segunda-feira, outubro 09, 2006

As cidades não sabem nadar, iô

Agora num registo mais sério, há mais para dizer, há.
Acabei de ver o filme Uma verdade inconveniente e, de facto, dá muito que pensar. A mensagem é clara e preocupante: se não forem tomadas as medidas ambientais certas em termos globais, estaremos a hipotecar o futuro de todos. Não é só o espectro duma catástrofe ecológica mundial iminente (com a inundação de vastas áreas das principais cidades actuais e o decorrente surgimento de c.100 milhões de refugiados); é todo o rol de alterações de que vamos testemunhando os nefastos efeitos: mais furacões, tornados e tempestades devastadores (e em sítios onde nunca haviam ocorrido), com todo o cortejo de desgraças associado, subida do nível da água do mar e da temperatura, reforço da seca em vastas regiões (e aqui surge a crise na África subsariana, com o actual desaparecimento total do Lago Chade), propagação mais rápida de certas doenças, alergias, epidemias e pragas, aceleração da extinção de espécies, etc.). Outra coisa que o filme desmonta bem é como um consenso científico sólido (suportado na unanimidade duma amostra de 10% dos artigos científicos com avaliação por pares, num universo de q. 10 mil trabalhos) é deturpado nos media devido a manipulações político-partidárias (aqui quase 1/2 dos textos analisados num estudo diziam que não havia consenso, que ainda havia dúvidas, etc.), instalando a incerteza e apatia na opinião pública.
Al Gore tem razão: este é um problema civilizacional e da globalização. Depende do poder político mas tb. de cada um de nós, ou seja, do modo como reagirmos à actual situação, que exige esforços de todos, o que não tem forçosamente que ser andar de burro, como sugere uma leitura apressada ou mal-intencionada. Basta votar em políticos e dirigentes associativos que apoiem medidas no sentido das energias renováveis, do Protocolo de Quioto, do reforço da reciclagem (aqui cada um de nós pode contribuir), de veículos com energias menos poluentes, do comércio justo, no consumo responsável, etc., etc..
An inconvenient truth revela tb. como o ambiente é uma questão política que evidencia de modo flagrante a demarcação entre esquerda e direita, ou entre progresso responsável e conservadorismo ganancioso: vd. as rábulas de líderes conservadores denegrindo as iniciativas de Al Gore. Ainda assim, Al Gore prefere colocar a questão num patamar ainda mais premente: o da questão ética, interpelando-nos sobre o que queremos legar, e mostrando que se não fizermos uma opção global mais racional e solidária comprometeremos irremediavelmente o futuro das próximas gerações. Enfim, há sempre quem prefira dar 2 passos em frente e já sonhe com colónias humanas na Lua e em Marte...
Mais informação está disponível no site deste movimento de consciencialização, o Climate Crisis.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Tens aqui o vídeo do filme: http://www.apple.com/trailers/paramount_classics/aninconvenienttruth/trailer/.
Letes luke éte da traila..

3:43 da manhã  
Blogger Daniel Melo said...

John Topping, pres. do Inst.º do Clima (ONG de referência dos EUA), tb. corrobora o cenário pessimista, reiterando que as alterações climáticas estão já a decorrer e a ritmo acelerado, alertando para o perigo de graves crises alimentares e para a possível irreversibilidade de certas mudanças (vd. entrevista ao Público de 11/XI/2006 em http://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?a=2006&m=11&d=11&uid=&id=106897&sid=11792).
Isto está mesmo bera: "Oxalá a natureza fosse tão tolerante quanto os cépticos sugerem. Mas receio que grandes mudanças estão já a acontecer. E se não agirmos firmemente agora, há o risco de as futuras gerações não terem muito mais a fazer." (J. Topping dixit)

7:57 da tarde  

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