.1506, depositado na Univ. de Harvard, EUA)

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